. ‘Viestes para ver a nudez da terra’; que signifique que nada lhes é mais estimável do que saber em seu próprio benefício [sibi] que não são veros, vê-se pela significação de ‘vir para ver’, que é ter desejo de saber que isso é assim, por conseguinte, nada lhes é mais estimável do que saber; pela significação da ‘nudez’, que é estar sem os veros, assim, que não sejam veros (do que se tratará); e pela significação da ‘terra’, que é a igreja. Por isso, aqui, a ‘nudez da terra’ são os não veros da igreja. Que a ‘terra’ seja a igreja, foi visto (n. 566, 662, 1067, 1262, 1733, 1850, 2117, 2118, 3355, 4447, 4545). Que a ‘nudez’ signifique estar privado de veros ou sem veros, é porque as ‘vestimentas’ significam em geral os veros, e cada vestimenta em específico, algum vero singular (ver os n. 2576, 3301, 4545, 4677, 4741, 4742, 4763, 5248, 5319); daí a ‘nudez’ significa que se está sem os veros, como também se verá abaixo pelas passagens extraídas da Palavra. [2] O modo como isso acontece torna-se claro pelas coisas que foram ditas logo acima (n. 5432), a saber, que aqueles que aprendem os veros não por causa do vero nem por causa da vida, mas por causa do ganho, não podem de modo algum senão pensar consigo que os veros da igreja não são veros; a causa é porque a afeição do ganho é uma afeição terrestre, e a afeição do vero uma afeição espiritual. Uma ou outra terá o domínio, ninguém pode servir a dois senhores. É por isso que, onde está uma dessas afeições, a outra não está; assim, onde está a afeição do vero, ali não está a afeição do ganho, e onde está a afeição do ganho, ali não está a afeição do vero. Daí vem que, se a afeição do ganho tem o domínio, de modo algum pode acontecer outra coisa, senão que nada se torna mais estimável do que os veros não serem veros, mas, apesar disso, que os veros sejam cridos como veros pelos outros. Com efeito, se o homem interno olhar para baixo, a saber, para as coisas terrestres, e ali puser o todo, ele não pode de modo algum olhar para cima e ali por alguma coisa, pois as coisas terrestres absorvem inteiramente e sufocam. A causa é porque os anjos do céu juntoao homem não podem estar nas coisas terrestres, é por isso que eles se afastam, e então se aproximam os espíritos infernais, que não podem estar nas coisas celestes juntoao homem, por isso as coisas celestes são para ele como nada, e as terrestres são tudo, e quando as coisas terrestres são tudo para ele, ele se crê então mais instruído e mais sábio do que os restantes nisso, que ele nega consigo os veros da igreja, dizendo no coração que eles são para os simples. O indivíduo estará, portanto, ou na afeição terrestre, ou na afeição celeste, visto que não pode estar com os anjos do céu e, ao mesmo tempo, com os espíritos infernais, porquanto penderia então entre o céu e o inferno. Mas quando ele está na afeição do vero por causa do vero, isto é, por causa do Reino do Senhor, já que ali está o Divino Vero, assim, por causa do Senhor mesmo, então ele se acha entre os anjos, e então ele também não despreza o ganho, até onde lhe é útil para a vida no mundo; contudo, ele não tem como fim o ganho, mas tem por fim os usos que dele provêm, os quais ele considera como fins médios para o fim último celeste; assim ele não põe de modo algum o coração no ganho. [3] Que a ‘nudez’ signifique estar sem os veros, é também o que se pode ver por outras passagens na Palavra, como em João: “Ao Anjo da Igreja dos da Laodiceia escreve: Porquanto dizes que sou rico, e sou opulento, de nada tenho necessidade, quando não sabes que tu és mísero e miserável, e indigente, e cego e nu” (Ap. 3:17); ali, ‘nu’ está em lugar da escassez do vero. No mesmo: “Aconselho-te a que compres de Mim ouro purificado pelo fogo, e vestimentas brancas para vestires, e para que nãose manifeste a vergonha da tua nudez” (Ap. 3:18); ‘comprar ouro’ está por adquirir e apropriar a si o bem; para ‘ser opulento’ está em lugar de que esteja no bem celeste e espiritual, as ‘vestimentas brancas’ estão pelos veros espirituais; a ‘vergonha da nudez’ está em lugar de estar sem os bens e sem os veros; que ‘comprar’ seja adquirir e apropriar-se, foi visto (n. 5374); que o ‘ouro’ seja o bem celeste e espiritual, n. 1551, 1552; que as ‘vestimentas’ sejam os veros, n. 1073, 2576, 4545, 4763, 5248, 5319; que o ‘branco’ seja predicado do vero, porque provém da luz do céu, n. 3301, 3993, 4007, 5319. [4] No mesmo: “Eis venho como um ladrão; bem-aventurado aquele que vigia e guarda suas vestimentas, para que não ande nu” (Ap. 16:15); ‘quem guarda as vestimentas’ está por quem guarda os veros; ‘para que não ande nu’ está por para não estar sem os veros. Em Mateus: “O Rei dirá àqueles que [estiverem] à direita: Estive nu e Me vestistes; e aos que [estiverem] à esquerda: [Estive] nu e não Me vestistes” (25:36, 43); ‘nu’ está pelos bons que reconhecem nada haver neles do bem e vero (n. 4958). [5] Em Isaías: “Não [é] esse o jejum: ... de partir para o faminto o teu pão, e que os aflitos exilados introduzas na casa, quando vires um nu e [que] então o cubras” (58:7); igualmente. Em Jeremias: “Um pecado pecou Jerusalém, por isso em impureza se tornou; todos que a honravam, vilipendiaram-na, porque viram a sua nudez” (Lm. 1:8); onde a ‘nudez’ está em lugar de sem os veros. Em Ezequiel: “Vieste à beleza das belezas; os peitos endureceram, e o teu cabelo cresceu, estavas, entretanto, nua e descoberta. ... Estendi a minha orla sobre ti, e cobri a tua nudez. ... Não te lembraste dos dias da tua juventude, quando estavas nua e descoberta” (16:7, 8, 22). [6] Aí se trata de Jerusalém, pela qual se entende a Igreja Antiga tal qual era quando foi instaurada, e qual ela se tornou depois, a saber, que primeiro ela estava sem os veros, mas depois ela foi instruída nos veros e, por fim, os rejeitou. No mesmo: “Se [há] um varão justo que tenha feito juízo e justiça, ... dê o seu pão ao faminto, e ao nu cubra com a vestimenta” (18:(5,) 7); ‘cobrir o nu com uma vestimenta’ está por instruir nos veros aqueles que desejam os veros. Em Oseias: “Para que talvez não adespoje nua, e a apresente conforme o dia de seu parto, e a torne como um deserto, e a torne como uma terra seca, e mate-a pela sede” (2:3); ‘despojar nua’ está por que esteja sem os veros. Em Naum: “Mostrarei às nações a tua nudez, e aos reinos a tua ignomínia” (3:5); ‘mostrar às nações a nudez’ está pela fealdade [turpitudinem]; toda fealdade procede da falta de veros, e toda beleza procede dos veros (n. 4985, 5199).