Texto
. ‘E chamou o nome do segundo Efraim’; que signifique o novo intelectual no natural e a sua qualidade, vê-se pela significação do ‘nome’ e de ‘chamar o nome’, que é a qualidade (n. 144, 145, 1754, 1896, 2009, 2724, 3006, 3421); e pela representação de ‘Efraim’, que é o intelectual no natural, do que se tratará no que segue. Deve-se primeiro dizer o que é o novo intelectual e o que é o novo voluntário, que são significados por Efraim e Manassés. Na igreja, de fato se sabe que o homem deve ser gerado de novo, isto é, deve ser regenerado, para que ele possa entrar no Reino de Deus. Sabe-se isso porque o Senhor o dissera com palavras abertas540 em João (cap. 3:3, 5); mas o que seria ser gerado de novo, ainda há poucos que saibam, a causa é porque poucos sabem o que é o bem e o mal. Que não saibam o que é o bem e o mal, é porque não se sabe o que é a caridade para com o próximo; se o soubessem, também saberiam o que é o bem, e, a partir do bem, o que é o mal, pois tudo aquilo que vem da caridade genuína em relação ao próximo é o bem.
[2] Mas nesse bem ninguém pode estar por si, porquanto é o celeste mesmo que influi do Senhor; esse celeste influi continuamente, mas os males e os falsos fazem obstáculos ao que pode ser recebido; para que ele possa, entretanto, ser recebido, é necessário que o homem afaste os males, e, o quanto for possível, também os falsos, e que assim ele se disponha a receber o influxo. Quando está afastado dos males, o homem recebe o influxo, então ele experimenta uma nova vontade e um novo intelectual; pela nova vontade ele sente prazer ao fazer o bem ao próximo a partir de um fim de si nulo541, e a partir do novo intelectual ele apercebe prazer ao dizer o que é o bem e o vero por causa do bem e do vero e por causa da vida. Como esse novo intelectual e novo voluntário existe pelo influxo procedente do Senhor, é por isso que aquele que foi regenerado reconhece e crê que o bem e o vero, dos quais ele é afetado, vêm não dele, mas do Senhor, depois, que tudo que vem de si ou do proprium não seja senão o mal.
[3] Por essas explicações, vê-se o que é ser gerado de novo, depois, o que é o novo voluntário e novo intelectual; mas a regeneração, por meio da qual há o novo intelectual e novo voluntário, não acontece em um momento, mas se opera desde a primeira infância até ao último instante da vida, e depois na outra vida pela eternidade, e isso por meios Divinos inúmeros e inefáveis. Com efeito, o homem, por si próprio, não é senão o mal, mal que exala continuamente como de uma fornalha, e se empenha continuamente em extinguir o bem nascente. Para que tal mal seja afastado e o bem seja enraizado em seu lugar, isso não pode ser feito senão por todo o curso da vida, e pelos meios Divinos que são inúmeros e inefáveis. Neste tempo dificilmente se conhece algum desses meios, a causa é porque o homem não se deixa regenerar, nem crê ser a regeneração alguma coisa, porque não crê na vida depois da morte. O processo de regeneração, que contêm coisas inefáveis, faz, quanto a maior parte, a sabedoria angélica, e é tal que ela não pode ser plenamente exaurida por nenhum anjo pela eternidade; daí vem que, no sentido interno da Palavra, trata-se principalmente disso.
[4] Que ‘Efraim’ seja o novo intelectual no natural, é evidente por um grande número de passagens na Palavra, principalmente no Profeta Oseias, que trata muito de Efraim, nele se encontram estas:
“Eu conheço Efraim, e Israel não se esconde de Mim, porque em geral tens cometido escortação, ó Efraim; [e] Israel se poluiu. [...] Israel e Efraim se arruinarão pela sua iniquidade, arruinar-se-á também Judá com eles. Efraimestará na solidão, no dia da correção. [...] E Eu [serei] como uma traça a Efraim, e como o caruncho à casa de Judá. E viu Efraim a sua enfermidade, e Judá a sua ferida; e foi-se Efraim para a Assíria, e enviou ao rei Jarebe, e este não pôde vos curar” (5:3, 5, 9, 11, 12, 13);
ainda no mesmo:
“Quando curei Israel, então revelou-se a iniquidade de Efraim, e os males de Samaria, porque fizeram a mentira; e veio o ladrão, espalhou-se o bando por fora. [...] E foi Efraim como uma pomba estulta, sem coração; chamaramoEgito, forama Assíria; quando forem, expandirei sobre eles a Minha rede” (Os. 7:1, 11, 12 e seguintes);
[5] depois:
“Israel foi engolido, agora estarão entre as nações, como um vaso em que não [há] desejo; quando subiram à Assíria, o onagro solitário, por si Efraim por um pagamento de meretrício concilia amores” (8:8, 9);
“... ó Israel, ... não habitarão na terra de JEHOVAH, e Efraim voltará ao Egito, e na Assíria comerão o imundo” (Os. 9:3);
“Cercaram-Me de mentira [os de] Efraim, e de dolo [os da] casa de Israel; e Judá ainda domina com Deus, e com os santos [é] fiel542. Efraim se apascenta de vento, e persegue o vento-oriental, todo dia a mentira e a vastação [ele] multiplica, e firmam aliança com a Assíria, e o azeite é levado ao Egito” (Os 12:1, 2 [Em JFA, 11:12 e 12:1]).
