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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E o fez ser levado no segundo carro’; que signifique o significativo que dele procede toda doutrina do bem e do vero, vê-se pela significação do ‘carro’, que é a doutrina do bem e do vero, de que se tratará no que segue, daí ‘fazê-lo ser levado em um carro’ é o significativo de que essa doutrina procede dele. Essas palavras se referem às coisas que foram precedentemente ditas pelo faraó:
“Tu estarás sobre a minha casa, e sobre a tua boca beijará todo o meu povo, somente no trono serei maior do que tu” (vers. 40).
Que é significado que d’Ele procede a doutrina do bem e do vero, é porque por ‘José’ é representado o Senhor quanto ao Divino Espiritual (n. 3971, 4669), assim, quanto ao Divino Vero proveniente do Divino Humano do Senhor (n. 4723, 4727), do qual Divino Vero procede o celeste do espiritual. Que o todo da doutrina do bem e do vero venha daí, é porque o Senhor é a doutrina mesma, pois o todo da doutrina procede d’Ele e o todo da doutrina trata d’Ele. Com efeito, o todo da doutrina trata do bem do amor e do vero da fé; esse bem e esse vero procedem do Senhor, razão por que o Senhor está não somente nesse, mas também em ambos, mas Ele é até um e outro. Daí se vê que a doutrina que trata do bem e do vero trata do Senhor só, e que ela procede de Seu Divino Humano.
[2] Coisa alguma da doutrina pode jamais proceder do Divino mesmo a não ser por meio do Divino Humano, isto é, pela Palavra que, no sentido supremo, é o Divino Vero procedente do Divino Humano do Senhor. O que procede do Divino mesmo imediatamente, isto não pode ser compreendido sequer pelos anjos no céu íntimo, a causa é, porque ele é infinito e, portanto, ultrapassa toda compreensão até mesmo angélica; mas o que procede do Divino Humano do Senhor, isto pode ser compreendido, pois trata de Deus como a respeito do Divino Homem, de quem se pode formar uma ideia proveniente do Humano, e a ideia que se forma do Humano é aceita, seja ela qual for, contanto que ela flua do bem da inocência, e que ela esteja no bem da caridade; é isso que se entende pelas palavras do Senhor em João:
“A Deus ninguém jamais viu, o Filho Unigênito, Que está no seio do Pai, Ele [o] expôs” (1:18).
No mesmo:
“Nem a voz do Pai ouvistes jamais, nem a aparência d’Ele vistes” (João, 5:37);
e em Mateus:
“O Pai ninguém conhece, exceto o Filho e a quem o Filho quiser revelar” (11:27).
[3] Os ‘carros’ são lembrados, na Palavra, em um grande número de passagens, e dificilmente alguém sabe que por eles ali são significados as doutrinas do bem e do vero, bem como os conhecimentos que pertencem aos doutrinais; a causa é, porque nada de espiritual entra na ideia, mas somente o históriconatural, quandoo ‘carro’ é mencionado, como também quando são mencionados os cavalos que estão adiante do carro, quando, todavia, pelos ‘cavalos’, na Palavra, são significadas as coisas intelectuais (n. 2760, 2761, 2762, 3217) e, daí, pelo ‘carro’ os doutrinais e os conhecimentos que pertencem aos doutrinais.
[4] Que os ‘carros’ sejam as coisas doutrinais da igreja e também os conhecimentos, é o que pude constatar pelos carros que por tantas vezes vi na outra vida. Há também um lugar à direita, perto da terra inferior, onde aparecem carros e cavalos com estábulos dispostos em ordem; ali caminham e confabulam aqueles que foram eruditos no mundo, e que tiveram como propósito de erudição a vida. Tais coisas lhes aparecem vindas dos anjos nos céus superiores, dos quais quando o discurso é a respeito das coisas intelectuais, e das coisas doutrinais e dos conhecimentos, então aos espíritos ali aparecem tais objetos.
