. ‘Um pouco de resina, e um pouco de mel’; que signifique os veros que pertencem ao bem natural exterior e o prazer desse bem, vê-se pela significação da ‘resina’, que é o vero que pertence ao bem, ou o vero proveniente do bem (n. 4748); o motivo por que a resina significa isso é porque ela está entre as substâncias untuosas, e também entre as substâncias aromáticas; as substâncias que são aromáticas significam tais coisas que pertencem ao vero proveniente do bem, e mais ainda quando elas são ao mesmo tempo untuosas e, por isso, tiram alguma coisa do óleo, pois o ‘óleo’ significa o bem (n. 886, 3728, 4582). Que essa resina tenha sido aromática, foi visto (Gn. 37:25); e por isso também a mesma palavra, na língua original, significa o bálsamo. Que ela tenha sido untuosa ou grosseiramente oleosa, isso se vê. Daí vem então que pela ‘resina’ é significado o vero que pertence ao bem que está no natural; aqui, no exterior, porque ela está posta em primeiro lugar e adjunta ao mel que é o prazer ali. Que o ‘mel’ seja o prazer, é porque ele é doce, e toda coisa doce no mundo natural corresponde ao prazer e à amenidade no mundo espiritual. Que se diga o prazer dele, a saber, do vero proveniente do bem no natural exterior, é porque todo vero, e ainda mais o vero que pertence ao bem, tem o seu prazer, mas um prazer proveniente da afeição deles e, portanto, do uso. [2] Que o ‘mel’ seja o prazer, pode-se também ver por outras passagens na Palavra, como em Isaías: “A virgem conceberá e parirá um filho, e chamará o Nome d’Ele Emanuel (Deus conosco); manteiga e mel comerá, a fim de que saiba Ele rejeitar o mal e escolher o bem” (7:14, 15); aí se trata do Senhor; a ‘manteiga’ está em lugar do celeste, e o ‘mel’, em lugar o que provém do celeste. [3] No mesmo: “Acontecerá [que] em razão da multidão de leite que se fará, comerá manteiga; porque comerá manteiga e mel todo [aquele que ficar] de resto no meio da terra” (Is. 7:22); aí se trata do Reino do Senhor; o ‘leite’ está no lugar do bem espiritual, a ‘manteiga’, do bem celeste, e o ‘mel’, do que provém deles, assim, em lugar da felicidade, da amenidade, do prazer. [4] Em Ezequiel: “Assim adornada foste de ouro e prata; e as tuas vestimentas [eram] de linho fino e de seda, e bordado; farinha fina e mel e azeite comias, donde foste feita de tal modo muito bela; e te prosperaste até o reino, ... de farinha fina, de azeite e de mel te alimentaste; tu, porém, puseste isso diante delas como cheiro de repouso” (16:13, 19); aí se trata de Jerusalém, pela qual se entende a igreja espiritual; ela é descrita tal qual foi entre os antigos e, em seguida, tal qual se tornou. Que ela tenha sido adornada de ouro e prata, é que o foi do bem e do vero celestes e espirituais; as suas ‘vestimentas de linho fino, de seda e bordado’ estão pelos veros no racional e em um e outro natural; a ‘farinha fina’ está em lugar do espiritual, o ‘mel’ em lugar da amenidade, e o ‘azeite’, do bem; que por cada uma dessas coisas sejam significadas as coisas pertencentes ao céu, qualquer um pode ver. [5] No mesmo: “Judá e a terra de Israel foram os teus negociantes em trigos de minnith e pannag, e em mel e azeite, e em bálsamo” (Ez. 27:17); trata-se aí de Tiro, pelo qual é significada a igreja espiritual tal qual ela era no começo e tal qual ela se tornou depois, mas quanto às cognições do bem e do vero (n. 1201); o ‘mel’ aí também está pela amenidade e o prazer proveniente das afeições de saber e aprender os bens e os veros celestes e espirituais. [6] Em Moisés: “Fazes cavalgar sobre as alturas da terra, e alimenta com o produto dos campos, fá-lo sugar o mel do rochedo e o azeite da penha da rocha” (Dt. 32:13); aí se trata também da Igreja Antiga espiritual; ‘sugar o mel do rochedo’ está pelo