. ‘Somente no trono serei grande acima de ti’; que signifique que parecerá, ainda assim, como se viesse do natural, porquanto procede do celeste do espiritual por meio do natural, vê-se pela significação de ‘ser grande acima de um outro’, que é ser maior, aqui, quanto a aparência [ou aspecto]; e pela significação do ‘sólio’533, ou do ‘trono’, que aqui é o natural. Com efeito, o natural se entende pelo sólio quando o celeste do espiritual é entendido por aquele que está sentado sobre ele, visto que o natural é equivalente a um sólio para o espiritual, aqui, para o celeste do espiritual. Em geral, o que é inferior é equivalente a um sólio para o superior, já que o superior ali está e atua, e de fato por meio do inferior; e o que é feito se mostra como procedendo do inferior, porque, como foi dito, é feito por meio dele; é isto que se entende pelo fato de o faraó ter dito a José: “Somente no trono serei maior do que tu”. [2] Na Palavra, o trono é muitas vezes mencionado onde se trata do Divino Vero e do Juízo proveniente desse Vero; e ali pelo tronoé significado, no sentido interno, o que pertence à Divina Realeza, e por Aquele que está assentado em cima, o Senhor mesmo como Rei ou como Juiz; mas a significação do ‘trono’, como a de muitas outras coisas, tem-se relativamente: quando o Divino mesmo e o Divino Humano do Senhor se entendem por aquele que se assenta sobre o trono, então o Divino Vero que procede d’Ele é entendido pelo ‘trono’; mas quando o Divino Vero que procede do Senhor é entendido pelo que se assenta sobre o trono, então o céu inteiro, que o Divino Vero enche, se entende pelo ‘trono’. Quando o Senhor, quanto ao Divino Vero nos céus superiores, se entende por Aquele que se assenta sobre o trono, então o Divino Vero que está no céu ínfimo e também o Divino Vero que está na igreja se entendem pelo trono; assim, as significações do trono se tem relativamente. Que pelo ‘trono’ seja significado aquilo que pertence ao Divino Vero, é porque pelo ‘rei’, na Palavra, é significado o vero, e também pelo ‘reino’. (Que pelo ‘rei’, ver os n. 1672, 1728, 2015, 2069, 3009, 3670, 4581, 4966, 5044, 5068; e que pelo ‘reino’, n. 1672, 2547, 4691.) [3] O que se entende especificamente pelo ‘sólio’ ou ‘trono’, na Palavra, é evidente ali pela série, como em Mateus: “Eu vos digo: Não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus, nem pela terra, porque [é] o escabelo dos Seus pés; nem por Jerusalém, porque [é] a cidade do grande Rei” (5:34, 35); e em outra passagem, no mesmo: “Quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus, e por Aquele mesmo Que se assenta sobre ele” (23:22); aí se diz abertamente que o ‘céu’ é o trono de Deus; pela ‘terra’, que é denominada ‘escabelo dos pés’, é significado o que está abaixo do céu, assim, a igreja. (Que a ‘terra’ seja a igreja, foi visto, n. 566, 662, 1066, 1067, 1262, 1413, 1617, 1733, 1850, 2117, 2118, 2928, 3353, 4535, 4447.) Do mesmo modo em Isaías: “Assim disse JEHOVAH: Os céus [são] o Meu trono, e a terra, o escabelo dos Meus pés” (66:1); e em Davi: “JEHOVAH, nos céus firmou o Seu trono” (Sl. 103:19). Em Mateus: “Quando vier o Filho do homem na Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará sobre o trono da Sua glória” (25:31); ali se trata do Juízo Final, e Quem se assenta sobre o trono é ali chamado ‘Rei’ (vers. 34, 40); o ‘trono da glória’, no sentido interno, é ali o Divino Vero que provém do Divino Bem no céu; ‘Quem se assenta no trono’ é o Senhor, Que, enquanto Juiz, por causa do Divino Vero, é ali chamado ‘Rei’. [4] Em Lucas: “Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, pai d’Ele” (1:32); são essas as palavras do Anjo a Maria. Que ali o ‘trono de Davi’ seja, não o reino que Davi possuiu ou um reino na terra, mas sim o Reino no céu, é o que qualquer um vê, razão pela qual por ‘Davi’ não é significado Davi, mas a Realeza Divina do