. ‘E viu’; que signifique as coisas pertencentes à fé, vê-se pela significação de ‘ver’, que são as coisas pertencentes à fé (n. 897, 2325, 2807, 3863, 3869, 4403 ao 4421). Com efeito, a vista [ou visão] abstraída das coisas que pertencem ao mundo, ou seja, a vista espiritual, não é outra coisa senão a percepção do vero, isto é, a percepção de tais coisas que pertencem à fé; é por isso que por ‘ver’, no sentido interno, não é significada outra coisa, visto que o sentido interno se apresenta quando se faz abstração das coisas que são do mundo, pois o sentido interno diz respeito a tais coisas que são do céu. A luz do céu, pela qual ali há a visão, é o Divino Vero procedente do Senhor; este aparece diante dos olhos dos anjos como uma luz mil vezes mais brilhante do que a do meio-dia no mundo; essa luz, porque tem em si a vida, é por isso que, ao mesmo tempo que ela ilumina a vista dos olhos dos anjos também ilumina a vista do entendimento deles, e faz a apercepção do vero segundo a quantidade e a qualidade do bem no qual eles estão. Como neste capítulo, no sentido interno, se trata das coisas pertencentes à fé, ou dos veros da igreja, é por isso que no começo mesmo deste capítulo se diz “viu”; e por ‘viu’ são significadas as coisas que pertencem à fé.