Texto
‘E ninguém interpretava essas [coisas] para o faraó’, que signifique que ele não sabia o que aconteceria, vê-se pela significação de ‘interpretar’, que é saber o que acontecerá (n. 5141); daí, ‘ninguém os interpretava’ é não saber; com efeito, ‘ninguém’, no sentido interno, é o negativo da coisa, assim, é não, porque a ideia da pessoa é vertida em ideia da coisa real no sentido interno, como a ideia de varão, de marido, de mulher, de esposa, de filho, de filha, de menino, de virgem, em ideia de vero ou de bem, e como acima (n. 5223), a ideia de mago e de sábio em ideia de conhecimentos interiores e exteriores. A causa é, porque no mundo espiritual, ou no céu, não são pessoas, mas sim coisas reais que vêm sob a intuição, visto que as pessoas limitam a ideia e a concentram para alguma coisa de finito, porém as coisas reais não a limitam nem a concentram, mas a estendem ao infinito, assim, ao Senhor. Daí vem também que nunca pessoa alguma que é nomeada na Palavra é percebida no céu, mas em seu lugar é percebida a coisa real que por ela é representada; do mesmo modo nenhum povo nem nação alguma sãoali percebidos, mas se percebe a sua qualidade; ainda mais, não se conhece no céu absolutamente histórico algum da Palavra a respeito de uma pessoa, uma nação e um povo; consequentemente, não se sabe quem é Abrahão, quem é Isaque, quem é Jacó, quem o povo israelita, quem é a nação judaica, mas lá se percebe o que representa Abrahão, o que Isaque, o que Jacó, o que o povo israelita, o que a nação judaica, assim com todos os restantes. Por isso a linguagem angélica é ilimitada e também relativamente universal.