. ‘E vestiu-o com vestimentas de linho fino’; que signifique o significativo externo do celeste do espiritual, e que as ‘vestimentas de linho fino’ sejam os veros provenientes do Divino, é o que se pode ver pela significação das ‘vestimentas’, que são os veros (n. 1073, 2576, 4545, 4763, 5248); que as ‘vestimentas de linho fino’ sejam o veros provenientes do Divino, é porque a vestimenta de linho fino era muito branca e, ao mesmo tempo, resplandecente, e o vero proveniente do Divino é representado por vestimentas de tal brancura e de tal esplendor; a causa é, porque a brancura e o esplendor do céu provêm da Luz procedente do Senhor, e a Luz que procede do Senhor é Divino Vero mesmo (n. 1053, 1521 a 1533, 1619 a 1632, 2776, 3195, 3222, 3339, 3485, 3636, 3862, 4415, 4419, 4526, 5219); é por isso que quando o Senhor Se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João, “as suas vestimentas apareceram como luz” (Mt. 27:2); “resplandecentes, muito brancas, como neve, tais como um lavadeiro sobre a terra não pode branquear” (Mc. 9:3); “e de uma brancura fulgurante” (Lc. 9:29). Foi o Divino vero mesmo, que procede do Divino Humano do Senhor, que foi assim representado; contudo, são os veros exteriores que são representados nos céus pela brancura das vestimentas; mas os veros interiores o são pela brancura e o esplendor da face. Daí vem que ‘ser revestido de vestimentas de linho fino’ é, aqui, o significativo externo, a saber, do vero procedente do celeste do espiritual, porquanto foi nele que estava então o Divino do Senhor. [2] Pelo ‘linho fino’ e pelas ‘vestimentas de linho fino’ também é significado, em outras passagens na Palavra, o vero que provém do Divino, como em Ezequiel: “Vesti-te de bordado, e calcei-te de texugo, e cingi-te de linho fino e cobri-te de seda. Assim, foste ornada de ouro e prata, e as tuas vestimentas [eram] de linho fino, de seda e bordado” (16:10, 13); aí se trata de Jerusalém, pela qual se entende, nesses versículos, a Igreja Antiga; os veros dessa igreja são descritos como ‘vestidos de bordado, de linho fino e de seda’, e pelo ‘ornato de ouro e prata’; pelo ‘bordado’ são significados os veros do conhecimento; pelo ‘linho fino’, os veros naturais; e pela ‘seda’, os veros espirituais. [3] No mesmo: “O linho fino em bordado do Egito foi a tua expansão, para que fosse a ti por estandarte, jacinto e púrpura das ilhas de Elisha foi a tua cobertura” (Ez. 27:7); aí se trata de Tiro, pela qual se entende também a Igreja Antiga, mas quanto às cognições do bem e do vero; e pelo ‘linho fino bordado do Egito’, que era a sua expansão, é significado o vero proveniente dos conhecimentos, como ‘estandarte’ ou o significativo externo dessa igreja. [4] Em João: “Os mercadores da terra chorarão e prantearão sobre Babilônia, porque as suas mercadorias ninguém compra mais; mercadorias de ouro e prata, e de pedras preciosas, e de pérolas e de linho fino, e de púrpura e de seda, e todo vaso de marfim, e todo vaso de madeira preciosíssima, e de bronze, e de ferro e de mármore” (Ap. 18:11, 12); aí todas e cada uma das coisas significam tais coisas pertencentes à igreja, assim, as pertencentes ao vero e ao bem, mas aqui no sentido oposto, porque eles se dizem da Babilônia. Qualquer um pode ver que tais objetos não teriam jamais sido enumerados na Palavra, que desce do céu, se não houvesse alguma coisa de celeste em cada objeto. O que seria uma enumeração de mercadorias mundanas onde se trata de Babilônia, pela qual é significada a igreja profana? [5] Igualmente no mesmo: “Ai, ai da grande cidade! que [estava] vestida de linho fino e de púrpura e de escarlate, e adornada de ouro, e de pedras preciosas e de pérolas!” (Ap. 18:16). Que cada uma das coisas signifique algum celeste Divino, é bastante evidente no mesmo [livro], onde se diz o que é o ‘linho fino’, a saber, que são as ‘justiças dos santos’: “Veio o tempo das núpcias do Cordeiro, e a esposa d’Ele preparou-se; então se lhe deu que se vestisse de linho fino limpo e brilhante; o linho fino são as justiças dos santos” (19:8); que o ‘linho fino’ sejam as justiças dos santos, é porque todos aqueles que estão no vero proveniente do Divino revestem a Justiça do Senhor; com efeito, as suas vestimentas são brancas e resplandecentes pela luz que procede do Senhor; por isso, o vero mesmo no céu é representado pela brancura (n. 3301, 3993, 4007); daí vem, também, que aqueles que, do estado de vastação, são elevados ao céu, aparecem vestidos de branco, porque então eles deixam o que pertence à justiça própria e revestem o que pertence à justiça do Senhor. [6] Para que o vero procedente do Divino fosse representado na Igreja Judaica, ordenou-se que houvesse também linho fino nas vestimentas de Aharão, bem como nas tapeçarias que estavam ao redor da Arca, das quais se trata assim em Moisés: “Para Aharão tecerás a túnica de linho fino, e farás uma mitra de linho fino” (Êx. 28:39); “Fizeram túnicas de linho fino, obra de tecelão, para Aharão e seus filhos” (Êx. 39:27); “Farás um habitáculo de dez cortinas, de linho fino torcido, e de jacinto, e de púrpura, e de escarlate duas vezes tingido” (Êx. 26:1; 36:8); “Farás o átrio do habitáculo, os tapetes serão para o átrio de linho fino torcido” (Êx. 27:9, 18; 38:9); “A cobertura [velum] da porta do átrio, obra de bordador, de azul, e de púrpura e escarlate duas vezes tingido, e de linho fino torcido” (Êx. 38:18). o ‘linho fino’ é o linho, que foi ordenado por isso, porque cada uma das coisas que estavam na Arca, e ao redor da Arca, depois, cada uma das coisas que estavam sobre as vestimentas de Aharão, eram representativas das coisas espirituais e celestes. Daí se pode ver quanto a Palavra é pouco entendida se não se souber o que tais coisas representam; e que dificilmente se entende alguma coisa disso se se crê que o que é santo não é outra coisa na Palavra senão o que se mostra na letra. [7] Que os anjos, que estão no vero proveniente do Divino, apareçam vestidos como com linho fino, isto é, na brancura resplandecente, é evidente em João, onde se trata do ‘cavalo branco’: “O que estava assentado sobre o cavalo branco, ... estava vestido com uma vestimenta tinta de sangue, e chama-se o nome dele a Palavra. ... Os seus exércitos no céu O seguiam sobre cavalos brancos, vestidos de linho fino branco e limpo” (Ap. 19:13, 14); a partir dessas passagens se evidencia manifestamente que o ‘linho fino’ é o significativo externo do vero procedente do Divino, pois ‘aquele que estava assentado sobre o cavalo branco’ é o Senhor quanto à Palavra; que Ele seja a Palavra, ali se diz abertamente; a ‘Palavra’ é o Vero mesmo procedente do Divino; que o ‘cavalo branco’ seja o sentido interno da Palavra, foi visto (n. 2760, 2761, 2762); daí, os ‘cavalos brancos’ são os veros oriundos do Divino, pois todas as coisas do sentido interno da Palavra são os veros provenientes do Divino; é por isso que ‘os exércitos do Senhor foram vistos sobre cavalos brancos e vestidos de linho fino branco e limpo’.