Texto
. ‘Pois isso [é] abominação para os egípcios’; que signifique que eles estão no oposto, vê-se pela representação dos ‘egípcios’, que são os que estão na ordem inversa (n. 5700); e pela representação dos ‘hebreus’, com os quais era para os egípcios uma abominação comer, que são aqueles que estão na ordem genuína (n. 5701), assim, há oposição entre eles, daí a aversão e, por fim, a abominação. Quanto ao que diz respeito à abominação, é necessário saber que aqueles que estão na ordem inversa, isto é, no mal e, daí, no falso, têm enfim de tal modo aversão ao bem e ao vero da igreja, que eles, quando ouvem a respeito, e mais ainda, quando ouvem a respeito dos interiores deles, os abominam de tal maneira, que sentem em si náuseas e disposições para o vômito. Disseram-me e mostraram-me isso quando eu me admirava de que o mundo cristão não recebesse esses interiores da Palavra; apareceram espíritos do mundo cristão, e tendo sido forçados de ouvir os interiores da Palavra, eles tiveram logo uma tal náusea, que declaram sentir neles como que uma forte vontade de vomitar; e foi dito que tal é o mundo cristão hoje em quase toda a parte. Que tal coisa aconteça, é porque os homens não estão em afeição alguma do vero por causa do vero, e menos ainda na afeição do bem em razão do bem [boni ex bono]; que pensem e falem alguma coisa extraída da Palavra ou proveniente do seu doutrinal, vem de um hábito desde a infância, e em razão do costume estabelecido, assim, é o externo sem o interno.
[2] Que todas as coisas pertencentes à Igreja Hebraica, que depois foi instituída entre os pósteros de Jacó, tinham sido uma abominação para os egípcios, é evidente não só pelo fato de que os egípcios não queriam sequer comer com eles, mas também que os sacrifícios, nos quais a Igreja Hebraica punha seu culto principal, eram uma abominação para eles, como é evidente em Moisés:
“Faraó disse: Ide, sacrificai [ao vosso Deus] na terra. Porém, disse Moisés: Não convém fazer assim, porque sacrificaríamos a abominação dos egípcios a JEHOVAH, nosso Deus; eis se sacrificarmos a abominação dos egípcios aos olhos deles, não nos apedrejarão?” (Êx. 8:21, 22 [Em JFA, 8:25, 26]);
depois, que era também para eles uma abominação apascentar gado e ser pastor, como é evidente em Moisés:
“Uma abominação para os egípcios é todo pastor de rebanho” (Gn. 46:34).
Assim, os egípcios tinham abominação a qualquer coisa que pertencia a essa igreja; a causa era porque primitivamente os egípcios também estiveram entre os que constituíram a Antiga Igreja Representativa (n. 1238, 2385), mas tinham posteriormente rejeitado o Deus da Antiga Igreja, isto é, JEHOVAH (ou o Senhor), e tinham adorado ídolos, principalmente bezerros; depois eles verteram em magia as coisas representativas e significativas mesmas das coisas celestes e espirituais da Igreja Antiga, que eles tinham haurido quando eram dessa igreja; daí com eles a ordem inversa e, consequentemente, abominação por todas as coisas que pertenciam à igreja.