prazer proveniente dos veros dos conhecimentos. [7] Em Davi: “Dar-lhes-ei comida da gordura do trigo, e de mel da rocha os fartarei” (Sl. 81:17 [Em JFA, 81:16]); ‘fartar do mel da rocha’ está em lugar do prazer proveniente dos veros da fé. [8] No Deuteronômio: “JEHOVAHte guiará à terra boa; terra de ribeiros de água, de fontes e de abismos, saindo do vale e da montanha; terra de trigo e de cevada, e de vide e de figueira, e de romãzeira; terra de oliveira, do azeite e do mel” (8:7, 8); trata-se da terra de Canaã, e, no sentido interno, do Reino do Senhor nos céus, uma ‘terra de oliveira, de azeite e de mel’ está pelo bem espiritual e a amenidade desse bem. [9] Daí também a terra de Canaã é denominada “terra manando leite e mel” (Nm. 13:27; 14:7, 8; Dt. 26:9, 15; 27:3; Jr. 11:5; 32:22; Ez. 20:6); aí, no sentido interno, pela ‘terra de Canaã’ se entende, como foi dito, o Reino do Senhor; ‘manando leite’ está em lugar da abundância dos celestes dos espirituais, e ‘manando mel’, da abundância das felicidades e dos prazeres daí provenientes. [10] Em Davi: “Os juízos de JEHOVAH [são] a verdade, justos [são] juntamente mais desejáveis do que o ouro e mais do que o ouro muito puro, e mais doces do que o mel, e do que destila dos favos” (Sl. 19:10, 11 [Em JFA, 19:9, 10]); os ‘juízos de JEHOVAH’ são o Vero Divino; ‘mais doces do que o mel e do que o que destila dos favos’ está pelos prazeres provenientes do bem e as amenidades provenientes do vero. No mesmo: “Doces são ao meu paladar as tuas palavras, mais do que o mel à minha boca” (Sl. 119:103); igualmente. [11] O ‘maná’, que era como pão para os pósteros de Jacó no deserto, é assim descrito em Moisés: “O maná era como a semente de coentro, branco, e o seu gosto como de um bolo de mel amassado” (Êx. 16:31). Como o ‘maná’ significava o Vero Divino, que desce do Senhor pelo céu, por conseguinte, ele significa o Senhor mesmo quanto ao Divino Humano, como Ele ensina em João (6:51, 58). Com efeito, é do Divino Humano do Senhor que provém todo vero Divino, e mesmo de quem trata todo vero Divino; e porque é assim, o maná é descrito quanto ao prazer e a amenidade por meio do gosto [ou paladar], que era ‘como o de um bolo amassado feito com mel’. Que o ‘paladar’ [ou gosto] seja o prazer do bem e a amenidade do vero, foi visto (n. 3502). [12] Como João Batista, do mesmo modo que Elias, representava o Senhor quanto à Palavra, que é o Divino vero na terra (n. 2762, 5247 no fim), é por isso que ele foi o Elias que devia vir antes do Senhor (Ml. 3:23; Mt. 17:10, 11, 12; Mc. 9:11, 12, 13; Lc. 1:17); é por essa razão que as vestimentas dele e os alimentos eram significativos; a respeito deles se fala em Mateus: “João tinha a sua vestimenta de pelos de camelo, e um cinto de couro ao redor dos seus lombos, seu alimento eram gafanhotos e mel agreste” (3:4; Mc. 1:6); a ‘vestimenta de pelos de camelo’ significava a Palavra qual ela é em seu sentido literal quanto ao vero, esse sentido é uma vestimenta para o sentido interno, a saber, porque ele é natural, visto que o natural é significado pelos ‘pelos’, e também pelos ‘camelos’, e o alimento que se compunha de ‘gafanhotos e mel agreste’ significava a Palavra qual é o seu sentido literal quanto ao bem; o seu prazer é significado pelo ‘mel agreste’. [13] O prazer do Vero Divino quanto ao sentido externo é também descrito como o mel em Ezequiel: “Disse-me: Filho do homem, ao teu ventre dá de comer, e as tuas vísceras enche com este volume que Eu dou a ti: E quando [o] comi, foi na minha boca como mel quanto à doçura” (3:3). E em João: “O Anjo me disse: Toma o livrinho e devora-o, na verdade, tornará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel. Tomei, pois, o livrinho da mão do Anjo, devorei; este era, na minha