Texto
. ‘Acharemos [alguém] como este varão, no qual [está] o espírito de Deus?’; que signifique a respeito do influxo do vero no qual está o bem pelo interior, assim, o celeste do espiritual, vê-se pela significação do ‘varão’, que é o vero (n. 3134, 3309, 3459); e pela significação do ‘espírito de Deus’, que é o bem pelo interior, assim, pelo Divino. Com efeito, o ‘espírito de Deus’ é o que procede do Divino, assim, do Bem mesmo, pois o Divino é o Bem mesmo; o que dele procede é o vero no qual está o bem, e é este que, na Palavra, é significado pelo ‘espírito de Deus’, porquanto o espírito mesmo não procede, mas sim o vero mesmo no qual está o bem, ou seja, o santo vero; o espírito é o instrumental pelo qual esse vero é produzido. Esse vero no qual está o bem é este celeste do espiritual, que é representado por José.
[2] Na igreja, sabe-se que José, no sentido espiritual, é o Senhor, razão por que também se chama ao Senhor ‘o celeste José’; mas não se sabe o que do Senhor José representa. Com efeito, o Senhor é representado por Abrahão, e também por Isaque, assim como por Jacó; Ele é ainda representado por Moisés e Elias, e por Aharão, e também por Davi, além disso, por muitos outros na Palavra. Contudo, por um de um modo diferente do que por outro. O Senhor é representado por Abrahão quanto ao Divino mesmo, por Isaque quanto ao Divino Racional, por Jacó quanto ao Divino Natural, por Moisés quanto a Lei ou a Palavra histórica, por Elias quanto a Palavra profética, por Aharão quanto ao Sacerdócio, e por Davi quanto à Realeza. (A respeito do que é representado por ‘José’, ver os n. 3969, 4286, 4585, 4592, 4594, 4669, 4723, 4727, 4963, 5249). Isso que José representa é chamado o celeste do espiritual proveniente do natural, não se pode atribuir a isso uma outra expressão, visto que o celeste é o bem proveniente do Divino, e o espiritual é o vero proveniente desse bem, assim é o vero que pertence ao bem proveniente do Divino Humano d’Ele; Este foi o Senhor quando vivia no mundo; mas quando Ele Se glorificou, então transcendeu acima disso, e tornou-Se o Divino Bem mesmo, ou JEHOVAH, também quanto ao Humano.
[3] Não é possível dizer particularmente sobre esse arcano várias coisas; por isso se acrescentará somente que José veio ao Egito, que primeiro serviu na casa de Potifar, chefe dos guardas, e em seguida foi detido em uma prisão, e que depois foi feito dominador sobre o Egito, para que representasse o modo como o Senhor, em Si mesmo, progressivamente fez Divino o Humano, a fim de que assim a Palavra fosse escrita e contivesse os Divinos no sentido interno, sentido este que serviria principalmente aos anjos, cuja sabedoria, que é incompreensível e inefável relativamente à sabedoria humana, consiste nesses Divinos; e para que servisse ao mesmo tempo aos homens que amam acima de todas coisas os acontecimentos históricos, e revolvem então em sua mente esses acontecimentos nos quais os anjos, por meio do influxo procedente do Senhor, percebem as coisas Divinas.