Texto
. ‘E para nos tomar para servos, e aos nossos jumentos’; que signifique ao ponto que seja o que for que estiver em um e outro natural nada seja, vê-se pela representação dos ‘dez filhos de Jacó’, que falam estas coisas a respeito de si, que são os veros no natural (n. 5403, 5419, 5427, 5458, 5512); pela significação dos ‘servos’, que são as coisas de pouca importância (n. 2541), aqui, de nenhuma, do que se tratará no que segue; e pela significação dos ‘jumentos’, que são as coisas que estão no natural, que são os conhecimentos (n. 5492), aqui, no natural exterior, porque os veros que são significados pelos ‘filhos de Jacó’ estão no natural interior.
[2] Quanto a isto, que seja o que for que estiver em um e outro natural nada seja, assim acontece: para que o homem se torne espiritual, é necessário que o seu natural se torne como nada, isto é, que não possa absolutamente nada por si. Com efeito, quanto mais o natural pode por si, tanto mais o espiritual não pode, porque o natural, desde a infância, de nenhuma outra coisa se imbuí senão de coisas que pertencem às cobiças de si e do mundo, assim, das contrárias à caridade; esses males fazem com que o bem não possa influir do Senhor por meio do homem interno, pois qualquer coisa que influi é mudada em mal no natural. O natural é o plano em que termina o influxo; é por isso que, a não ser que o natural, isto é, o mal e o falso que tinham formado o natural, se torne coisa nenhuma, o bem não pode de modo algum influir do Senhor pelo céu, ele não recebe hospitalidade, mas é dissipado, já que não pode morar no mal e no falso. Daí vem que tanto se fecha o interno quanto o natural não se torna como nada. Sabe-se também na igreja, a partir do doutrinal, que o velho homem deve ser despojado para que o novo seja revestido.
[3] A regeneração não é outra coisa senão que o natural seja subjugado e o espiritual obtenha o domínio; e, então, o natural é subjugado quando é reduzido à correspondência; e quando o natural foi reduzido à correspondência, então ele não reage mais, mas age assim como é mandado e segue o primeiro sinal da vontade do espiritual, não muito diferente do que os atos do corpo se seguem ao primeiro sinal da vontade, e como a linguagem com a face segundo influxo do pensamento. Daí é evidente que o natural deve se tornar absolutamente como nada quanto ao querer para que o homem se torne espiritual.
[4] Mas é necessário saber o porquê de o velho natural dever se tornar como nada. Este, com efeito, foi formado pelos males e falsos, e quando ele ficou reduzido a nada, então o homem é dotado de um novo natural, que se chama natural espiritual; o espiritual provém dele, porque é o espiritual que age por meio dele e se manifesta por meio dele, assim como a causa por meio do efeito. Sabe-se que a causa é tudo do efeito; daí, o novo natural quanto ao pensar, ao querer e ao produzir o efeito não é nada mais do que o representativo do espiritual. Quando isso acontece, então o homem recebe o bem procedente do Senhor, e quando ele recebe o bem, ele é dotado de veros; e quando é dotado de veros é aperfeiçoado em inteligência e sabedoria; e quando é aperfeiçoado em inteligência e sabedoria, ele é bem-aventurado de felicidade pela eternidade.