boca, doce como o mel, mas quando o comi, tornou-se amargo o meu ventre. Então disse-me: Convém que tu novamente profetizes sobre os povos e nações, e línguas, e muitos reis” (Ap. 10:9, 10, 11); o ‘volume’ em Ezequiel e o ‘livrinho’ em João estão em lugar do Vero Divino; que esse Vero, na forma externa, apareça prazeroso, é significado por isso, que o sabor dele era ‘doce como o mel’. Com efeito, o Vero Divino, do mesmo modo que a Palavra, é prazeroso na forma externa, ou no sentido literal, porque ele se deixa explicar a favor de qualquer um por meio de interpretações; mas não acontece o mesmo com o sentido interno, o qual é, por isso, significado pelo ‘sabor amargo’, porquanto esse sentido põe a descoberto os interiores do homem. Que o sentido externo seja prazeroso, a causa é a que foi dita, que as coisas que nele estão possam ser explicadas a favor de cada um; ali estão somente veros gerais, e os gerais são tais antes de terem sido qualificados pelos particulares, e estes pelos singulares; então ele é prazeroso, porque é natural e o espiritual se esconde interiormente; ele deve também ser prazeroso a fim de que o homem o receba, isto é, a fim de que ele seja nele introduzido e não se desvie dele no primeiro limiar. [14] O ‘favo de mel’ e o ‘peixe assado’ que o Senhor come, depois da ressurreição, com os discípulos, significam o sentido externo da Palavra; o ‘peixe’, quanto ao seu vero, e o ‘favo de mel’, quanto ao seu deleite; a este respeito se fala assim em Lucas: “Jesus disse: Não tendes alguma coisa para comer aqui? Eles Lhe deram do peixe assado um pedaço e de um favo de mel,569 os quais, tomando diante deles, comeu” (24:41, 42, 43); e porque são significadas essas coisas, por isso o Senhor lhes disse: “Estas são as palavras que vos falei quando ainda estava convosco, que convinha que fossem cumpridas todas as coisas que foram escritas na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos, a respeito de Mim” (ibid. vers. 44). Parece como se tais coisas não fossem significadas, porque que tivessem um pedaço de peixe assado e um favo de mel, é visto como algo fortuito proveniente do acaso, mas tinha acontecido, entretanto, a partir do que foi provido; e não só foi provido isso, mas também todas as outras coisas, mesmo quanto as mínimas de todas as coisas que estão na Palavra. Como tais coisas eram significadas, por isso o Senhor dizia da Palavra, que [todas as coisas que] nela tinham sido escritas tratavam d’Ele570. Contudo, as coisas que foram escritas a respeito do Senhor na Palavra do Antigo Testamento são poucas no sentido da letra, porém, das que estão no sentido interno, todas tratam d’Ele, uma vez que é daí que vem a santidade da Palavra. São essas coisas que se entendem por “convinha que fossem cumpridas todas as coisas que foram escritas na Lei de Moisés, e nos Profetas e nos Salmos, a respeito de Mim”. [15] A partir dessas explicações, pode-se agora ver que pelo ‘mel’ é significado o prazer que provém do bem e do vero, ou da afeição deles, e que em especial ele significa o prazer externo, assim, o prazer do natural exterior. Esse prazer, porque é tal que existe por meio dos sensuais vindos do mundo, e assim contém em si muitas coisas provenientes do amor do mundo, é por isso que fora proibido empregar mel nas ofertas de manjares [minchis]; do que assim se trata em Levítico: “Toda minchá que oferecerdes a JEHOVAH, não será feito fermentado; porquanto de nenhum fermento, ou nem de nenhum mel oferecereis oferta queimada a JEHOVAH” (2:11); o ‘mel’ está em lugar de um tal prazer externo, que porque contém em si coisas provenientes do amor do mundo, também era equivalente ao fermento, por essa razão ele era proibido. O que é o ‘fermento’ ou o ‘fermentado’, foi visto (n. 2342).