Texto
. ‘E eis, [era] um sonho’; que signifique nesse obscuro, vê-se pela significação do ‘sonho’, que é o estado obscuro (n. 1838, 2514, 528, 5210). Diz-se obscuro, porque os veros foram exterminados, visto que onde não estão os veros há o [estado] obscuro. Com efeito, a luz do céu influi somente nos veros, pois a luz do céu é o Divino Vero procedente do Senhor, daí, os veros nos anjos enos espíritos, e também nos homens, são luzes subsidiárias, mas têm a sua luz procedente do Divino Vero por meio do bem nos veros, porquanto a não ser que os veros provenham do bem, isto é, a não ser que os veros tenham o bem neles, eles não podem receber luz alguma procedente do Divino. É por meio do bem que eles recebem, visto que o bem é como fogo ou chama, e os veros são como as luzes daí procedentes. Os veros sem o bem também luzem na outra vida, mas luzem como uma luz de inverno, luz que se torna escuridão em relação à luz do céu. A partir dessas explicações, pode-se ver o que se entende aqui por obscuro, a saber, que é o estado do natural quando os conhecimentos bons foram exterminados pelos conhecimentos de nenhum uso. É tal obscuro que pode ser iluminado de um modo geral (n. 5208, 5218), mas o obscuro que provém dos falsos não pode de modo algum, uma vez que os falsos são outras tantas coisas tenebrosas que extinguem a luz do céu e fazem daí um obscuro que não pode ser iluminado antes que os falsos tenham sido removidos.