ac 5398

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

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Sentido Interno.
*5398. Neste capítulo e nos que se seguem, trata-se dos filhos de Jacó e de José; no sentido interno, trata-se da regeneração do natural quanto aos veros e aos bens da igreja, a saber, que essa regeneração se faz não por meio dos conhecimentos, mas pelo influxo procedente do Divino. Aqueles que são hoje da igreja conhecem tão pouco a respeito da regeneração, que dificilmente sabem alguma coisa. Eles sequer sabem isso, que a regeneração perdura por todo o curso da vida daquele que é regenerado, e que ela continua na outra vida; então que os arcanos da regeneração são tão inúmeros, que dificilmente podem ser conhecidos pelos anjos quanto à décima milésima parte, e que aqueles que os anjos sabem são os que fazem a inteligência e a sabedoria deles. Que os homens que são hoje da igreja conheçam tão pouco a respeito da regeneração, a causa é que eles falam muito da remissão dos pecados e da justificação, e porque creem que os pecados são perdoados em um momento, e alguns, que eles são limpos como as sujidades são limpas do corpo com a água, e que o homem é justificado pela fé só ou pela confiança de um só momento. Que os homens da igreja creiam assim, a causa é porque eles não sabem o que é o pecado ou o mal; se o conhecessem, saberiam que os pecados de alguém nunca podem ser limpos, mas que eles são separados ou rejeitados para os lados para que não se levantem, quando o homem é mantido no bem pelo Senhor; então, que isso não pode ser feito a não ser que o mal seja continuamente rejeitado, e isso por meios que são infindos em número, e inefáveis quanto a maior parte.
[2] Aqueles que, para a outra vida, trouxeram consigo essa opinião, que o homem é justificado em um momento pela fé e fica inteiramente lavado dos pecados, muito se admiram quando apercebem que a regeneração se faz por meios infindos em número e inefáveis, e se riem de sua ignorância, que também chamam de loucura, que eles tinham no mundo a respeito da remissão momentânea dos pecados e da justificação. Às vezes se lhes diz que o Senhor lança fora os pecados a quem quer que o deseje de coração, mas que nem por isso se é separado da turba diabólica, a qual se ficou ligado pelos males, que seguem a vida que se tem toda inteira consigo. Eles aprendem depois, pela experiência, que ser separado dos infernos é ser separado dos pecados, e que isso não pode absolutamente ser feito senão por mil e mil modos, que só o Senhor conhece, e isso — se quiseres crer — por uma contínua sucessão, durante a eternidade, pois o homem é tão mal, que sequer pode ser plenamente libertado de um só pecado pela eternidade, mas somente pela Misericórdia do Senhor, se recebê-la, ele pode ser mantido afastado do pecado e mantido no bem.
[3] É por isso que o modo como o homem recebe a nova vida e é regenerado está contido no Santuário da Palavra, isto é, em seu sentido interno, principalmente a fim de que, a partir da Palavra, quando ela é lida pelo homem, os anjos estejam em sua felicidade de sabedoria, e também então no prazer de servir de meios. Neste capítulo e nos seguintes, onde se trata dos irmãos de José, trata-se, no sentido supremo, da Glorificação do Natural do Senhor; e, no sentido representativo, da regeneração do natural no homem pelo Senhor; aqui, quanto aos veros que nele pertencem à igreja.

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