Texto
. ‘E para os egípcios que comiam com ele a sós’; que signifique a separação em relação aos conhecimentos que estavam na ordem inversa, vê-se pela representação dos ‘egípcios’, que são os conhecimentos que estão na ordem inversa, do que se tratará no que segue; e pela significação de que ‘comiam com ele a sós’, que é a separação, como logo acima (n. 5699). Pelos ‘egípcios que comiam com ele’ se entendem os egípcios que comiam perto de José; que eles não comiam com José é evidente, porque comiam a sós. Pelo ‘Egito’ ou pelos ‘egípcios’, no sentido bom, são significados os conhecimentos da igreja (ver os n. 1462, 4749, 4964, 4966); mas no sentido oposto são significados os conhecimentos que estão em ordem invertida, portanto, que são contrários aos veros da igreja (n. 1164, 1165, 1186). Neste sentido o ‘Egito’ é mencionado em muitas passagens da Palavra. Que ‘Egito’ signifique esses conhecimentos é porque os conhecimentos da Igreja Antiga, que eram representativos e significativos das coisas celestes e espirituais, os quais eram cultivados entre os egípcios mais do que entre outros, foram vertidos por eles em magia; daí eles inverteram completamente os conhecimentos da igreja representativa.
[2] Diz-se estarem os conhecimentos na ordem inversa quando os homens abusam da ordem celeste para fazer o mal; a ordem celeste, com efeito, é que se faça o bem a todos. Por isso acontece que, quando invertem assim a ordem celeste, que finalmente negam as coisas Divinas, as coisas do céu e, consequentemente, as que são da caridade e da fé. Aqueles que se tornaram tais sabem, a partir dos conhecimentos, raciocinar penetrantemente e com esperteza, porque raciocinam a partir dos sensuais, e raciocinar a partir dos sensuais é raciocinar a partir das coisas que são externas, a saber, que pertencem ao corpo e ao mundo, as quais ocupam imediatamente os sentidos e os ânimos do homem. Tais coisas, a não ser que tenham sido iluminadas pela luz do céu e dispostas assim em uma ordem completamente diferente, põem o homem em tal obscuridade quanto às coisas celestes, que não só ele nada compreende delas, mas também as nega inteiramente e, por fim, as rejeita, e então, o quanto se permite, as blasfema. Quando os conhecimentos estão na ordem, eles foram dispostos pelo Senhor na forma do céu; mas quando os conhecimentos estão na ordem inversa, eles foram dispostos na forma do inferno, e então os muitíssimo falsos estão no meio, os que confirmam estão dos lados, mas os conhecimentos verdadeiros estão por fora, e por estarem por fora, não podem ter comunicação com o céu, onde reinam os veros; é por isso que os interiores foram fechados para eles, pois pelos interiores se vê o céu.