. Os modos pelos quais eles exploram ou escrutam as intenções dos outros são em grande número; contudo, só me é permitido referir este: eles levam os outros espíritos a falar — o que na outra vida se efetua por um influxo de que não é possível dar uma descrição suscetível de ser compreendida. Se então a continuação da conversação, cujo assunto foi insinuado por eles, é fácil, eles julgam por esse modo que eles são tais. Eles também introduzem um estado de afeição, mas os que exploram por esse modo estão entre os mais grosseiros, os outros procedem de modo diverso. Há uns que, logo que chegam, percebem o que se pensou, se desejou e se fez e, enfim, a dor que experimentam de haver feito tal coisa; eles aproveitam isso, e condenam também, se consideram justa a causa. Coisa admirável, na outra vida, o que dificilmente pode alguém crer neste mundo, é que, logo que um espírito vem ter com um outro espírito, e principalmente desde que vem para um homem, ele conhece no mesmo instante os seus pensamentos e as suas afeições, e o que ele fez até então, assim, todo o seu estado presente, absolutamente como se ele tivesse estado por muito tempo com ele, tal é a comunicação. Há, contudo, diferenças nessas apercepções; há espíritos que percebem os interiores, e os há que percebem somente os exteriores; se estes últimos estiverem na cobiça de saber, eles exploram os interiores dos outros de diversos modos.