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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Cuja angústia da alma vimos’; que signifique o estado do interno durante o tempo em que ele era alienado, vê-se pela significação da ‘angústia da alma’, que é o estado em que está o interno quando ele é alienado pelo externo. Com esse estado assim acontece: O Senhor influi continuamente no homem com o bem, e no bem com o vero; mas o homem ou recebe esse influxo ou não o recebe; se o recebe, fica bem com ele, mas se não o recebe, fica mal com ele. Quando ele não o recebe, sente em si então um tipo de ânsia, o que aqui é a ‘angústia da alma’, há esperança de que ele possa ser reformado, mas se não sente tipo algum de ansiedade, a esperança se esvai. Com efeito, há junto de cada homem dois espíritos do inferno e dois anjos do céu, pois o homem, porque nasce em pecados, não pode de modo algum viver, a não ser que de uma parte comunique com o inferno e da outra com o céu; toda sua vida vem daí. Quando o homem cresce e pela primeira vez começa a governar-se por si, isto é, quando se vê querendo e agindo por seu próprio juízo, e pensando e concluindo a respeito das coisas da fé por seu próprio entendimento, então se ele se dirige para os males, os dois espíritos do inferno se aproximam, e os dois anjos do céu se afastam um pouco; mas se ele se dirige para o bem, os dois anjos do céu se aproximam, e os dois espíritos do inferno são afastados.
[2] Quando, portanto, o homem se dirige para os males, o que acontece com a maioria na adolescência, se ele sente alguma ansiedade quando reflete sobre o que tem feito de mal, é um indício de que ele deve, ainda assim, receber o influxo por meio dos anjos do céu, como também é um indício de que, depois, ele há de se deixar reformar; mas se ele nada sente de ansiedade quando reflete sobre aquilo que ele fez de mal, é um indício de que ele não quer mais receber o influxo pelos anjos do céu, e também um indício de que depois ele não se deixará reformar. Aqui, portanto, onde se trata dos veros da igreja externa, que são representados pelos ‘dez filhos de Jacó’, é lembrada a ‘angústia da alma’, em que estava José quando foi alienado por seus irmãos, e também, em seguida, as admoestações que Rúben lhes deu, pelo que é significado que, como esse estado tinha precedido, depois existiria a reforma, ou a conjunção do interno com o externo; conjunção de que se trata nas explicações que seguem. Com efeito, naqueles que então se acham na ansiedade, há reconhecimento interno do mal, o qual, quando é relembrado pelo Senhor558, torna-se confissão e, finalmente, penitência.

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