Texto
. ‘A nossa prata em seu peso’; que signifique os veros segundo o estado de cada um, vê-se pela significação da ‘prata’, que é o vero (n. 1551, 2954); e pela significação do ‘peso’, que é o estado da coisa quanto ao bem (n. 3104); assim, os veros segundo o estado de cada um, é segundo o bem que eles podem receber. Os pesos e as medidas são mencionados em um grande número de passagens da Palavra, mas no sentido interno eles não significam nem pesos nem medidas, mas os ‘pesos’ significam os estados da coisa quanto ao bem, e as ‘medidas’ os estados da coisa quanto ao vero; como também a gravidade e a extensão. A gravidade que há no mundo natural corresponde ao bem no mundo espiritual, e a extensão corresponde ao vero. A causa vem de que no céu, de onde provém as correspondências, não há gravidade nem extensão, porque não há espaço. Na realidade, entre os espíritos aparecem coisas pesadas e extensas, mas são aparências oriundas dos estados do bem e do vero no céu superior.
[2] Que a ‘prata’ signifique o vero, era muitíssimo sabido nos tempos antigos; daí os antigos tinham distinguido os tempos, desde a primeira idade até o último tempo do mundo, em séculos de ouro, de prata, de cobre e de ferro, aos quais eles também tinham acrescentado os de barro. Eles chamaram séculos de ouro àqueles tempos quando havia a inocência e a integridade, e quando cada um fazia o bem por causa do bem e o justo por causa do justo; mas chamaram séculos de prata a esses tempos em que não havia mais a inocência, mas ainda uma espécie de integridade que consistia não no fato de que fizessem o bem por causa do bem, mas nisto, que fizessem o vero por causa do vero. Mas eles chamavam séculos de cobre e de ferro aos tempos que são ainda mais inferiores.
[3] Que assim denominaram os tempos, não era por comparação, mas sim por correspondência. Com efeito, os antigos souberam que a prata correspondia ao vero, e o ouro ao bem, e eles o souberam em razão da comunicação com os espíritos e com os anjos, pois quando no céu superior se fala a respeito do bem, embaixo, entre os que estão no primeiro ou último céu, abaixo dos que falam, aparece o ouro; e quando se fala a respeito do vero, ali aparece a prata, às vezes de modo que não só as paredes dos aposentos onde eles habitam brilham como o ouro e a prata, mas também a atmosfera mesma ali; e também entre os anjos do primeiro ou do último céu, que estão no bem por causa do bem, aparecem mesas de ouro, castiçais de ouro, e muitos outros objetos; mas entre aqueles que estão no vero por causa do vero, tais objetos aparecem de prata. Mas quem hoje sabe que pelos antigos os tempos tinham sido chamados séculos de ouro e de prata a partir da correspondência? E mesmo, quem hoje sabe alguma coisa a respeito da correspondência? E quem nada conhece a respeito, e mais ainda, quem põe seu deleite e a sua sabedoria nisto, em disputar se tal coisa é ou não é, esse não pode sequer ter a menor noção a respeito dos inumeráveis [arcanos] que pertencem à correspondência.