Texto
. ‘Não [é] isto em que bebe o meu senhor?’ Que signifique que neles há o vero interior recebido do celeste, vê-se pela significação do ‘cálice’, que aqui é entendido por ‘isto em que bebe o meu senhor’, que é o vero interior (n. 5736); e pela representação de ‘José’, que é aqui o ‘meu senhor’, que é o celeste do espiritual (n. 5307, 5331, 5332), aqui o celeste, porque se trata do vero interior, que é espiritual e procede do celeste. Que ele tinha sido recebido, é significado por isso, que o cálice, por ordem de José, foi posto na boca do alforje de Benjamin.
[2] Eles são acusados como se tivessem pegado o cálice; que eles tenham sido acusados e, todavia, o cálice tinha sido posto, a causa se torna manifesta a partir do sentido interior, que é este: O vero que é dado pelo Senhor, este é a princípio recebido como se não fosse dado, visto que o homem, antes da regeneração, acredita que adquire por si mesmo o vero, e enquanto acredita nisso, ele está no furto espiritual. Que reivindicar para si o bem e o vero e atribuir à justiça e ao mérito de si seja subtrair ao Senhor o que é d’Ele, foi visto (n. 2609, 4174, 5135); para que isso fosse representado, foi feito assim por José, mas ainda que tenham sido acusados de furto, era para que a conjunção se fizesse, pois o homem, antes que tenha sido regenerado, não pode crer diferente senão assim. Na realidade, de boca ele diz, a partir do doutrinal, que todo vero da fé e todo bem da caridade procedem do Senhor, mas mesmo assim ele não crê nisso antes que a fé tenha sido implantada no bem, então pela primeira vez ele o reconhece de coração.
[3] Confessar pela doutrina é inteiramente diferente de confessar pela fé; confessar pela doutrina muitos o podem, até mesmo os que não estão no bem, pois a doutrina para eles é apenas um conhecimento, mas confessar pela fé não é possível a outros senão aos que estão no bem espiritual, isto é, na caridade para com o próximo. Que eles tenham sido acusados de furto para que a conjunção se fizesse, é evidente também a partir disso: que assim José os reconduziu a si, e os manteve por algum tempo no pensamento a respeito desse fato, e, depois, ele se manifestou a eles, isto é, se conjungiu.