Além dessas passagens, fala-se de Efraim em muitas outras no mesmo, como: cap. 4:16, 17, 18; cap. 5:3, 5, 9, 11, 12, 13; cap. 7:8, 9; cap. 9:8, 11, 15, 16; cap. 10:6, 11; cap. 11:3, 8, 9; cap. 12:9, 15 [Em JFA, 12:8, 14]; cap. 13:1, 12; cap. 14:9 [Em JFA, 14:8].
[6] Em todas essas passagens, por ‘Efraim’ se entende o intelectual da igreja, por ‘Israel’, o seu espiritual, e por Judá, o celeste da mesma; e como o intelectual da igreja é significado por ‘Efraim’, por isso se diz muitas vezes de Efraim que ele vai ao Egito e à Assíria, visto que o Egito significa os conhecimentos, e a Assíria, os raciocínios provenientes dos conhecimentos, aqueles e estes se predicam do intelectual. Que o Egito seja o conhecimento, foi visto (n. 1164, 1165, 1180, 1462, 2588, 3325, 4749, 4964, 4966); e que Asshur, ou Assíria, seja a razão e o raciocínio, n. 119, 1186.
[7] Semelhantemente, nas passagens que seguem, o intelectual da igreja é significado por ‘Efraim’: em Zacarias:
“Exulta muito, ó filha de Sião; grita, ó filha de Jerusalém; eis o teu Rei vem a ti; cortarei de Efraim o carro, e de Jerusalém o cavalo; e cortarei o arco de guerra; falarei contra a paz às nações, e será o dominar d’Ele desde o mar até o mar, e desde o rio até os fins da terra. Estenderei para Mim Judá, encherei Efraim de arcos, e suscitarei os teus filhos, ó Sião, com os teus filhos, ó Javã” (9:9, 10, 13);
ali se trata do Advento do Senhor, e da igreja das nações; ‘cortar de Efraim o carro e de Jerusalém o cavalo’ está por todo o intelectual da igreja; ‘encher Efraim de arcos’ está em lugar de conceder um novo intelectual. (Que o ‘carro’ seja o doutrinal, foi visto, n. 5321; o ‘cavalo’, o intelectual, n. 2760, 2761, 2762, 3217, 5321; e que o ‘arco’ também seja o doutrinal, n. 2686, 2686, 2709). Com efeito, o doutrinal depende do intelectual, pois do mesmo modo que se entende uma coisa, assim se crê; o entendimento do doutrinal faz a qualidade da fé.
[8] Por isso também os filhos de Efraim são chamados atiradores de arco [ou flecheiros], em Davi:
“Os filhos de Efraim, armados, e atiradores de arco, voltaram-se no dia da batalha” (Sl. 78:9).
Em Ezequiel:
“Filho do homem, toma para ti um [pedaço de] madeira, e escreve sobre ele: A Judá e aos filhos de Israel, seus companheiros. Depois toma um [pedaço de] madeira, e escreve sobre ele: A José, madeira de Efraim e de toda a casa de Israel, seus companheiros. Depois ajunta-os543, um com o outro para ti em uma só madeira, para que ambos sejam um na Minha mão. ... Eis Eu hei de tomar a madeira de José, que [está] nas mãos de Efraim e das tribos de Israel, seus companheiros, e a eles acrescentarei os que [estão] sobre ele com a madeira de Judá, e a eles falarei em uma só madeira, para que sejam um na Minha mão” (37:16, 17, 19);
aí também por ‘Judá’ se entende o celeste da igreja, por ‘Israel’, o seu espiritual, e por ‘Efraim’, o intelectual dessa mesma igreja; que estes devam fazer um por meio do bem da caridade, é significado por isso, que dos dois se devia fazer uma só madeira. Que a ‘madeira’ seja o bem que pertence à caridade e, daí, as obras, foi visto (n. 1110, 2784, 2812, 3720, 4943).