Senhor, e pelo ‘trono’ é significado o Divino Vero que procede, e que faz o Reino do Senhor. Em João: “E fui [arrebatado] em espírito, quando, eis um trono posto no céu, e sobre o trono [alguém] assentado, e quem estava assentado era semelhante pelo aspecto à pedra de jaspe e de sardônica; e o arco-íris ao redor do trono [era] semelhante, pelo aspecto, a uma esmeralda; ao redor do trono [estavam] vinte e quatro tronos, e sobre os tronos vi vinte e quatro anciãos assentados; ...e do trono saíam relâmpagos e trovões e vozes, e sete lâmpadas de fogo ardentes diante do trono, as quais são os sete espíritos de Deus. Além disso, na frente do trono um mar de vidro semelhante ao cristal; por fim, no meiodo trono, e ao redor dos tronos quatro animais cheios de olhos por diante e por detrás. ... E quando os animais davam glória, e honra e ação de graças ao que estava assentado sobre o trono e que vive nos séculos dos séculos, caíram os vinte e quatro anciãos diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam ao que vive nos séculos dos séculos, e lançavam as suas coroas diante do trono” (Ap. 4:2 até o fim); [5] Ali se descreve o trono de glória do Senhor, e por esse trono o Divino Vero que procede d’Ele; mas essa descrição é feita por meio de coisas representativas, e quem ignora o que elas significam, dificilmente poderá saber a mínima coisa do que há nessas palavras proféticas, mas crerá que não há nelas um Divino mais elevado. Aquele que não sabe outra coisa não pode deixar de ter, do Reino celeste, a mesma ideia que tem de um reino mundano, quando, todavia, pelo trono posto no céu é significado o Divino Vero ali, assim, o céu quanto ao Divino Vero; por ‘Aquele que está assentado sobre o trono’ se entende o Senhor; que ‘Ele apareceu com aspecto semelhante a uma pedra de jaspe e de sardônica’, é porque por essas pedras, do mesmo modo que por todas as pedras preciosas, na Palavra, é significado o Divino Vero (n. 114, 3858, 3862), e pelas pedras em geral, os veros da fé (n. 643, 1298, 3720, 3769, 3771, 3773, 3789, 3798). [6] Pelo ‘arco-íris ao redor do trono’ são significados os veros que transparecem pelo bem, e isso porque as cores, na outra vida, provêm da luz do céu, e que a luz do céu é o Divino Vero. (Sobre os arco-íris na outra vida, n. 1042, 1043, 1053, 1623, 1624, 1625; e sobre as cores, n. 1053, 1624, 3993, 4530, 4922, 4677, 4741, 4742.) Pelos ‘vinte e quatro tronos ao redor do trono’ são significadas todas as coisas do vero em um só complexo, semelhantemente as que são significadas por ‘doze’. (Que ‘doze’ sejam todas as coisas do vero em um só complexo, foi visto, n. 577, 2089, 2129, 2130, 3272, 3858, 3913.) Os ‘relâmpagos’, os ‘trovões’ e as ‘vozes’, que saíam do trono, significam os terrores inspirados por causa do Divino Vero aos que não estão no bem; as ‘sete lâmpadas ardentes de fogo’ são as afeições do vero provenientes do bem, estas causam também danos aos que não estão no bem; é por isso que são chamados os sete espíritos de Deus, os quais, como é evidente pelas coisas que seguem, causaram danos. [7] O ‘mar de vidro diante do trono’ é todo vero no natural, assim, são as cognições e os conhecimentos; que seja isso o que significa o mar, foi visto (n. 28, 2850); os ‘quatro animais no meio do trono e ao redor do trono, cheios de olhos por diante e por detrás’ são os intelectuais procedentes do Divino nos céus; ‘quatro’ significa a conjunção deles com os voluntários, visto que os veros pertencem à parte intelectual e os bens à parte voluntária do homem; daí se diz que eles ‘estavam cheios de olhos por diante e por detrás’, porque os ‘olhos’significam as coisas intelectuais e, por isso, no sentido superior, as coisas pertencentes à fé (n. 2701, 3820, 4403 ao 4421, 4523 ao 4534). Que ‘quatro’ seja a conjunção do mesmo modo que ‘dois’, n. 1686, 3519, 5194. A santidade do Divino Vero procedente do Senhor