ac 5639

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E José viu Benjamin com eles’; que signifique a apercepção, pelo celeste do espiritual, do intermediário espiritual nos veros, é isso evidente pela significação de ‘ver’, que é entender e aperceber (n. 2150, 2807, 3764, 4567, 4723, 5400); pela representação dos ‘dez filhos de Jacó’, que aqui são ‘com eles’, ou seja, aqueles com os quais José viu Benjamin, que são os veros no natural (n. 5403, 5419, 5427, 5458, 5512); e pela representação de ‘Benjamin’, que é o intermediário (n. 5411, 5413, 5443). Que aqui se diga ‘intermediário espiritual’, é porque os veros, que são representados pelos dez filhos de Jacó, deviam nesse momento estar conjungidos com o Vero procedente do Divino, que é José, e essa conjunção não acontece senão pelo intermediário, que é espiritual; é por isso que quando esse intermediário foi apercebido, logo segue o estado que “José diria ao varão [que estava] sobre a sua casa: Traze os varões a casa, e imolando imola, e prepara, porque os varões comerão comigo ao meio-dia”, pelo que é significado que eles deviam ser introduzidos e conjungidos, porque estavam com o intermediário.
[2] É necessário dizer ainda em poucas palavras o que é o espiritual relativamente ao natural, porque a maioria dos que estão no mundo cristão ignoram o que é o espiritual a tal ponto que, quando ouvem pronunciar essa palavra, hesitam, e dizem consigo que ninguém sabe o que é o espiritual. O espiritual em sua essência, no homem, é a afeição mesma do bem e do vero por causa do bem e vero, e não por causa de si; depois, a afeição do justo e do equitativo por causa do justo e equitativo, e não por causa de si. Quando o homem sente em si o prazer e a amenidade, e mais ainda se sente satisfação e bem-aventurança provenientes dessas afeições, isso nele é o espiritual, que não vem do mundo natural, mas do mundo espiritual, ou do céu, isto é, procede do Senhor por meio do céu. É, pois, esse o espiritual que, quando reina no homem, afeta e, por assim dizer, dá colorido a tudo que ele pensa, a tudo que ele quer e a tudo que ele faz, e que faz com que as coisas pensadas e os atos de sua vontade participem do espiritual, a tal ponto que, enfim, quando ele passa do mundo natural para o mundo espiritual, elas se tornam nele espirituais. Em suma, a afeição da caridade e da fé, isto é, do bem e do vero, e o prazer e a amenidade, e mais ainda a satisfação e a bem-aventurança, que são interiormente sentidos no homem e fazem dele um homem verdadeiramente cristão; eis o espiritual.
[3] Que no mundo cristão a maioria ignore o que é o espiritual, é porque eles fazem da fé o essencial da igreja e não a caridade; daí, como há poucos destes que se preocupam com a fé, pensam pouco, se é que pensam alguma coisa, a respeito da caridade, e não conhecem o que é a caridade; por isso, como não há cognição, não há percepção da afeição que pertence à caridade; e quem não está na afeição da caridade não pode de modo algum saber o que é o espiritual; principalmente hoje, quando dificilmente existe alguma caridade em alguém, porque é o último tempo da igreja. Mas cumpre saber que o espiritual em um sentido geral significa a afeição tanto do bem como do vero; por isso o céu se chama mundo espiritual, e o sentido interno da Palavra, sentido espiritual; mas especificamente aquilo que pertence à afeição do bem chama-se celeste, e aquilo que pertence à afeição do vero chama-se espiritual.

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