Texto
. ‘E o faraó falou a José’; que signifique o pensamento do celeste do espiritual proveniente do natural, vê-se pelas coisas ditas acima (n. 5251), onde há expressões semelhantes, com exceção somente que ali se diz ‘o faraó disse a José’, e aqui, ‘o faraó falou a José’; com efeito, ‘disse’ significa a percepção, e ‘falou’ significa o pensamento (n. 2271, 2287, 2619). Que por ‘faraó falou a José’ seja significado o pensamento do celeste do espiritual proveniente do natural, e não vice-versa, é porque o que é exterior nunca pensa por si, mas sim a partir do interior, ou, o que é o mesmo, o que é inferior não pensa senão pelo superior; ainda que, quando o interior ou o superior pensa no exterior ou no inferior, pareça que o exterior ou o inferior pensa por si, mas é uma falácia. Isso acontece como com alguém que vê um objeto em um espelho e não sabe que há ali um espelho, ele considera que o objeto ali está, quando, todavia, não está ali.
[2] Como o celeste do espiritual éentão o interior ou o superior, e que o natural é o exterior ou o inferior, daí por ‘o faraó falou a José’ é significado, no sentido interno, o pensamento do celeste do espiritual proveniente do natural. Em uma palavra, nada do que está abaixo pode qualquer coisa por si, mas aquilo que pode tem isso do superior; e porque assim é, segue-se evidentemente que tudo procede do Supremo, isto é, do Divino. Consequentemente, que o homem pense a partir do entendimento e aja a partir da vontade, isto ele tem pelo Supremo, ou seja, do Divino; mas que pense falsamente e aja mal, provém da forma que imprimiu em si mesmo; mas que pense com verdade e aja bem, provém da forma que recebera do Senhor. Sabe-se, com efeito, que um só e mesmo poder e força produz movimentos diversos segundo as construções nos meios e nos extremos; assim, no homem, pela vida proveniente do Divino, produz pensamentos diversos e ações diversas segundo as formas.