. ‘E saiu José de diante do faraó’; que signifique quando o natural no geral lhe pertencia, vê-se pela significação de ‘sair’, que é ser dele [ou lhe pertencer], do que se tratará no que segue; pela representação de ‘José’, que é o celeste do espiritual, e de ‘faraó’, que é o natural, dos quais se tratou acima. Que ‘sair’ seja pertencer a ele, ou ser seu, é evidente pelas coisas que precedem e pelas que seguem, e também pelo sentido espiritual dessa palavra, pois nesse sentido, ‘sair’ ou ‘proceder’, é mostrar-se presente diante de outro em uma forma a ele acomodada, assim, ele mesmo somente em uma outra forma; nesse sentido, ‘sair’ se diz do Senhor em João: “Jesus disse de Si: Eu de Deus saio e venho” (8:42); “O Pai vos ama, porque vós Me tendes amado, e tendes crido que Eu saí do Pai; saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou ao Pai. Disseram os discípulos: Cremos que de Deus saíste” (16:27, 28, 30); “Estes conheceram verdadeiramente que de Deus saí” (17:8). [2] A fim de ilustrar o que se entende por ‘sair’, ou ‘proceder’, sejam os exemplos: Diz-se do vero, que ele sai ou procede do bem quando o vero é a forma do bem, ou seja, quando o vero é o bem em uma forma que o entendimento pode apreender; pode-se também dizer do entendimento, que ele sai ou procede da vontade quando o entendimento é a vontade formada, ou seja, quando a vontade está em uma forma aperceptível para a vista interna. Semelhantemente, sair e proceder pode-se dizer do pensamento que pertence ao entendimento quando ele se torna linguagem; e da vontade quando ela se torna ação; o pensamento reveste-se de uma outra forma quando ele se torna linguagem, mas ainda assim é o pensamento que sai ou procede dessa forma, porquanto as palavras e os sons que ele reveste não são nada mais do que adições que fazem com que o pensamento seja apercebido de um modo conveniente. Semelhantemente, a vontade torna-se uma outra forma quando ela se torna ação, mas ainda assim é a vontade que se apresenta em uma tal forma; os gestos e os movimentos que ela reveste não são nada senão adições que fazem com que a vontade apareça e afete de um modo conveniente. Pode-se também dizer do homem externo, que ele sai ou procede do homem interno, e mesmo substancialmente, porque o homem externo não é nenhuma outra coisa senão o homem interno formado assim para que aja convenientemente no mundo em que está. A partir desses exemplos se pode ver o que é ‘sair’ ou ‘proceder’ no sentido espiritual, a saber, que ‘sair’ ou ‘proceder’, no sentido espiritual, quando isso é predicado do Senhor, é o Divino formado como Homem, assim, acomodado à percepção dos que creem; um e outro sendo todavia um.