ac 5291

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E tome-o-quinto529 da terra do Egito’; que signifique as coisas que devem ser conservadas e em seguida escondidas, vê-se pela significação de ‘tomar-o-quinto’, que aqui envolve o mesmo que ‘dizimar’. Na Palavra, ‘dizimar’ significa fazer relíquias, e fazer relíquias é reunir os veros e os bens e, em seguida, esconder. Que as ‘relíquias’ sejam os bens e os veros escondidos pelo Senhor no homem interior, foi visto (n. 468, 530, 560, 561, 661, 1050, 1906, 2284, 5135); e que pelos ‘dízimos’, na Palavra, sejam significadas as relíquias, n. 576, 1738, 2280; semelhantemente por ‘dez’ (n. 1906 2284); daí também por ‘cinco’, número que é a metade do número dez. A metade e o dobro, quanto aos números na Palavra, envolvem semelhante coisa; por exemplo, vinte o mesmo que dez, e quatro o mesmo que dois, seis o mesmo que três, vinte e quatro o mesmo que doze, e assim por diante. O mesmo também acontece com os números ainda multiplicados; assim, cem e também mil envolvem o mesmo que dez; setenta e dois e também cento e quarenta e quatro, a mesma coisa que doze. Portanto, o que os números compostos envolvem, pode-se saber pelos números simples dos quais e com os quais foram multiplicados; pode-se também, pelos números inteiros, saber o que envolvem números mais simples; assim, por dez, o que envolve o cinco, por cinco, o que envolve dois e meio, e assim por diante. Em geral, é necessário saber que os números multiplicados envolvem a mesma coisa, porém, mais plenamente, e que os números divididos envolvem a mesma coisa, porém, não tão plenamente.
[2] Quanto ao que diz respeito especificamente ao ‘cinco’, este número tem uma dupla significação; ele significa pouco e, daí, alguma coisa, e significa as relíquias. Que ele signifique pouco, é pela sua relação com esses números que significam muito, a saber, com mil e com cem e, daí, também com dez. Que o mil e o cem signifiquem muito, foi visto (n. 2575, 2636); que daí também dez, n. 3107, 4638. Que ‘cinco’ signifique as relíquias, é quando ele se refere a ‘dez’, e ‘dez’ significa as relíquias, como foi dito acima. Que todos os números na Palavra signifiquem coisas reais, foi visto (n. 575, 647, 648, 755, 813, 1963, 1988, 2075, 2252, 3252, 4264, 4495, 4670, 5265).
[3] Quem não conhece que há na Palavra um sentido interno, que não se mostra na letra, este ficará muito admirado de que os números na Palavra signifiquem também coisas reais, sobretudo por essa causa, porque ele não pode formar ideia alguma espiritual a partir dos números; mas que ainda assim os números fluam da ideia espiritual, que existe nos anjos, foi visto (n. 5265). Pode-se saber, na realidade, quais são as ideias, ou quais são as coisas a que os números correspondem de fato, mas ainda se ignora de onde vem essa correspondência; por exemplo, de onde vem a correspondência de doze com todas as coisas da fé, e a correspondência de sete com as coisas santas, depois, a correspondência de dez, bem como de cinco com os bens e os veros escondidos pelo Senhor no homem interior, e assim por diante. Basta, porém, saber que há uma correspondência, e que por essa correspondência todos os números na Palavra significam alguma coisa no mundo espiritual, que em consequência há também escondido neles um Divino inspirado.
[4] Como por exemplo, nas passagens seguintes, onde ‘cinco’ é mencionado; assim na Parábola do Senhor sobre
“um homem que partiu para um país estrangeiro, ... e entregou a seus servos os seus recursos, a um, cinco talentos, a outro dois, e ao terceiro um; ... e o que recebeu cinco talentos, negociou com eles, e lucrou outros cinco talentos, semelhantemente o que [tinha recebido] dois, lucrou outros dois; porém, o que recebeu um só, ...escondeu a prata de seu senhor na terra” (Mt. 25:14 e seguintes).
