. ‘E tomai prata em dobro em vossas mãos’; que signifique o vero recebido nos poderes, vê-se pela significação da ‘prata’, que é o vero (n. 1551, 2154); pela significação de ‘em dobro’, que é sucessivamente um segundo (n. 1335), a saber, o vero de que eles tinham sido dotados gratuitamente, e de que eles devem novamente ser dotados; e pela significação das ‘mãos’, que são os poderes (n. 878, 3387, 4931, 4937, 5327, 5328). O vero nos poderes é nas faculdades de receber, assim, segundo as faculdades; mas as faculdades (ou poderes) de receber o vero se têm absolutamente segundo o bem, pois o Senhor os ajunta ao bem. Com efeito, quando o Senhor influi com o bem, Ele influi também com a faculdade; daí o vero recebido nos poderes é segundo os bens. Que as faculdades de receber o vero existam segundo o bem, pode-se ver na outra vida por muitas experiências. Aqueles que ali estão no bem, esses têm a faculdade não só de perceber o vero, mas também de recebê-lo; contudo, segundo a quantidade do bem e a qualidade do bem em que estão. Por sua vez, aqueles que estão no mal, esses, ao contrário, não têm nenhuma faculdade de receber o vero; vem isso do prazer e do desejo que daí resulta [ex volupi, et inde desiderio]. Aqueles que estão no bem, para esses o deleite [volupe] é aperfeiçoar o bem por meio do vero, pois o seu bem recebe a qualidade dos veros, razão também por que desejam os veros. Mas aqueles que estão no mal, esses têm por prazer [volupe] fazer o mal e confirmá-lo pelos falsos; é também por esse motivo que eles desejam os falsos, e como desejam os falsos, têm aversão pelo veros. Daí vem que eles não têm nenhuma faculdade de receber os veros, visto que eles ou os rejeitam, ou os sufocam, ou os pervertem assim que chegam ao seu ouvido ou ao seu pensamento. Além disso, todo homem que é de uma mente sã está na faculdade de receber os veros, mas aqueles que se convertem para o mal extinguem essa faculdade; porém, aqueles que se convertem para o bem elevam essa faculdade.