Texto
. Há homens que vivem não por amor de exercer algum uso pela pátria nem para as sociedades que nela existem, mas por amor de viver para si, não tendo prazer algum nos ofícios, mas aprazendo-se somente em serem honrados e adorados, fim pelo qual também eles ambicionam as funções, e, além disso, passando a vida comendo, divertindo-se, conversando, sem outro fim a não ser o da volúpia. Esses, na outra vida, não podem de modo algum estar na companhia dos bons espíritos, e menos ainda na dos anjos, porquanto entre estes o uso faz o prazer, e é segundo os usos que para eles existem a quantidade e a qualidade do prazer. Com efeito, o Reino do Senhor não é senão o reino dos usos. Ora, se em um reino terrestre cada um é estimado e honrado segundo o uso que desempenha, o que não deve ser no reino celeste? Aqueles que vivem somente para si e para o prazer, sem terem por fim um outro uso, também estão debaixo das nádegas, e segundo as espécies e os fins das volúpias, vivem em imundícies.
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