. ‘Voltai, comprai-nos um pouco de comida’; que signifique que o bem que pertence ao vero deve ser apropriado, vê-se pela significação de ‘comprar’, que é apropriar-se (n. 5397, 5406, 5410, 5426); e pela significação de ‘comida’, que é o bem que pertence ao vero (n. 5410, 5426, 5487, 5582, 5588, 5655). A comida é, em geral, todo bem, mas especificamente, é o bem que é adquirido por meio do vero, isto é, o vero na vontade e no ato, porquanto esse vero se torna o bem a partir do querer e do fazer, e é chamado bem que pertence ao vero. A não ser que o vero se torne assim o bem, ele não é conveniente ao homem na outra vida para coisa alguma, uma vez que quando ele vem a outra vida, esse vero se dissipa, porque não concorda com o seu querer, nem, por conseguinte, com o prazer de seu amor. Aquele que, no mundo, aprendeu os veros da fé não por querê-los e por amor de fazê-los e, assim, convertê-los em bens, mas apenas para sabê-los e ensiná-los, por causa da honra e do ganho, mesmo quando por tal motivo ele tivesse sido considerado o homem mais erudito no mundo, ainda assim esses veros lhe são tirados na outra vida, e ele é entregue ao seu querer, isto é, à sua vida; e então tal qual ele tinha sido em sua vida, tal ele permanece; e, o que é admirável, ele tem então aversão a todos os veros da fé, e consigo ele os nega, seja qual for o modo como ele os tinha confirmado anteriormente. Converter os veros em bens para querê-los e fazê-los, isto é, pela vida, é o que se entende por apropriar-se o bem que pertence ao vero, o que é significado por “comprai-nos um pouco de comida”.