Texto
. ‘E outra prata fazemos descer em nossa mão para comprar comida’; que signifique que a disposição é para adquirir em outra parte o bem pelo vero, vê-se pela significação da ‘prata’, que é o vero, doque se tratou logo acima (n. 5657); e porque pela ‘prata’ é significado o vero, por ‘outra prata’ é significado um outro vero; daí, um vero de outra parte. Como não há outro vero que seja genuíno, senão o que se dá gratuitamente pelo Senhor, assim, o vero mesmo não procede de outra parte. E também se vê pela significação de ‘fazer descer’, que é a disposição para adquirir, a saber, o bem que pertence ao vero que é significado pelo ‘grão’ que eles deviam comprar. O sentido histórico da letra envolve que outra prata viria também para José, para por ela comprar comida, assim não ia a outra parte; mas o sentido interno não permanece no sentido histórico da letra, ele não cuida deste sentido, mas está na coisa mesma de que se trata; essa coisa é que, se fossem submetidos como servos em consequência de que alguns veros foram dados gratuitamente no natural exterior, que iriam adquirir em outra parte o bem por meio vero. Tal é também a série no sentido interno, pois logo se diz: “não sabemos quem pôs a prata em nossos alforjes”, pelo que é significado que eles não acreditavam porque não sabiam de quem provinha o vero no natural exterior.
[2] Semelhante coisa existe na outra vida com os espíritos, estes por meio dos veros são iniciados no bem, e principalmente neste: que todo bem e vero influem do Senhor, e quando apercebem que tudo que eles pensam e querem influi, e assim, que eles não podem pensar nem querer por si, então resistem o quanto podem, crendo que dessa forma a vida própria seria nula para eles, e que assim pereceria todo prazer, pois põem o prazer no proprium; e, além disso, se eles não pudessem fazer o bem por si mesmos, nem crer o vero por si mesmos, que deveriam ficar com os braços cruzados sem nada fazer nem pensar por si mesmos, e esperariam o influxo. E lhes é permitido pensar assim, e até mesmo quase concluir consigo que querem saber o bem e o vero não daí, mas de outra parte onde não há uma tal privação do proprium. Às vezes também se permite que eles procurem onde possam encontrá-lo; mais tarde, porém, quando não encontram nada, aqueles que são regenerados retornam, e pelo livre escolhem serem conduzidos pelo Senhor quanto ao querer e ao pensar. Eles são então também informados de que receberão um proprium celeste tal qual o dos anjos, e com esse proprium a bem-aventurança e a felicidade pela eternidade.
[3] Quanto ao que diz respeito ao proprium celeste, este existe pela nova vontade, que é dada pelo Senhor, e difere do proprium do homem nisto, que não mais visem a si em todas e cada uma das coisas que fazem, nem em todas e cada uma das que aprendem e ensinam, mas que então visem o próximo, o público, a igreja, o Reino do Senhor e, assim, o Senhor mesmo. São os fins da vida que são mudados, os fins de visar as coisas inferiores, a saber, o mundo e a si próprio, são afastados, a os fins de visar as coisas superiores substituem os fins afastados. Os fins da vida não são outra coisa a não ser a vida mesma do homem, pois os fins são o querer mesmo do homem, e são os amores mesmos dele, pois as coisas que o homem ama, ele as quer e as tem como fim. Aquele que é dotado de um proprium celeste, esse também está na tranquilidade e na paz, pois tem confiança no Senhor e crê que nada de mal o atinge, e sabe que as cobiças não o infestam; e além disso, aqueles que estão no proprium celeste estão no livre mesmo, pois ser conduzido pelo Senhor é o livre, visto que se é conduzido no bem, do bem ao bem. Daí se pode ver que eles estão na bem-aventurança e na felicidade, pois nada há que perturbe, nada do amor de si, por consequência, coisa alguma da inimizade, do ódio, da vingança; nem coisa alguma do amor do mundo, consequentemente, coisa alguma da fraude, do temor, da inquietação.