. ‘E o faraó contava a eles o seu sonho’; que signifique sobre as coisas futuras, vê-se pela significação do ‘sonho’, que é a previdência, a predição, o acontecimento (n. 5091, 5092, 5104), assim, as coisas futuras. Como se têm essas no sentido interno, vê-se pela série das coisas. Trata-se, neste versículo, do novo estado do natural quando ele está no [estado] obscuro por causa dos veros que dele foram exterminados, e que então ali há perturbação ao consultar os conhecimentos das coisas futuras. Com efeito, quando um tal obscuro atinge, então logo incide o pensamento ‘o que há de acontecer?’ [2] Isto porque é comum em todo tal estado, quando o homem está sendo regenerado; por isso aqui, no sentido interno, se descreve esse estado. Hoje, porém, tais estados são desconhecidos, tanto porque poucos são regenerados, quanto porque aqueles que são regenerados não refletem sobre tais coisas. Das coisas que acontecem interiormente no homem, hoje o homem não se ocupa, porque as coisas externas [o] ocupam totalmente, e a este em quem os externos ocupam o todo, isto é, onde os externos são os fins da vida, os internos nada são; um tal indivíduo diria a respeito desse [estado] obscuro: “Que me importam os internos, quando nenhum proveito tiro deles nem honra alguma? Por que pensar a respeito do estado da alma ou do estado do homem interno para saber se este está no estado obscuro quando os veros são exterminados, ou se ele está no estado claro quando os veros nele foram repostos? Ao que leva saber isso? Há um homem interno e a alma tem um outro estado além do corpo? É isso que ponho em dúvida; e realmente existirá uma alma que viverá depois da morte? Quem voltou dentre os mortos e contou?” É assim que hoje fala consigo o homem da igreja, e é assim que ele pensa quando ouve ou lê alguma coisa acerca do estado do homem interno. Daí é evidente donde vem que as coisas que acontecem interiormente no homem estão hoje em oculto e completamente desconhecidas. [3] Tal [estado] obscuro do entendimento nunca tinha existido entre os antigos, a sabedoria deles consistira em cultivar os interiores e, assim, em aperfeiçoar uma e outra faculdade, tanto a intelectual como a voluntária, e por meio disso prover para sua alma. Que os antigos tenham se ocupado dessas coisas, vê-se claramente pelos escritos deles, que existem ainda hoje, e também pelo desejo de todos de ouvir Salomão, pois “por isso vieram de todos os povos para ouvir a sabedoria de Salomão, da parte de todos os reis da terra que ouviram falar da sabedoria dele” (1 Reis, 5:14); é também por isso que a rainha de Sabá veio a Salomão, e da bem-aventurança em que chegou a partir da sabedoria de Salomão, disse: “Bem-aventurados os teus varões, bem-aventurados os teus servos, que estão diante de ti continuamente, e ouvem a tua sabedoria” (1 Reis, 10:8). Quem hoje se diria bem-aventurado em razão disto?