[5] Que os carros e os cavalos signifiquem tais coisas, é bastante evidente a partir disso, que Elias apareceu elevado ao céu por um carro de fogo e cavalos de fogo, e nisso, que ele, assim como Eliseu, foi chamado ‘Carro de Israel e seus cavaleiros’; a respeito dos quais está assim no Segundo Livro dos Reis:
“Eis, um carro de fogo e cavalos de fogo intervieram entre eles, e subiu Elias no turbilhão para o céu, e Eliseu via e clamava: Meu Pai, meu pai! Carro de Israel e os seus cavaleiros” (2:11, 12);
e a respeito de Eliseu no mesmo livro:
“E quando Eliseu estava doente da enfermidade de que ele morreu, desceu para ele Jeoás, rei de Israel, e chorou diante das suas faces, e disse: Meu Pai, meu pai! carro de Israel e seus cavaleiros” (2Rs. 13:14);
a causa de que eles foram assim chamados, é porque por um e pelo outro, tanto Elias quanto Eliseu, foi representado o Senhor quanto à Palavra (ver o pref. do capítulo 18 de Gênesis e os n. 2762, 5247). A Palavra mesma é principalmente a doutrina do bem e do vero, pois o todo da doutrina daí provém. Era também pela mesma causa que, pelo menino cujos olhos JEHOVAH abriu foi visto, ao redor de Eliseu, “o monte cheio de cavalos e de carros de fogo” (2 Reis, 6:17).
[6] Que o ‘carro’ seja o doutrinal, e o ‘cavalo’ o intelectual, vê-se também por outras passagens na Palavra, como em Ezequiel:
“Sereis fartos sobre a minha mesa de cavalo e carro, de forte, e de todo varão de guerra; assim darei a minha glória às nações” (39:20; Ap. 19:18);
ali se trata do Advento do Senhor. Que ali pelo ‘cavalo’ e o ‘carro’ não é significado um cavalo nem um carro, é evidente para qualquer um, porquanto sobre a mesa do Senhor não há de se fartar de tais coisas, mas das que são significadas pelo cavalo e o carro, a saber, de coisas intelectuais de coisas doutrinas do bem e do vero.
[7] Coisas semelhantes são significadas pelos ‘cavalos’ e pelos ‘carros’ nas passagens seguintes: Em Davi:
“Os carros de Deus são de duas miríades, milhares de pacíficos. O Senhor [está] neles, [como] o Sinai no santuário” (Sl. 68:18 [Em JFA, 68:17]).
No mesmo:
“JEHOVAH se cobre de luz como se [fosse] de uma veste, estende os céus como uma cortina, cobre com vigamentos as águas das suas câmaras [triclinia sua], põe as nuvens por seus carros, anda sobre as asas do vento” (Sl. 104:2, 3).
Em Isaías:
“Profético do deserto do mar. [...] Assim me disse o Senhor: Põe vigilantes; o que observa, anuncie. Viu, pois, carro, par de cavaleiros, carro de jumentos, carro de camelo, e escutou com atenção a escuta, grande escuta; clamou então [como] um leão sobre a [torre de] vigilância: Senhor, eu estou continuamente durante o dia, e sobre a minha guarda eu [me] conservo todas as noites. Mas então, eis, carro de varão, par de cavaleiros; e disse: Caiu, caiu Babel!” (21:1, 6, 7, 8, 9).
[8] No mesmo:
“Então trarão todos os vossos irmãos dentre todas as nações, como presente a JEHOVAH, sobre cavalos, e sobre o carro, e sobre carruagem coberta, e sobre mulas, e sobre os dromedários, ao monte de minha santidade, a Jerusalém” (Is. 66:20).
No mesmo:
“Eis, JEHOVAH virá no fogo, e [serão] como a tempestade os carros d’Ele” (Is. 66:15).
Em Habacuque:
“Será que JEHOVAH se irritou [contra] os rios? É contra os rios a Tua ira? É contra o mar a Tua incandescência, para que montes sobre os Teus cavalos, [sobre] Teus carros de salvação?” (3:8).
Em Zacarias:
“Levantei os meus olhos e vi, quando, eis, quatro carros saindo dentre duas montanhas, mas as montanhas [eram] montanhas de bronze; ao primeiro carro, cavalos rubros, ao segundo carro, cavalos negros, ao terceiro carro, cavalos brancos, e ao quarto carro, cavalos salpicados” (6:1, 2, 3).
