. ‘A cada um no seu saco’; que signifique em toda a parte onde há receptáculo no natural, vê-se pela significação do ‘saco’, que é o receptáculo, de que se tratará no que segue. Que seja no natural, é porque se trata dos veros e dos conhecimentos, que estão no natural. Aqui, o ‘saco’ significa especificamente o conhecimento por essa causa, porque assim como o saco é o receptáculo do grão, do mesmo modo o conhecimento é o receptáculo do bem, aqui, o receptáculo do bem que procede do vero, como acima (n. 5487). Poucos homens sabem que o conhecimento é o receptáculo do bem, porque há poucos que refletem sobre tais coisas. No entanto, pode-se sabê-lo a partir disso: Os conhecimentos que entram na memória são sempre introduzidos por meio de alguma afeição; os que não são introduzidos por meio de alguma afeição não ficam fixos ali, mas correm além [ou escapam]; a causa é que a vida está na afeição, mas não nos conhecimentos, a não ser por meio da afeição. Daí é evidente que os conhecimentos têm sempre conjuntos a si coisas que pertencem à afeição, ou o que é o mesmo, que pertencem a algum amor, consequentemente, a algum bem, pois tudo que pertence ao amor é chamado bem, quer seja um bem, quer seja crido como um bem. Os conhecimentos formam, pois, com esses bens uma sorte de casamento; daí vem que esse bem, quando é estimulado, logo é também estimulado o conhecimento com o qual ele foi conjunto; assim também, vice-versa, quando o conhecimento é lembrado, o bem ao qual ele foi conjunto também se apresenta; isto qualquer um pode, se se permite, experimentar consigo. [2] Agora, daí vem que, nos não regenerados que rejeitaram o bem da caridade, os conhecimentos, que são os veros da igreja, têm, adjuntas a eles, coisas que pertencem ao amor de si e do mundo, assim, males que, por causa do prazer que há neles, eles chamam de bens; e também por meio de interpretações errôneas eles os fazem bens. Esses conhecimentos se apresentam com uma aparência ajustada quando esses amores reinam universalmente, e segundo o grau em que eles reinam. Mas nos regenerados os conhecimentos, que são os veros da igreja, têm adjuntos a eles coisas que pertencem ao amor em relação ao próximo e ao amor a Deus, assim, bens genuínos. Esses bens são repostos pelo Senhor nos veros da igreja em todos que são regenerados. É por isso que, quando o Senhor insinua nestes o zelo em prol do bem, então esses veros se mostram em sua ordem, e quando neles insinua o zelo em prol do vero, esse bem está presente e o acende. A partir dessas explicações, pode-se ver como acontece com os conhecimentos e com os veros, que são os receptáculos do bem.