. ‘E disseram: Sobre a palavra da prata restituída em nossos alforjes no começo nós somos trazidos’; que signifique porque o vero no natural exterior mostra-se dado gratuitamente, que por isso eles seriam submetidos, vê-se pela significação da ‘prata restituída’, que é o vero dado gratuitamente (n. 5530, 5624); pela significação do ‘alforje’, que é o limiar [ou a entrada] do natural exterior (n. 5497); e pela significação de ‘ser trazido’, que é ser adjunto e ser submetido, do que se tratou logo acima (n. 5648). [2] Isso se tem assim: como foi percebido que os veros dos conhecimentos no natural exterior eram dados gratuitamente, e por isso eles seriam levados a se conjungir com o interno e, assim, lhe seriam submetidos, por isso, como acima foi dito, eles seriam privados de seu livre e, portanto, de todo o prazer da vida. Que seja assim, a saber, que se tenha percebido que os veros dos conhecimentos tinham sido dados gratuitamente, e isso no natural, seja ele exterior ou interior, é o que se ignora completamente; a causa é porque isso não está em percepção alguma, uma vez que não se sabe de modo algum o que é dado gratuitamente ao homem, e menos ainda o que é depositado no natural exterior e o que o é no natural interior. Há uma causa geral pela qual o homem não percebe isso, é que as coisas mundanas e terrenas lhe tomam o coração, e não as coisas celestes e espirituais, e que, por isso, ele não crê em nenhum influxo procedente do Senhor por meio do céu, assim, ele não crê de modo algum que lhe seja dada alguma coisa, quando, entretanto, todo esse vero que ele conclui racionalmente a partir dos conhecimentos, e que ele supõe tirar de seu próprio poder, é tal coisa que lhe foi dada. O homem pode menos ainda perceber se isso foi posto no natural exterior ou no natural interior, porque ele ignora que o natural seja duplo, a saber, o exterior que se aproxima dos sentidos externos, e o interior, que deles se afasta e se volta para o racional. [3] Como o homem está na ignorância a respeito destas e daquelas coisas, é por isso que ele não pode ter nada da percepção de tais coisas; a cognição de uma coisa deve preceder para que haja percepção dela. Mas as sociedades angélicas sabem e percebem perfeita e claramente essas coisas, não apenas o que lhes é dado gratuitamente, mas também onde isso está; o que se pode constatar por esta experiência: Quando algum espírito que está no bem e, daí, na faculdade, chega a uma sociedade angélica, ele então vem ao mesmo tempo em toda a ciência e em toda a inteligência que possui a sociedade, em que ele não tinha estado antes; e então ele não pode saber outra coisa, senão que tinha sabido isso e tinha entendido assim anteriormente e por si; mas quando reflete, ele apercebe que isso lhe é dado gratuitamente pelo Senhor por meio dessa sociedade angélica; e sabe também a partir dessa sociedade angélica onde isso está, se é no natural exterior ou no natural interior. De fato, há sociedades angélicas que estão no natural exterior e as há que estão no natural interior. No entanto, o natural não é para eles um natural qual o do homem, mas é um natural espiritual, que se tornou espiritual por isto: que fora conjunto e sujeitado ao espiritual. [4] A partir dessas explicações, pode-se ver que as coisas que são lembradas aqui no sentido interno existem assim em realidade na outra vida, a saber, que apercebam o que lhes é dado gratuitamente, depois onde isso é colocado, embora o homem hoje nada saiba a respeito de tais coisas. Nos tempos antigos, porém, aqueles que eram da igreja sabiam essas coisas, os seus conhecimentos ensinavam, e também os doutrinais. Eles eram homens interiores; mas desde aqueles tempos os homens se tornaram sucessivamente exteriores, ao ponto que hoje eles estão no corpo, assim, no externo; o que é um indício desse fato, é que eles não sabem sequer o que vem a ser o espiritual, nem o que é o interno, e que não creem que haja um espiritual e um interno; e mais, eles passaram dos interiores para um tal extremo no corpo, que sequer creem que haja uma vida depois da morte, nem que haja um céu e um inferno; enfim, por essa retirada desde os interiores até um tal extremo, tornaram-se tão estúpidos nas coisas espirituais, que creem ser a vida do homem semelhante à vida das bestas, e assim, que o homem deve morrer como eles; e o que é admirável é que os eruditos creem mais do que os simples em tais coisas, e quem crê de outro modo é tido, aos olhos deles, como um simplório [pro simplici].