. ‘Porque [havia] intérprete entre eles’; que signifique que então as coisas espirituais são apreendidas absolutamente de outro modo, vê-se pela significação do ‘intérprete entre eles’, que é que as coisas espirituais são apreendidas de outro modo, porquanto o ‘intérprete’ traduz a língua de um na língua de outro, assim, ele expõe o sentido de uma de modo que seja compreendida pela outra. Daí vem que por ‘intérprete entre eles’ é significado que então as coisas espirituais são apreendidas de modo completamente diferente, a saber, por aqueles que estão nos veros da igreja não ainda conjuntos ao homem interno pelo bem. Que os veros da igreja sejam compreendidos de modo inteiramente diferente por aqueles que estão no bem — isto é, naqueles em que esses veros foram conjuntos ao bem — do que por aqueles que não estão no bem, isso se mostra de fato como um paradoxo, mas ainda assim é verdadeiro. Com efeito, os veros são compreendidos espiritualmente por aqueles que estão no bem, porque eles estão na luz espiritual; mas pelos que não estão no bem os veros são compreendidos naturalmente, porque eles estão na luz natural. Daí, os veros da parte daqueles que estão no bem têm continuamente veros conjuntos a si, mas da parte dos que não estão no bem, têm conjuntas a si numerosas falácias, e também falsos. A causa é porque os veros naqueles que estão no bem se estendem ao céu, mas os veros naqueles que não estão no bem não se estendem ao céu; por isso, os veros nos que estão no bem são plenos, mas nos que não estão no bem, estão quase vazios. Essa plenitude e esse vazio não se mostram diante do homem enquanto ele vive no mundo, mas aparecem diante dos anjos. Se o homem soubesse quanto haveria de celeste nos veros conjuntos ao bem, teria, a respeito da fé, sentimentos completamente diferentes.