. ‘Conosco duramente’; que signifique a não conjunção com ele por causa da não correspondência, vê-se pela significação de ‘falar duramente’ quando isso se diz do interno relativamente ao externo separado dele [a se], que é a não conjunção por causa da não correspondência, de que se falou acima (n. 5422, 5423). Com efeito, se não há correspondência do externo com o interno, então tudo aquilo que é interno e procede do interno parece duro ao externo, porque não há conjunção. Por exemplo, se se diz pelo interno, ou por aquele que está no interno, que o homem nada pensa por si, mas que ou do céu (isto é, desde o Senhor por meio do céu), ou a partir do inferno: se ele pensa o bem, que é desde o Senhor por meio do céu; que se ele pensa o mal, que é a partir do inferno; isso se mostra absolutamente duro a quem quer pensar por si, e a quem crê que em tal caso ele nada seria, quando, todavia, isso é muitíssimo verdadeiro, e todos os que estão no céu estão na percepção de que assim seja. [2] Do mesmo modo se for dito pelo interno, ou pelos que estão no interno, que o regozijo em que estão os anjos provém do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo, a saber, quando eles estão no uso de cumprir as coisas que pertencem ao amor e à caridade, e que há neles um tal regozijo e uma tal felicidade que é absolutamente inefável, isso deve ser duro para aqueles que estão somente no regozijo proveniente do amor de si e do mundo, e em nenhum do amor ao próximo, a não ser que seja por causa de si; quando, todavia, o céu e o regozijo do céu começam então no homem quando expira a consideração de si nos usos que ele faz. [3] Seja ainda isto para servir de alguma sorte de exemplo: se for dito pelo interno que a alma do homem não seja outra coisa senão o homem interno, e que o homem interno, depois da morte, aparece absolutamente como homem no mundo, com semelhante face, semelhante corpo, semelhante faculdade sensitiva e semelhante faculdade cogitativa; os que favoreceram a opinião a respeito da alma, que ela é apenas alguma coisa de cogitativo e, assim, de quase etéreo, como se fosse sem forma, e que ela deve de novo revestir um corpo, esses considerarão um afastamento do vero dizer que alma é tal, e para aqueles que creem que o homem é somente o corpo, ser-lhes-á duro ouvir que a alma é o homem mesmo e que o corpo que se enterra não serve para nada na outra vida. Que isso seja verdadeiro, sei, pois, pela Divina Misericórdia do Senhor, estive com eles, não com alguns, mas com muitos, não uma vez, mas muitas vezes, e conversei com eles a respeito disso. O mesmo acontece com inúmeros outros casos.