. ‘E clamaram diante dele: Abrec!’; que signifique o reconhecimento pela fé e a adoração, vê-se pela significação de ‘clamar’ [ou gritar], que é o reconhecimento pela fé, do que se tratará; pela significação de ‘Abrec’ [ou ‘Ajoelhai’], que é a adoração, porque ‘abrec’, na língua original, significa dobrar os joelhos, e a genuflexão é a adoração. Com efeito, todos os empenhos interiores pertencentes à vontade, portanto, pertencentes ao amor ou à afeição, por conseguinte, à vida, têm atos ou gestos externos correspondentes; esses atos ou gestos fluem da correspondência mesma dos exteriores com os interiores. O temor santo e, daí, a humilhação, por conseguinte, a adoração, tem os atos ou gestos correspondentes a si, a saber, a flexão [ou o dobrar] dos joelhos, o cair sobre os joelhos e também a prostração com o corpo em terra. Nesse estado, se a adoração provém de uma humilhação genuína, ou se a humilhação provém de um temor santo genuíno, há desfalecimento do espírito, daí, a perda das forças das articulações na vizinhança ou no intermediário onde o espiritual é conjungido ao natural, assim, onde estão os joelhos, pois as partes que estão por baixo [dos joelhos] têm correspondência com os naturais, e as que estão por acima, com os espirituais. Daí vem que a genuflexão seja o sinal representativo da adoração; nos homens celestes esse ato é espontâneo, mas nos espirituais ele é voluntário. [2] Outrora, diante dos reis, quando eles eram levados em um carro, dobravam-se os joelhos por essa causa, porque os ‘reis’ representavam o Senhor quanto ao Divino Vero, e o ‘carro’ significava a Palavra. O rito dessa adoração começou quando se tinha conhecimento do que ele representava, e então os reis não atribuíam a si a adoração, mas a reportavam à realeza mesma separada deles, ainda que adjunta a eles. A realeza para eles era a Lei que, porque procedia do Divino Vero, devia ser adorada no rei tanto quanto ele era o seu guardião; assim, o rei mesmo não atribuía a si nada da realeza além da guarda da lei, da qual, quanto mais ele se afastava, tanto mais ele se afastava da realeza, sabendo que a adoração provinda de outra parte que não fosse da lei, isto é, outra diferente da lei em si mesma, era uma idolatria. Que a realeza seja o Divino Vero, foi visto (n. 1672, 1728, 2015, 2069, 3009, 3670, 4581, 4166, 5044, 5068); por conseguinte, a realeza é a Lei, que em si mesma é o vero do Reino, segundo o qual devem viver os que ali habitam. Por essas explicações, pode-se ver que ‘abrec’, ou dobrar os joelhos, significa a adoração. [3] Como o clamor [ou grito] também é um ato que corresponde a uma confissão da vida ou a um reconhecimento proveniente da fé, é também por isso que entre os antigos foi recebido o rito de clamar [ou gritar] quando uma tal confissão ou um tal reconhecimento era significado; e é por isso que, na Palavra, aqui e ali se diz clamar, quando se trata da confissão ou do reconhecimento proveniente da fé; assim como se diz de João Batista em João: “que ele deu testemunho de Jesus, e ‘clamou’, dizendo: “Este era Aquele de Quem disse: Aquele Que vem depois de mim, foi antes de mim, porque foi anterior a mim; [...] eu [sou] a voz que clama no deserto: Tornai reto o caminho do Senhor” (1:15, 23). No mesmo: “Tomaram ramos de palmeiras e foram ao encontro de Jesus, e clamaram: Hosana! Bendito O Que vem em Nome do Senhor, o Rei de Israel” (12:13). Em Lucas: “Jesus disse aos fariseus que se [os seus discípulos] se calassem, as pedras gritariam” (19:40). Como ‘clamar’ significava o reconhecimento proveniente da fé, e, daí, a recepção proveniente desse reconhecimento, é por isso que se diz algumas vezes, do Senhor, que Ele tenha clamado, por exemplo em João (cap. 7:28, 37; 12:44, 45); e também em Isaías: “JEHOVAH sairá como herói, como um varão de guerra excitará o zelo, vociferará e também clamará” (42:13). Que ‘clamar’, no sentido oposto, seja o não reconhecimento, portanto, a aversão, foi visto (n. 5016, 5018, 5027), e que seja predicado do falso, n. 2248.