Aquele que não pensa além do sentido literal, este não pode saber outra coisa, senão que esses números, a saber, o ‘cinco’, o ‘dois’ e o ‘um’, são apenas tomados para arranjar o histórico da parábola, e que não envolvam nada mais além disso, quando, todavia, nesses números mesmos há também um arcano. Com efeito, pelo ‘servo que recebeu cinco talentos’ são significados aqueles que admitiram os bens e os veros procedentes do Senhor, assim, os que receberam as relíquias; por ‘aquele que recebeu dois talentos’ são significados os que, progredindo em idade, juntaram a caridade à fé; e por ‘aquele que recebeu um só’, os que têm a fé só, sem a caridade. Deste se diz que ‘escondeu a prata de seu senhor na terra’, porquanto pela ‘prata’ que é predicada a respeito dele, é significado, no sentido interno, o vero que pertence à fé (n. 1551, 2954), pois a fé sem a caridade não pode “dar lucro” ou produzir fruto. Tais são as coisas encerradas nesses números.
[5] O mesmo acontece em outras parábolas, por exemplo, na do
“homem partindo para um país remoto, a fim de receber para si um reino;... que deu aos seus servos dez minas, e disse-lhes que negociassem com elas até que ele chegasse; quando retornou, o primeiro disse: Senhor a tua mina lucrou dez minas; ao qual disse: Bem, bom servo, porque em uma mínima [coisa] foste fiel, sê [com poder] sobre dez cidades. Disse o segundo: Senhor, a tua mina fez cinco minas, ao qual também disse: Tu também, sê sobre cinco cidades; o terceiro pusera a mina em um pano, mas disse o senhor: tire-lhe a mina, e daí ao que tem dez minas” (Lucas, 19:12 e seguintes).
Aqui, igualmente, ‘dez’ e ‘cinco’ significam as relíquias, ‘dez’, em grande quantidade, e ‘cinco’, em menor quantidade; aquele que pôs a mina em um pano são os que adquirem para si os veros da fé e não os conjungem aos bens da caridade, e que, assim, não tiram deles nenhum proveito ou fruto. O mesmo acontece em outros lugares onde esses números são mencionados pelo Senhor, como quando se trata daquele que teria sido chamado à ceia, que disse: “comprei cinco juntas de bois, e vou prová-las” (Lc. 14:19); do rico, quando ele disse a Abrahão:
“Tenho cinco irmãos, envie [Lázaro] que os avise, para que não venham a este lugar de tormento” (Lc. 16:28);
das ‘dez’ virgens, das quais ‘cinco’ eram prudentes e ‘cinco’ tolas (Mt. 25:1 ao 13); igualmente nestas palavras do Senhor:
“Pensais que vim dar a paz a terra? Não, digo-vos, mas divisão; serão, pois, desde agora cincodivididos em uma só casa, três contra dois, e dois contra três” (Lc. 12:51, 52);
e também nestes históricos mesmos, onde se diz que “o Senhor alimentou ‘cinco mil homens, com cinco pães e dois peixes’; aos quais então mandou que se assentassem por ‘centenas e cinquentenas’; e depois que comeram, que se tenha juntado restos em ‘doze’ cestos” (Mt. 14:15 ao 21; Mc. 6:38 e seg.; Lc. 9:12 ao 17; João, 6:5 a 13).
[7] Nessas passagens, porque são históricas, dificilmente se pode crer que os números tinham uma significação, assim, que o número ‘cinco mil’, que foi o dos homens, depois o número ‘cinco’, que foi o dos pães, o número ‘dois’, que foi o dos peixes, assim como os números ‘cem’ e ‘cinquenta’, que foram os das pessoas assentadas, e, enfim, o número ‘doze’, que foi o dos cestos onde foram postos os pedaços; quando, entretanto, em cada um desses números há um arcano, pois é pela Providência que tudo isso sucedeu, a fim de que os Divinos fossem representados.
[8] Nas passagens seguintes, ‘cinco’ significa também, no mundo espiritual, coisas que correspondem a esse número em um e outro sentido, o genuíno e o oposto. Em Isaías:
“Serão deixados nele respigos como quando se sacode a oliveira; duas, três bagas na cabeça do ramo, quatro, cinco nos ramos frutíferos” (17:6, 7).
No mesmo:
“Nesse dia haverá cinco cidades na terra do Egito falando com os lábios de Canaã e jurando a JEHOVAH Zebaoth” (Is. 19:18).
No mesmo:
“Um milhar diante da repreensão de um só, diante da repreensão de cinco fugireis, até que sejais deixados como o mastro na cabeça da montanha, e como a insígnia sobre a colina” (30:17).
Em João:
“O quinto anjo tocou a trombeta, então vi uma estrela cair do céu na terra, a qual foi dada a chave do poço do abismo; aos gafanhotos, que daí saíam, foi dito que não matassem os homens, os que não tivessem o selo de Deus sobre as frontes, mas que fossem atormentados cinco meses” (Ap. 9:1, 5, 10).