[9] Em Jeremias:
“[Porque] é um dia, [em que] clamarão os guardas da montanha de Efraim: Levantai, subamos a Sião a JEHOVAH, nosso Deus. [...] serei para Israel por pai, e Efraim, [será] ele o meu primogênito” (31:6, 9).
No mesmo:
“Ouvindo ouvi Efraim queixando[-se]: Castigaste-me, e fui castigado, como um novilho não acostumado, converte-me, para que eu seja convertido; [...] Não [é] Efraim para Mim um filho precioso? Não [é] um nascido das delícias? Pois depois que tiver falado contra ele, recordando recordarei dele novamente” (Jr. 31:18, 20).
No mesmo:
“Reconduzirei Israel ao seu habitáculo para que paste no Carmelo e em Bashan, e na montanha de Efraim e de Gilead se saciará a sua alma” (Jr. 50:19).
Em Isaías:
“Ai da coroa da soberba, dos ébrios de Efraim, e da flor que cai, e da glória do seu ornato, que [está] sobre a cabeça do vale dos engordados perturbados pelo vinho” (28:1);
[10] Nessas passagens, por ‘Efraim’ é também significado o intelectual da igreja; o intelectual da igreja é o entendimento nos homens da igreja a respeito dos veros e bens, isto é, a respeito dos doutrinais da fé e da caridade, assim, é a noção, um conceito ou ideia a respeito dessas coisas. O vero mesmo é o espiritual da igreja, e o bem é o seu celeste, mas o vero e bem é entendido em um diferentemente do que em outro; tal qual é, pois, o entendimento do vero, tal é o vero em cada um; o mesmo acontece com o entendimento do bem.
[11] Pelo intelectual, que é ‘Efraim’, pode-se saber o que é o voluntário da igreja, que é significado por ‘Manassés’. Ocorre com o voluntário da igreja do mesmo que com seu intelectual, a saber, que ele varia em cada um: Manassés significa esse voluntário em Isaías:
“Na incandescência de JEHOVAH Zebaoth obscureceu-se a terra, e tornou-se o povo como comida do fogo; o varão ao seu irmão não pouparão, o varão comerá a carne do seu braço, Manassés a Efraim e Efraim a Manassés, juntos eles são contra Judá” (9:18, 19, 20).
‘o varão comerá a carne de seu braço, Manassés a Efraim e Efraim a Manassés’ está no lugar de ‘o querer do homem da igreja será contra o seu entender e o seu entender contra o seu querer’.
[12] Em Davi:
“Deus falou pela Sua santidade: Exultarei, dividirei Siquém, e o vale de Succoth medirei; Meu [é] Gilead, Meu [é] Manassés, e Efraim [é] a força da Minha cabeça” (Sl. 60:8, 9 [Em JFA, 6, 7]).
No mesmo:
“Pastor de Israel, dá ouvidos, [tu] que conduzes como um rebanho a José, que te assentas sobre Querubins, resplandece! Perante Efraim e Benjamin, e Manassés, desperta o Teu poder” (Sl. 80:2, 3);
também aí ‘Efraim’ esta pelo intelectual da igreja, e ‘Manassés’ pelo voluntário da igreja; a mesma coisa é ainda evidente pela bênção dada a Efraim e a Manassés por Jacó antes de sua morte (Gn. 48); e também por isso, que Jacó recebeu Efraim em lugar de Rúben, e Manassés em lugar de Simeão (ibid. vers. 3, 5), visto que por ‘Rúben’ foi representado o intelectual da igreja, ou a fé pelo entendimento e pela doutrina (n. 3861, 3866), e Simeão, a fé pelo ato, ou a obediência e a vontade de fazer o vero, vontade a partir da qual e por meio da qual existe a caridade, assim, o vero em ato que é o bem do novo voluntário (n. 3869, 3870, 3871, 3872).
[13] Que Jacó, então Israel, abençoou Efraim de preferência a Manassés, pondo a sua mão direita sobre Efraim e a sua mão esquerda sobre Manassés (ibid. vers. 13 a 20), a causa foi a mesma que Jacó teve, que tenha derivado em si a primogenitura de Esaú; e a mesma que tiveram os filhos de Judá vindos de Thamar, Perez e Zerah, que o primogênito, que era Zerah, saiu, contudo, depois de Perez (Gn. 38:28, 29, 30); a saber, essa causa era que o vero da fé, que pertence ao intelectual, está em aparência em primeiro lugar quando está sendo regenerado, e então o bem da caridade, que pertence ao voluntário, está aparentemente em segundo lugar, quando todavia o bem está realmente no primeiro lugar, e de um modo manifesto quando o homem se regenerou (ver a este respeito, n. 3324, 3539, 3548, 3556, 3563, 3570, 5376, 3603, 3701, 4243, 4244, 4247, 4337, 4925, 4926, 4928, 4930, 4977).