. ‘O primogênito segundo a sua primogenitura, e o menor segundo a sua menoridade’; que signifique segundo a ordem dos veros sob o bem, vê-se pela significação de ‘sentar segundo a primogenitura e segundo a menoridade’, que é segundo a ordem dos veros sob o bem, visto que os ‘filhos de Israel’ representam os veros da igreja em sua ordem (ver a explicação dos cap. 29 e 30 deGênesis). Por isso, ‘sentar segundo o nascimento deles’ é segundo a ordem dos veros. Contudo, os veros da igreja, os quais os filhos de Israel representam, não vêm em nenhuma ordem a não ser pelo bem cristão, isto é, pelo bem da caridade para com o próximo e pelo amor ao Senhor, porquanto no bem está o Senhor e, por isso, no bem está o céu; consequentemente, no bem está a vida, assim, a força viva atuante, mas nunca no vero sem o bem. Que seja à equivalência de si mesmo que o bem põe em ordem os veros, vê-se manifestamente por um amor qualquer, até pelos amores de si e do mundo, assim pelo amor da vingança, do ódio, e de males semelhantes. Aqueles que estão nesses amores chamam o mal de bem, porque o mal é para eles um prazer. Este, assim chamado, “bem” deles põe em ordem os falsos, que são para eles veros, para queassim sejam favoráveis; e, por fim,todas essas coisas, a saber, os falsos que eles chamam veros, dispõe em uma tal ordem, que daí resulta a persuasão; mas essa ordem é tal qual a ordem no inferno. Ao contrário, a ordem dos veros sob o bem do amor celeste é tal qual a ordem nos céus, daí também o homem em que existe tal ordem, isto é, que é regenerado, é chamado pequeno céu, e é também o céu na mínima forma, visto que os seus interiores correspondem aos céus. [2] Que seja o bem que põe em ordem os veros, vê-se claramente pela ordem nos céus. Ali todas as sociedades foram dispostas segundo os veros sob o bem, os quais procedem do Senhor; o Senhor, com efeito, não é absolutamente senão o Divino Bem, o Divino Vero por sua vez não está no Senhor, mas procede do Senhor. É segundo esse Divino Vero sob o Divino Bem que foram postas em ordem todas as sociedades nos céus. Que o Senhor não seja absolutamente senão o Divino Bem, e que o Divino Vero não esteja n’Ele, mas proceda d’Ele, é o que pode ser ilustrado por uma comparação com o sol do mundo: o sol não é nada senão fogo, mas a luz não está nele, mas procede dele; e também as coisas pertencentes à luz no mundo, como as formas vegetais, também são dispostas na ordem pelo calor que procede do fogo do sol, e está na luz dele, como se vê pelas estações da primavera e do estio. Como toda a natureza é o teatro representativo do Reino do Senhor, assim também é este universal: o sol representa o Senhor; o fogo ali, o Seu Divino Amor; o calor que dali vem, o bem que flui desse amor; e a luz, os veros que pertencem à fé; e como essas coisas representam, também na Palavra pelo ‘sol’, no sentido espiritual, entende-se o Senhor (n. 1053, 1521, 1529, 1530, 1531, 3636, 3643, 4321 no fim, 5097, 5377); pelo ‘fogo’, o amor (n. 934, 4906, 5071, 5215); assim, o ‘fogo do sol’ é de um modo representativo o Divino Amor, daí, o calor é o bem que procede do amor Divino; que pela ‘luz’ se entenda o vero, foi visto (n. 2776, 3138, 3190, 3195, 3222, 3339, 3643, 3862, 3993, 4302, 4409, 4413, 4526, 5219, 5400).