Texto
. ‘As sete vacas boas, elas [são] sete anos’; que signifique os estados de multiplicação do vero no natural interior, vê-se pela significação das ‘vacas’, que, no sentido bom, são os veros do natural interior (n. 5198); e pela significação dos ‘anos’, que são os estados (n. 482, 487, 488, 493, 893). Que tenham sido sete, é porque ‘sete’ significa o santo e, por isso, acrescenta a santidade a coisa de que se trata (n. 395, 433, 716, 881), e também envolve um período inteiro, desde o começo até o fim (n. 728); daí vem que sete vacas e sete espigas tinham sido vistas no sonho, e, em seguida, que houve sete anos de abundância de mantimento e sete anos de fome; daí vem também que o sétimo dia foi santificado, e que o sétimo ano na Igreja representativa foi o Ano Sabático, e que depois sete vezes sete anos havia o Jubileu.
[2] Que ‘sete’ signifique as coisas santas é pela significação dos números no mundo dos espíritos, ali cada número envolve alguma coisa. Muitas vezes, à vista apareceram-me números simples e compostos, uma vez mesmo em uma longa série; e, admirado, [eu] me perguntava o que significavam, e foi dito que eles existem a partir da linguagem dos anjos, e que também é hábito exprimir, às vezes, as coisas por meio de números. Esses números aparecem não no céu, mas no mundo dos espíritos, onde tais coisas se apresentam à vista. É o que conheceram os antiquíssimos, que eram homens celestes e falavam com os anjos, e daí eles formaram um cômputo eclesiástico por números, pelos quais eles exprimiam de um modo universal as coisas que se exprimem de um modo particular pelas palavras; mas o que cada número envolvia não permaneceu com os seus pósteros; eles somente souberam o que significavam os números simples, a saber, dois, três, seis, sete, oito, doze e, daí, vinte e quatro, e setenta e dois, setenta e sete; eles sabiam principalmente que sete significava o santíssimo, a saber, no sentido supremo, o Divino mesmo, e no sentido representativo, o celeste do amor. Daí vem que o estado do homem celeste foi significado pelo sétimo dia (n. 84, 85, 86, 87). Que os números significam coisas reais, é manifestamente evidente por muitos números na Palavra, como por estes em João:
“Quem tem inteligência, conte o número da besta, o número, pois é de homem, a saber, o seu número é seiscentos e sessenta e seis” (Ap. 13:18);
e em outro lugar, no mesmo:
“O anjo mediu a muralha da Santa Jerusalém, cento e quarenta e quatro côvados, que é uma medida de homem, isto é, de anjo” (Ap. 21:17);
o número 144 provém de 12 multiplicado por si mesmo, e de 144 dividido por dois vem o 72.