. ‘Por serem trazidos à casa de José’; que signifique que os veros que pertencem ao natural estavam adjungidos e sujeitados ao interno, vê-se pela significação de ‘ser trazido à casa de José’, que é ser conjungido e sujeitado ao interno; por ‘José’, com efeito, é representado o interno, porque [ele representa] o Vero procedente do Divino, ou o celeste do espiritual (n. 5307, 5331, 5332, 5417, 5469); e pela ‘casa’ é significado tanto o interno do homem, quanto o seu externo (n. 3128, 3538, 4973, 5023), aqui, o interno, porque se diz ‘à casa de José’; e por ‘ser trazido’, a saber, para o interno, é significado ser adjunto, e porque é ser adjunto, é também significado estar submetido. A razão disso, é que o natural, quando é adjunto ao interno, então lhe é sujeitado, visto que o mando, que pertencia anteriormente ao homem natural, torna-se, depois, do homem espiritual. Na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor, se tratará desse mando. [2] Deve-se dizer, em poucas palavras, como acontece com o sentido interno. O sentido interno da Palavra é, sobretudo, para os que estão na outra vida; aqueles que ali estão, quando estão juntoao homem que lê a Palavra, percebem-na segundo o sentido interno, já que segundo o sentido externo eles não entendem nenhuma das palavras humanas, mas somente o sentido das palavras, e este, não segundo os pensamentos naturais do homem, mas segundo os seus pensamentos, que são espirituais; o sentido natural que está no homemé logo mudado nesse sentido espiritual. Acontece com isso como o que acontece quando alguém traduz a língua de um outro na sua, que é outra, o que ocorre subitamente; do mesmo modo o sentido do pensamento natural humano é traduzido no espiritual, porquanto a língua ou a linguagem espiritual é própria aos anjos, a natural é por sua vez própria ao homem. Que a mudança de uma dessas línguas na outra seja tão súbita, é porque há uma correspondência de todas e cada uma das coisas que estão no mundo natural com as que estão no mundo espiritual. [3] Ora, como o sentido interno da Palavra é principalmente para aqueles que estão no mundo espiritual, é por isso que tais coisas são aqui lembradas no sentido interno; estas são para eles e as que lhes proporcionam agrados suaves e prazeres. Porém, quanto mais interiores são tais coisas, mais afastadas elas estão da compreensão dos homens, para os quais as coisas que pertencem ao mundo e ao corpo são os únicos agrados e prazeres, e quando é assim, as coisas espirituais, que pertencem ao sentido interno, eles as têm como vis e têm, também, repugnância [por elas]. Cada um examine em si se as coisas que estão contidas no sentido interno nestas explicações, que agora se seguem, não são para si nauseantes e enfadonhas, quando todavia elas não são senão as coisas pelas quais as sociedades angélicas mais se deleitam; daí também, quem refletir pode ver claramente qual diferença há entre os prazeres dos homens e os prazeres dos anjos; depois, em quais coisas os anjos põem a sabedoria, e em quais os homens a põem, a saber, que os anjos põem a sabedoria em coisas tais que o homem tem náusea e é averso, e que o homem põe a sabedoria em coisas tais que os anjos absolutamente não se importam, e muitos, em coisas tais que os anjos rejeitam e fogem.