Texto
. ‘E [estava] ali conosco um menino hebreu’; que signifique que ali por causa da tentação tinha sido rejeitado o inofensivo da igreja, vê-se pela significação de ‘menino’, que é o que é inofensivo, do que se tratará no que segue; e pela significação de ‘hebreu’, que é aquele que é pela igreja (n. 5136), assim, o que pertence à igreja. Que fora rejeitado ali por causa da tentação, é o que é significado por ‘ali estava’, a saber, em custódia, pois pela custódia sob a qual José tinha sido enviado é significado o estado da tentação (n. 5036, 5037, 5039, 5044, 5045), estado de que se tratou no capítulo 39 e 40.
[2] Que ‘menino’ seja o inofensivo, é porque ‘criança’, no sentido interno, é o inocente; com efeito, na Palavra, faz-se menção da ‘criancinha que mama’, da ‘criança’, do ‘menino’, e por eles são significados os três graus de inocência, o primeiro grau pela criancinha que mama, o segundo pela criança, e o terceiro pelo menino; mas como no menino a inocência começa a ser despojada, por isso pelo menino é significado esse inocente que se chama inofensivo. Como os três graus da inocência são significados por eles, também os três graus do amor e da caridade são significados pelos mesmos, por essa causa, porque o amor celeste e espiritual, isto é, o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo, não podem existir a não ser senão na inocência. Contudo, deve-se saber que a inocência das criancinhas que mamam, das crianças e dos meninos, é apenas externa, e que no homem não há inocência interna senão depois que tiver nascido de novo, isto é, depois que de novo, por assim dizer, foi feito criancinha que mama, criança e menino. São esses os estados que são significados por eles na Palavra, pois no sentido interno da Palavra não se entende senão o que é espiritual, por conseguinte, um nascimento espiritual, que se chama renascimento e, também, regeneração.
[3] Que o inocente, que se chama inofensivo, é significado pelo ‘menino’, vê-se em Lucas:
“Jesus disse: Qualquer um que não recebe o reino de Deus como um menino não entrará nele” (18:17);
‘receber o Reino de Deus como um menino’ é receber a caridade e a fé a partir da inocência. Em Marcos:
“Jesus tomou um menino, pô-lo no meio deles, e entre os braços o tomou, e disse-lhes: Quem quer que a um destes meninos recebe no Meu nome, recebe a Mim” (9:36, 37; Lc. 9:47, 48);
pelo ‘menino’ aqui é representada a inocência, a qual quem recebe, este recebe o Senhor, porque é d’Ele que provém o todo da inocência; que ‘receber um menino em nome do Senhor’ não seja receber um menino, qualquer um pode ver, assim, que o celeste é que foi representado por meio disso.
[4] Em Mateus:
“Os meninos no templo clamavam: Hosana ao filho de Davi! Indignaram-se [com isso]; por isso Jesus lhes disse: Não lestes que: Da boca das crianças e das [crianças] que mamam aperfeiçoaste o louvor?” (21:15, 16; Sl. 8:3).
Que os meninos clamavam ‘Hosana ao filho de Davi’, era para que fosse representado que somente a inocência é que reconhece e recebe o Senhor, isto é, aqueles em que há a inocência. Por ‘que da boca das crianças e das [crianças] que mamam aperfeiçoaste o louvor’ é significado que o louvor não pode chegar ao Senhor por um outro caminho a não ser pela inocência; somente por ela se faz toda comunicação e todo influxo, por conseguinte, o acesso; daí vem que o Senhor diz no mesmo:
“Se não vos converterdes e não vos tornardes como meninos, não entrareis no Reino dos céus” (Mt. 18:3).
[5] Nas passagens seguintes, por ‘menino’ também é significada a inocência: Em Zacarias:
“Encher-se-ão as praças da cidade de meninos e meninas, brincando nas praças dela” (8:5);
aí se trata da Nova Jerusalém, ou do Reino do Senhor. Em Davi:
“Louvai a JEHOVAH, jovens e também virgens, velhos com os meninos” (Sl. 148:12).
No mesmo:
“JEHOVAH renova da cova a tua vida, farta de bem a tua boca, para que renovado sejas como a águia na tua meninice” (Sl. 103:4, 5).
Em Joel:
“Sobre o meu povo lançaram a sorte, porque deram o menino pela prostituta, e a menina venderam pelo vinho que beberam” (4:3[Em JFA, 3:3]).
Em Jeremias:
“Dispersarei por ti o varão e a mulher, e dispersarei por ti o velho e o menino, e dispersarei por ti o jovem e a virgem” (51:22).
Em Isaías:
“Um menino nos nasceu, um filho se nos deu, sobre cujo ombro [está] o principado, e se chamará o Nome d’Ele, Admirável, Conselheiro, Deus, Herói, Pai da eternidade, Príncipe da paz” (9:5).