Texto
. ‘Com quem for achado dentre os teus servos, então que morra’; que signifique que danado é aquele que fez tal coisa, vê-se pela significação de ‘morrer’, que é ser danado, porquanto a morte espiritual não é outra coisa senão a danação. Que aqueles que reivindicam para si o vero e o bem que pertencem ao Senhor não possam estar no céu, mas que fora do céu, é evidente pelas coisas que foram ditas logo acima (n. 5758); e aqueles que estão fora do céu, esses estão danados. No entanto, essa lei pertence ao juízo que provém do vero, mas quando o juízo é ao mesmo tempo proveniente do bem, então aqueles que fazem o vero e o bem e, por ignorância e simplicidade, os atribuem a si, estes não são danados, mas na outra vida são libertados por um modo de vastação; e, além disso, não são danados, visto que cada um deve fazer o vero e o bem como por si, mas ainda assim crer que é pelo Senhor (ver n. 2882, 2883, 2891). Quando se procede assim, então quando se cresce e que se progride em inteligência e fé, então se despoja dessa falácia, epor fim se reconhece de coração que todo seu empenho para fazer o bem e pensar o vero tenha procedido e proceda do Senhor. É também por isso que aquele que foi enviado por José de fato confirma esse juízo, mas logo rejeita, a saber, que devesse morrer aquele com quem fosse achado o cálice, já que disse: “também agora segundo as vossas palavras, assim [será] isso: com quem for achado será meu servo; e vós sereis inocentes”; pelo que é significada uma sentença mais branda. Mas acontece coisa diferente com aqueles que fazem isso não por ignorância nem por simplicidade, mas por princípios que eles confirmaram pela fé e também pela vida; mas ainda assim, como eles fazem o bem, o Senhor, por Misericórdia, reserva nestes alguma coisa da ignorância e da simplicidade.