[9] E em Jeremias:
“Entrarão pelos portões desta cidade reis e príncipes, que se assentarão sobre o trono de Davi, montando em carro e cavalos, eles e os príncipes deles, o varão Judá e os habitantes de Jerusalém, e será habitada esta cidade durante o século” (17:25; 22:4);
a ‘cidade que será habitada durante o século535’ não é Jerusalém, mas é a igreja do Senhor, que é significada por ‘Jerusalém’ (n. 402, 2117, 3654); os ‘reis que entrarão pelos portões’ dessa cidade, não são reis, mas são os veros da igreja (n. 1672, 1728, 2015, 2059, 3009, 3670, 4575, 4581, 4966, 5044, 5068); assim, nem os ‘príncipes’ são príncipes, mas as principais coisas do vero (n. 1482, 2089, 5044); ‘os que se assentam sobre o trono de Davi’ são os Divinos Veros que procedem do Senhor (n. 5313); ‘os que montam sobre o carro e sobre os cavalos’ são as coisas intelectuais e as doutrinais provenientes desses veros. Os ‘carros’ são muitas vezes lembrados nos históricos da Palavra, e porque todos os históricos da Palavra representam e todas as palavras significam tais coisas que estão no Reino do Senhor e na igreja, ali também os ‘carros’ significam coisas semelhantes.
[10] Como na Palavra a maioria das expressões também tem um sentido oposto, assim também acontece com os ‘carros’, e nesse sentido eles significam as doutrinas do mal e do falso, depois, os conhecimentos que os confirmam, como nestas passagens: Em Isaías:
“Ai dos que descem ao Egito por auxílio, e se apoiam sobre o cavalo, e confiam sobre o carro, porque [são] muitos, e sobre cavaleiros, porque são muito fortes, mas não olham para o santo de Israel” (31:1).
No mesmo:
“Pela mão dos meus servos blasfemaste ao Senhor, e disseste: Pela multidão dos meus carros eu subi a altura das montanhas, nos lados do Líbano, onde cortarei o alongamento dos seus cedros, o escolhido dos seus abetos” (Is. 37:24);
aí há uma resposta profética às palavras orgulhosas de Rabsaqué, general do rei de Asshur. Em Jeremias:
“Eis águas subindo do norte, que se tornarão em torrente que inunda; e inundarão a terra e a sua plenitude, a cidade e os que habitam nela; e uivará todo habitante da terra, pela voz do bater dos cascos dos cavalos dos seus fortes, pelo tumulto do seu carro, pelo estrépito das suas rodas” (47:2, 3).
[11] Em Ezequiel:
“Por causa da abundância dos seus cavalos cobrir-te-á a poeira deles, por causa da voz do cavaleiro e da roda e do carro, serão abaladas as tuas muralhas, quando vier aos teus portões, conforme se entra em uma cidade forçada, pelos cascos dos seus cavalos pisará todas as tuas praças” (26:10, 11).
Em Ageu:
“Revirarei o trono dos reinos, e destruirei a força dos reinos das nações, revirarei também o carro e os que o montam, e descerão oscavalos e os cavaleiros deles” (2:22).
Em Zacarias:
“Cortarei o carro de Efraim e o cavalo de Jerusalém, cortarei o arco de guerra; ao contrário, falarei paz às nações” (9:10).
Em Jeremias:
“O Egito sobe como torrente, e como torrentes são agitadas as suas águas; disse, pois: Subirei, cobrirei a terra, destruirei a cidade e os habitantes nela. Subi, ó cavalos, enfurecei[-vos], ó carros” (46:8, 9).
[12] Pelos ‘cavalos’ e os ‘carros’, com os quais os egípcios perseguiram os filhos de Israel, e com os quais faraó entrou no mar de Suph, onde as rodas dos carros se deslocaram, e por muitas coisas que dizem respeito aos cavalos e aos carros, e que fazem a maior parte dessa descrição (Êx. 14, vers. 6, 7, 9, 17, 23, 25, 26 e cap. 15:4, 19), são significados os intelectuais, os doutrinais e os conhecimentos do falso e, daí, os raciocínios, que pervertem e extinguem os veros da igreja; é tal destruição e morte que ali se descreve.

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