Texto
. ‘Serão sete anos de fome’; que signifique falta e privação aparente de vero, vê-se pela significação da ‘fome’, que é a falta de cognição (n. 1460, 3364), assim, também a privação de vero. Com efeito, é significado que os falsos exterminavam os veros, de sorte que parecia como se não houvesse mais, pelo que as vacas macilentas e más comeram as sete vacas gordas, e que estas vieram às vísceras delas, e que não se conhecia que tivessem vindo em suas vísceras; depois, por isso, que as espigas franzinas engoliram as sete espigas boas (vers. 4, 7, 20, 21, 24; n. 5206, 5207, 5217). O modo como essas coisas acontecem, a saber, que no começo o vero será multiplicado em um e no outro natural, e que depois ele faltará a tal ponto que dificilmente aparecerá, é um arcano que ninguém pode conhecer, exceto aquele a quem é dadoconhecer o modo como acontece a reforma e a regeneração do homem. Como no que se segue se trata dessas coisas no sentido interno, cumpre dizer aqui umas poucas coisas com antecedência.
[2] O homem, quando está sendo reformado, aprende primeiro os veros provenientes da Palavra ou a doutrina, e os deposita na memória. Quem não pode ser reformado crê, quando aprendeu os veros e os pôs na memória, que seja suficiente, mas muito se engana. Os veros que ele hauriu devem ser iniciados e conjungidos ao bem, e não podem ser iniciados nem conjungidos ao bem enquanto no homem natural permanecem os males do amor de si e do mundo; esses amores foram os primeiros introdutores [dos veros], e os veros não podem de modo algum ser conjungidos com eles. É por isso que, a fim de se faça uma conjunção, os veros introduzidos e retidos por esses amores devem ser primeiramente exterminados, embora eles não sejam exterminados, mas são puxados para dentro de modo que não apareçam; é por isso que se diz privação aparente de vero. Quando isso foi feito, então o natural é iluminado pelo interior, e então os males dos amores de si e do mundo se retiram e, ao grau que eles se retiram, os veros são repostos e conjungidos ao bem. O estado do homem, quando na aparência ele é privado de veros, é chamado, na Palavra, ‘desolação’, e também é comparado à tarde, em que o homem está antes de vir na manhã; é por isso que na Igreja representativa os dias começavam pela tarde.