será descrita nas explicações que seguem. [8] Como pelos ‘vinte e quatro tronos’ e os ‘vinte e quatro anciãos’ são significadas todas as coisas do vero ou todas as coisas da féem um só complexo, e por ‘doze’ as mesmas coisas, como acabou de ser dito, daí é evidente o que se entende, no sentindo interno, pelos ‘doze tronos sobre os quais se assentarão os doze Apóstolos’, a saber, todas as coisas do vero pelas quais e segundo as quais se faz o juízo; a este respeito se fala assim em Mateus: “Jesus disse aos discípulos: Amém vos digo, que vós que Me tendes seguido, na regeneração, quando o Filho do homem se assentar sobre o trono da Sua glória, vós também [vos] assentareis sobre doze tronos, julgando as doze tribos de Israel” (19:28); e em Lucas: “Eu disponho para vós, como dispôs para Mim o Pai, um Reino, para que comais e bebais sobre Minha mesa no Meu Reino, e [vos] assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel” (22:29, 30); que os ‘doze Apóstolos’ sejam todas as coisas do vero, foi visto (n. 2129, 2553, 3354, 3488, 3858); que o mesmo sucede com os ‘doze filhos de Jacó’ e, portanto, com as ‘doze tribos de Israel’, n. 3858, 3921, 3926, 3939, 4060, 4603; e que os Apóstolos não possam julgar ninguém, n. 2129, 2553. [9] Igualmente em João: “Vi tronos, e se assentaram sobre eles e se lhes deu o juízo” (Ap. 20:4); aí também pelos ‘tronos’ são significadas todas as coisas do vero, a partir das quais e segundo as quais se faz o juízo; é também o que se entende pelos anjos com os quais o Senhor deve vir para o juízo (Mt. 25:31). Que pelos anjos, na Palavra, seja significada alguma coisa do Senhor, foi visto (n. 1705, 1925, 2321, 2821, 3039, 4085), ali, os veros que procedem do Divino; esses veros são também chamados ‘juízos’, na Palavra (n. 2235). [10] Em outro lugar, e mesmo em muitas passagens, se atribui a JEHOVAH, ou ao Senhor, um Trono, e isso porque nos tronos está o representativo do Reino. Quando no céu superior há um discurso a respeito do Divino Vero e do Juízo, aparece um trono no último céu; daí vem que o trono, como foi dito, é um representativo, e que, por isso, o trono é tantas vezes nomeado na Palavra profética, e também que, desde os tempos antiquíssimos, o trono se tornou uma insígnia régia, e que como insígnia ele significa a realeza, como também nas passagens seguintes, em Moisés: “Moisés edificou um altar, e chamou o nome dele JEHOVAH Nissi; além disso, disse: Como a mão [foi levantada] contra o Trono de Jah; guerra haverá de JEHOVAH contra Amalek, de geração em geração” (Êx. 17:15, 16); o que é a ‘mão contra o trono de Jah’ e o que é a ‘guerra de JEHOVAH contra Amalek de geração em geração’, ninguém pode saber, a não ser pelo sentido interno, assim, exceto se souber o que é o ‘trono’ e o que é ‘Amalek’. Por ‘Amalek’, na Palavra, são significados os falsos que atacam os veros (n. 1679), e pelo ‘trono’, o Divino Vero mesmo, que é atacado. [11] Em Davi: “JEHOVAH, fizeste o meu juízo e a minha causa; assentaste sobre um trono, juiz de justiça; JEHOVAH pela eternidade permanecerá, preparou para o juízo o seu trono” (Sl. 9:5, 8). No mesmo: “O Teu trono, ó Deus, [é] pelo século e pela eternidade, cetro de retidão [é] o cetro do Teu reino” (Sl. 45:7); No mesmo: “A nuvem e a escuridão [estão] ao redor d’Ele, a justiça e o juízo [são] o fundamento do Seu trono” (Sl. 97:2). Em Jeremias: “Nesse tempo, chamarão Jerusalém o trono de JEHOVAH, e serão reunidas para ela todas as nações” (3:17); ‘Jerusalém’ está pelo Reino espiritual do Senhor. [12] Esse Reino é ainda entendido pela ‘Nova Jerusalém’ em Ezequiel, e também pela ‘santa Jerusalém descendo do céu’, no Apocalipse. O Reino espiritual do Senhor está ali onde o Divino Vero, no qual está o bem, é o principal; mas o Reino celeste está ali onde o Divino Bem, do qual procede o Divino Vero, é o principal. Daí é evidente por que razão Jerusalém