. ‘Eis que nós [somos] servos do meu senhor’; que signifique que eles devem ser privados do livre proprium perpetuamente, vê-se pela significação de ‘servos’, que é estar sem o livre proveniente do proprium (n. 5760, 5763). O que é estar privado do livre proveniente do proprium, isso foi também dito nas passagens agora citadas; mas como isso é da maior importância, deve-se dizer novamente: Há o homem externo e há o interno; o homem externo é aquele pelo qual o interno age, uma vez que o homem externo é somente o órgão ou o instrumento do interno. E porque é assim, o homem externo deve estar inteiramente subordinado e sujeitado ao interno; quando ele foi sujeitado, então o céu age por meio do interno no homem externo, e o dispõe para tais coisas que pertencem ao céu. [2] O contrário acontece quando o externo não é sujeitado, mas domina; e o externo domina então quando o homem tem por fim as volúpias do corpo e dos sentidos, principalmente quando ele tem por fim as coisas que pertencem ao amor de si e do mundo, mas não as que pertencem ao céu. Ter por fim é amar uma e não a outra, pois quando o homem tem tais coisas como fim, então ele não crê mais que existe um homem interno, nem que haja em si mesmo alguma coisa que deve viver quando o corpo morre, pois o seu interno, porque não tem o domínio, somente serve ao externo para que ele possa pensar e raciocinar contra o bem e o vero, porquanto então o influxo pelo interno não se mostra outro. Daí vem também que tais homens desprezam absolutamente, e tem mesmo aversão pelas coisas que são do céu. A partir dessas explicações, é mais do que evidente que o homem externo, que é o mesmo que o homem natural, deve estar inteiramente sujeitado ao interno, que é o espiritual, e estar consequentemente, sem o livre proveniente do proprium. [3] O livre proveniente do proprium é entregar-se às volúpias sejam elas quais forem: de desprezar os outros comparando-os a si, de sujeitá-los a si como servos; mas se acontece coisa diferente disso: de persegui-los, odiá-los, deleitar-se com os males que lhes acontecem, e mais ainda com os que lhes são feitos por eles mesmos com ardor e dolo, e de desejar-lhes a morte. São tais coisas que procedem do livre proveniente do proprium. Daí se vê claramente qual é o homem quando está nesse livre, a saber, que é um diabo sob uma forma humana. Mas, de fato, quando o homem perde esse livre, então ele recebe do Senhor o livre celeste, que é absolutamente desconhecido quanto ao que é pelos que estão no livre proveniente do proprium; estes últimos imaginam que, se este livre lhes fosse arrebatado, nada mais lhes restaria da vida, quando, todavia, é então que começa a vida mesma, e então vem com a sabedoria o prazer mesmo, a bem-aventurança, a felicidade, porque este livre procede do Senhor.