Texto
. ‘E mandou àquele que [estava] sobre a sua casa, dizendo’; que signifique o influxo procedente dele [a se], vê-se pela significação de ‘mandar’, que é o influxo (n. 5486); e pela significação do ‘que [estava] sobre a sua casa’, que é o que comunicava. Que seja procedente dele, a saber, do interno celeste, que José representa, é evidente. Que ‘mandar’ seja o influxo, é porque no céu não se dá mando nem ordem a um outro, mas o pensamento é comunicado e, segundo o pensamento, o outro faz livremente; a comunicação do pensamento com o desejo querendo que alguma coisa aconteça é o influxo, e da parte daquele que recebe, é a percepção; por essa razão por ‘mandar’ é também significada a percepção (n. 3661, 3682). Além disso, no céu os anjos não só pensam, mas também falam entre si, mas a respeito dessas coisas que pertencem à sabedoria. Contudo, nos discursos deles não há presente coisa alguma de mando a um outro, já que ninguém quer ser senhor, e assim considerar o outro como servo, mas cada um quer prestar serviços e servir a outrem585. Daí fica claro qual é a forma do governo nos céus; essa forma é descrita pelo Senhor em Mateus:
“Não será assim entre vós; mas qualquer um que quiser dentre vós tornar-se grande, deve ser vosso servidor, e quem quer que queira ser o primeiro deverá ser vosso servo” (20:26, 27);
e no mesmo:
“Quem for o maior dentre vós será vosso servidor; qualquer um que se exaltar será humilhado, e qualquer um que se humilhar será exaltado” (23:11, 12).
Assim faz aquele que de coração ama o próximo, ou que sente o prazer e a bem-aventurança ao fazer o bem aos outros sem nenhum interesse de si, isto é, que tem a caridade para com o próximo.