é chamada o trono de JEHOVAH; e em Davi: “Em Jerusalém estão assentados os tronos para o juízo” (Sl. 122:5); mas ‘Sião’ é denominada o Trono da glória de JEHOVAH em Jeremias: “Será que reprovando reprovaste Judá? Será que a tua alma repugna Sião? Não [nos] afaste com desprezo por causa do teu Nome, nem deturpes o trono da Tua glória” (14:19, 21); por ‘Sião’ se entende o Reino celeste do Senhor. [13] O modo como o Senhor é representado quanto ao juízo no céu, onde se apresentam visíveis aos olhos as coisas que são lembradas aqui e ali nos Profetas, é evidente em Daniel: “Vendo estive até que tronos foram lançados, e o Antigo dos dias se assentou; a vestimenta d’Ele [era] como a neve branca, e a cabelos da cabeça d’Ele como a lã limpa, o trono d’Ele [como] chama de fogo, as suas rodas um fogo ardente; um rio de fogo emanava e saia de diante d’Ele; e miríades de miríades estavam diante d’Ele, estabeleceu-seo juízo, e livros foram abertos” (7:9, 10); tais coisas vistas são perpétuas no céu; todas são coisas representativas, elas aparecem por causa do discurso dos anjos nos céus superiores, discurso esse que, ao cair [no último céu, ali] se apresenta como tais coisas à vista. Os espíritos angélicos, aos quais o Senhor dá a percepção, sabem o que eles significam, por exemplo, o que significa o ‘Antigo dos dias’, o que significa a ‘vestimenta que é branca como a neve’, o ‘cabelo da cabeça como a lã limpa’, o ‘trono como chamas de fogo’, as ‘rodas que são como um fogo ardente’, o ‘rio de fogo correndo do Antigo dos dias’, as ‘chamas de fogo’ e o ‘rio de fogo’ ali representam o Bem do Divino Amor (n. 934, 4906, 5071, 5215). [14] O mesmo acontece com esta passagem em Ezequiel: “Acima da expansão que [estava] sobre a cabeça dos Querubins, [havia] como o aspecto de uma pedra de safira, uma semelhança de trono, e sobre a semelhança de trono, uma semelhança como a aparência de um homem sobre ele acima” (1:26; 10:1); Igualmente as coisas ditas no Primeiro Livro dos Reis: “Vi ? disse Micaíah, o profeta ? JEHOVAH assentado sobre o Seu trono, e todo o exército dos céus estava junto d’Ele, à direita d’Ele e à esquerda d’Ele” (22:19); quem não sabe o que cada uma dessas coisas representa e, portanto, significa, não pode crer outra coisa, senão que o Senhor tem um trono como os reis na terra, e que essas coisas são tais quais elas ali são lembradas, mas elas não são tais nos céus; de fato, assim se apresentam diante da vista dos que estão no último céu, e é por elas como por imagens que eles veem os arcanos Divinos. [15] A Realeza do Senhor, pela qual é significado o Divino Vero que procede d’Ele, também foi representada pelo trono que construiu Salomão, do qual assim se fala no Primeiro Livro dos Reis: “Salomão fez um trono de marfim grande, e o cobriu de ouro refinado; seis degraus até o trono, e uma cabeça arredondada no trono por detrás dele; mãos de um e outro lado perto do assento, e dois leões que estavam perto das mãos, e doze leões estavam ali acima dos seis degraus de cada lado” (10:18, 19, 20, 21); é o trono da glória que foi assim representado; os ‘leões’ são os Divinos Veros que combatem e são vitoriosos; os ‘doze leões’ são todos esses veros em um só complexo. [16] Como quase todas as expressões na Palavra também têm um sentido oposto, o mesmo acontece com o ‘sólio’, ou ‘trono’, e nesse sentido ele significa o reino do falso, como em João: “Ao Anjo da Igreja que [está] em Pérgamo: Conheço as tuas obras, e onde habitas, onde está o trono de Satanás” (Ap. 2:13). No mesmo: “O dragão deu à besta que subira do mar a sua virtude, e o seu trono, e um poder grande” (Ap. 13:2). No mesmo: “O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, tornou-se o reino dela tenebroso” (Ap. 16:10). Em Isaías: “Tu disseste no teu coração: Aos céus subirei, acima das estrelas de Deus elevarei o meu trono” (14:13); aí se trata de Babel.