No mesmo:
“Aqui [está] a inteligência, se alguém tiver sabedoria: as sete cabeças são sete montes, onde a mulher está assentada sobre eles, e são sete reis, cinco caíram, e um é, o outro ainda não veio, e quando vier, pouco tempo lhe cumpre ficar” (Ap. 17:9, 10).
[9] Houve semelhantemente um representativo no número cinco nestas passagens, a saber, que a estimação do varão e da mulher fosse segundo os anos, “desde um mês até cinco anos, e desde cinco anos até vinte” (Lv. 27:1 ao 9); depois, “se fosse resgatado um campo, que se acrescentaria o quinto” (Lv. 27:19); se fossem resgatados os dízimos, “que também se acrescentaria o quinto” (Lv. 27:31); que os primogênitos supérfluos “deviam ser resgatados por cinco ciclos” (Nm. 3:46 ao 51); que o primogênito da besta impura devia ser resgatado “acrescentando o quinto” (Lv. 27:27); que em certas prevaricações por multa “se acrescentaria o quinto” (Lv. 22:14; 27:13, 15; Nm. 5:6, 7, 8); “e que aquele que tivesse furtado um boi ou uma peça de gado miúdo, e o tivesse matado ou vendido, restituiria cinco bois pelo boi, e quatro [peças] de gado miúdo pela [peça] do gado miúdo” (Êx. 21:37).
[10] Que o número cinco contenha em si um arcano celeste, e o mesmo que dez, vê-se claramente pelos querubins, de que se fala no Primeiro Livro dos Reis:
“Salomão fez, no oráculo, dois querubins de madeira de oliveira, de dez côvados a altura de cada um; cinco côvados a asa de um querubim, e cinco côvados a asa do outro querubim; dez côvados desde as extremidades das asas desse até as extremidades das asas daquele; assim, dez côvados o querubim, uma só medida e uma só proporção em ambos os querubins” (6:23–25);
e é também evidente pelas pias ao redor do templo, depois, pelos castiçais, de que se fala no mesmo livro:
“que foram postas bases de pias, cinco perto do ombro da casa à direita, e cinco perto do ombro da casa à esquerda. ... Depois, que foram postos castiçais, cinco à direita e cinco à esquerda diante do oráculo” (1Rs. 7:39, 49).
“Que o mar de bronze tenha sido de dez côvados530 de uma borda até [outra] borda, ... e de cinco côvados de altura, e de trinta côvados de circunferência” (cap. 7:23);
era a fim de que as coisas santas fossem significadas, não só pelos números ‘dez’ e ‘cinco’, como também por ‘trinta’, número da circunferência, o qual, na realidade, não corresponde geometricamente ao diâmetro, mas envolve, entretanto, espiritualmente o que é significado pelo contorno desse vaso.
[11] Que todos os números signifiquem coisas reais no mundo espiritual, é manifestamente claro pelos números em Ezequiel, onde se trata da ‘nova terra’, da ‘nova cidade’, e do ‘novo templo’, os quais o anjo mediu quanto a cada parte (ver ali os capítulos 40–43, 45–49). A descrição de quase todas as coisas santas é ali manifestada por números, razão por que quem não sabe o que esses números envolvem dificilmente poderá saber alguma coisa dos arcanos que ali estão; ali ocorrem os números ‘dez’ e ‘cinco’ (cap. 40:7, 11, 48; 41:2, 9, 11, 12; 42:4; 45;11, 14), além dos números multiplicados, a saber, vinte e cinco, cinquenta, quinhentos, cinco mil. Que a ‘nova terra’, a ‘nova cidade’ e o ‘novo templo’ ali signifiquem o Reino do Senhor nos céus e, daí, a igreja do Senhor nas terras, vê-se por cada uma das coisas ali.
[12] Essas explicações a respeito do número cinco foram reunidas, por essa causa, porque aqui e nos versículos seguintes se trata da terra do Egito, que ali deve ser reunida, durante os sete anos de abundância, a quinta parte dos mantimentos, e devem ser conservados para o uso dos anos seguintes de fome. Por isso se mostrou que a ‘quinta parte’ significa os bens e os veros escondidos no homem pelo Senhor e reservados para o uso quando houver fome, isto é, quando houver falta e privação do bem e do vero; de fato, a não ser que tais coisas fossem escondidas pelo Senhor no homem, não haveria, no estado de tentação e de vastação, coisa alguma que o elevasse; consequentemente, nada pelo que ele pudesse ser regenerado; assim, o homem ficaria sem meio de salvação na outra vida.

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