ac 5342

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E pôs a comida nas cidades’; que signifique que ele repôs nos interiores, a saber, os veros adjuntos ao bem, vê-se pela significação de ‘pôr’ aqui, que é repor; pela significação da ‘comida’, que é o vero adjunto ao bem, de que se tratou logo acima (n. 5340); e pela significação das ‘cidades’, que são os interiores da mente natural, de queacimase tratou (n. 5297). Que os veros adjuntos ao bem sejam repostos nos interiores da mente natural, e ali sejam conservados para o uso da vida seguinte, sobretudo para o uso nas tentações, quando o homem está sendo regenerado, é esse um arcano que poucos homens de hoje conhecem; razão pela qual deve ser dito o modo como acontece: Com efeito, pelos ‘sete anos de abundância de mantimento’ são significados os veros, a princípio, multiplicados, e pelo ‘grão que foi guardado nas cidades e no meio’ é significado que esses veros adjuntos ao bem foram escondidos nos interiores do homem; e pelos ‘sete anos de fome’ e pela ‘sustentação proporcionada então pelos montões’ é significado o estado da regeneração por meio dos veros adjuntos ao bem escondidos nos interiores.
[2] Este é o arcano: O homem, desde a primeira infância até a primeira meninice é introduzido pelo Senhor no céu, e de fato entre os anjos celestes, pelos quais ele é mantido no estado da inocência. (Que seja esse o estado das crianças até o primeiro estado da meninice, é coisa sabida.) Quando a idade da meninice começa, então o indivíduo despoja gradualmente o estado da inocência, mas ainda assim é mantido no estado da caridade mútua para com os que lhe são semelhantes; esse estado, em muitos, persevera até a adolescência, mas então o indivíduo se acha entre os anjos espirituais. Como então ele começa a pensar por si mesmo, e a proceder segundo o que ele pensa, ele não pode mais ser mantido na caridade como precedentemente, já que então ele evoca os males hereditários, pelos quais ele se deixa conduzir. Quando chega esse estado, então os bens da caridade e da inocência, que ele tinha recebido precedentemente, são exterminados segundo os graus pelos quais ele pensa os males e os confirma pelo ato. Mas ainda assim eles não são exterminados, mas são conduzidos pelo Senhor para os interiores e ali são escondidos.
[3] Como, porém, ele ainda não conheceu os veros, por isso os bens da inocência e da caridade que ele tinha recebido nesses dois estados, ainda não foram qualificados, porquanto os veros dão a qualidade ao bem e o bem dá a essência aos veros. É por isso que, desde essa idade, ele é imbuído de veros por meio das instruções e, sobretudo, por meio de seus próprios pensamentos e, daí, pelas confirmações provenientes deles. Quanto mais ele está, pois, na afeição do bem, tanto mais pelo Senhor os veros são conjungidos ao bem nele (n. 5340) e são reservados para os usos. É esse estado que é significado pelos ‘sete anos de abundância de mantimento’; esses veros adjuntos ao bem são as coisas que, no sentido próprio, chamam-se ‘relíquias’. Portanto, quanto mais o homem se deixa regenerar, tanto mais as relíquias servem ao uso, pois na mesma proporção o Senhor as extrai e as repõe no natural, para que se produza a correspondência dos exteriores com os interiores, ou dos naturais com os espirituais. Isso acontece no estado que é significado pelos ‘sete anos de fome’. Este é o arcano.
[4] O homem da igreja crê hoje que, seja qual for a vida de alguém, ainda assim pode, por Misericórdia, ser recebido no céu e ali usufruir da bem-aventurança eterna, pois considera que é somente uma admissão; mas muito se engana. Com efeito, ninguém pode ser admitido nem recebido no céu sem ter acolhido a vida espiritual, e ninguém pode acolher a vida espiritual exceto se for regenerado, e ninguém pode ser regenerado a não ser pelo bem da vida conjunto ao vero da doutrina, daí lhe vem a vida espiritual. Que ninguém possa entrar no céu exceto se tiver recebido a vida espiritual por meio da regeneração, o Senhor o diz manifestamente em João:
“Amém, amém, te digo, a não ser que alguém seja gerado de novo, não pode ver o Reino de Deus” (3:3);
e depois:
“Amém, amém, te digo, a não ser que alguém tenha sido gerado da água e do espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Ibid. vers. 5);
a ‘água’ é o vero da doutrina (n. 2702, 3058, 3424, 4976), e o ‘espírito’ é o bem da vida. Ninguém entra pelo batismo, mas o ‘batismo’ é o significativo da regeneração, da qual o homem da igreja deve lembrar.

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