. ‘E não será conhecida a abundância de mantimento na terra’; que signifique nada do vero, que havia anteriormente, será ali apercebido, vê-se pela significação de ‘ser conhecido’, que é ser apercebido; pela significação da ‘abundância de mantimento’, que é o vero multiplicado, de que se falou acima (n. 5276 5278); e pela significação da ‘terra’, aqui da terra do Egito, que é a mente natural, de que também se falou acima (n. 5276, 5278, 5279). Daí é evidente que por ‘não será conhecida a abundância de mantimento na terra’ é significado que nada do vero, que havia anteriormente, será apercebido no natural. [2] Neste versículo, trata-se do último estado da desolação, quando chega o desespero, que precede de modo mais próximo a regeneração, e porque se trata do desespero neste versículo, é necessário dizer o modo como acontece. Todo homem deve ser reformado e nascer de novo, ou ser regenerado, para que possa vir ao céu, visto que “ninguém, a não ser que seja gerado de novo, pode ver o Reino de Deus” (João, 3:3, 5, 6). O homem nasce no pecado, que aumentou em uma longa série pelos pais, avós e antepassados, tornou-se hereditário e foi, assim, transmitido aos descendentes. O homem que nasce, nasce em tantos males hereditários que foram assim sucessivamente aumentados, de onde resulta que ele não é outra coisa senão pecado; é por isso que, a não ser que seja regenerado, ele permanece todo inteiro no pecado. Ora, para que seja regenerado, ele deve ser primeiramente reformado, e isso por meio dos veros da fé. Com efeito, ele deve aprender da Palavra e da doutrina proveniente dela o que é o bem. As cognições do bem provenientes da Palavra ou a doutrina que vem daí chamam-se veros da fé, pois todos os veros da fé emanam do bem e fluem para o bem, porquanto eles visam o bem como fim. [3] Esse estado é o primeiro e se chama estado de reforma. Nesse estado são introduzidos, desde a infância até a adolescência, quase todos que estão na igreja; mas ainda assim poucos são regenerados, uma vez que, pela maior parte, na igreja aprendem os veros da fé ou as cognições do bem com o fim de adquirirem reputação e honra, e com o fim do ganho. Quando, pois, os veros da fé foram introduzidos por esses amores, o homem não pode nascer de novo ou ser regenerado antes que esses amores tenham sido afastados; para que, pois, esses amores sejam afastados, o homem é posto no estado de tentação, o que acontece deste modo: Esses amores são excitados pela turba infernal, pois essa turba quer viver nesses amores; mas então, pelos anjos, são estimuladas as afeições do vero e do bem, as quais foram insinuadas desde a infância no estado da inocência e foram em seguida escondidas interiormente e conservadas para esse uso. Daí há combate entre os espíritos maus e os anjos; esse combate no homem é sentido como tentação. E porque então se trata dos veros e dos bens, os próprio veros que foram anteriormente insinuados são quase exterminados pelos falsos injetados pelos maus espíritos, assim, para que não apareçam (coisa a respeito da qual se tratou acima, n. 5268, 5269, 5270); e conforme então o homem se deixa regenerar, o Senhor insinua pelo caminho interno, no natural, a luz do vero procedente do bem, luz na qual os veros são repostos em ordem. [4] Assim acontece como homem que se regenera, mas hoje poucos são admitidos nesse estado; todos na realidade, quanto mais se prestam a esse fim, começam a ser reformados por meio da instrução nos veros e nos bens da vida espiritual; mas logo que chegam à idade da adolescência, eles se deixam arrastar pelo mundo, e vão para as partes dos espíritos infernais, pelos quais eles são gradativamente desviados do céu, a tal ponto que dificilmente creem que há um céu; por isso eles não podem ser enviados a nenhuma tentação espiritual, pois se fossem enviados, logo sucumbiriam; e então o estado posterior deles tornar-se-ia pior do que o estado anterior (Mt. 12:45). A partir dessas explicações, pode-se ver como acontece com as coisas que estão contidas aqui no sentido interno, a saber, com o estado de reforma e o estado de regeneração; neste versículo, por sua vez, se descreve o último estado da tentação, que é o estado de desespero, do qual se tratou logo acima (n. 5279).