. ‘Vós sabeis que minha esposa pariu dois para mim’; que signifique‘se houver o bem espiritual que pertence à igreja, haverá o bem e vero interno’, vê-se pela representação de ‘Israel’, que disse essas coisas a respeito de si, que é o bem espiritual proveniente do natural (n. 5825); pela representação de ‘Raquel’, que aqui é a ‘esposa que pariu para ele dois filhos’, que é a afeição do vero interior (n. 3758, 3782, 3793, 3819); e pela representação de ‘José’, e depois, de ‘Benjamin’, que são os ‘dois que ela tinha parido’, que são o bem e vero interno: José o bem interno, e Benjamin, o vero interior. [2] Quanto a isto, que haverá o bem e vero interno se houver o bem espiritual que pertence à igreja, assim se tem: O bem espiritual, que Israel representa, é o bem que pertence ao vero, isto é, o vero pela vontade e pelo ato; este vero, ou este bem pertencente ao vero, faz com que no homem haja igreja. Quando o vero foi implantado na vontade, o que se percebe por isto, que ele é afetado do vero com o fim de que viva segundo esse vero, então há o bem e vero interno. Quando o homem está nesse bem e vero, então o reino do Senhor está nele, consequentemente, é ele igreja, e juntamente com seus semelhantes ele faz a igreja no comum. Daí se pode ver que a igreja, para que seja igreja, deve ser o bem espiritual, isto é, o bem que pertence ao vero, mas de modo algum somente o vero a partir do qual, só, a igreja hoje é chamada a igreja, e pelo qual uma igreja se distingue de outra. Cada um deve pensar consigo se o vero é alguma coisa caso ele não tenha por fim a vida. O que são as coisas doutrinais sem esse fim? Do mesmo modo, o que são os preceitos do decálogo sem o viver segundo eles? De fato, se alguém os conhece, e todo o sentido deles com amplidão, e apesar disso vive contrariamente a eles, a que o conduzem eles? não é para coisa nenhuma, e para alguns à danação? Coisa semelhante acontece com os doutrinais da fé extraídos da Palavra, que são os preceitos da vida cristã, uma vez que são leis espirituais; essas leis também não conduzem a coisa alguma, a não ser que elas se tornem leis de vida. Examine o homem em si, se há nele aquilo que é alguma coisa, a não ser o que entra na sua vida mesma; e se a vida do homem, que é a vida, existe em outra parte que não seja na vontade. [3] Daí agora vem o que foi dito pelo Senhor no Antigo Testamento, e confirmado no Novo, que toda a Lei e todos os Profetas se fundam no amor a Deus e no amor para com o próximo, assim, na vida mesma, mas não na fé sem a vida, assim, de modo algum na fé só, nem, por consequência, na confiança, porquanto essa não pode existir sem a caridade para com o próximo. Se ela aparece nos momentos de crise da vida, e quando com os maus a morte está à porta, essa confiança é espúria ou falsa, pois com eles, na outra vida, não aparece a menor coisa dessa confiança, ainda que, perto da morte, eles tenham aparentemente confessado com ardor que a tinham. Que a fé, quer a chamem confissão, quer a chamem confiança, não produza efeito algum nos maus, o Senhor mesmo ensina em João: “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder para que fossem filhos de Deus, aos que creram no Nome d’Ele; os quais não de sangues, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus nasceram588” (1:12, 13); [4] ‘Aqueles que nasceram de sangues’ estão em lugar dos que fazem violência à caridade (n. 374, 1005), depois, os que profanam o vero (n. 4735); ‘os que nasceram da vontade da carne’ estão em lugar dos que estão nos males provenientes dos amores de si e do mundo (n. 3813); ‘os que nasceram da vontade do varão’ estão em lugar dos que estão nas persuasões do falso, porquanto o ‘varão’ significa o vero e, no sentido oposto, o falso; ‘os que nasceram de Deus’ estão em lugar dos que foram regenerados pelo Senhor, e que estão, portanto, no bem; são estes que ‘recebem o Senhor’, e são eles que ‘creem no Nome d’Ele’, e são eles aos quais ‘Ele dá o poder para que sejam filhos de Deus’, e não àqueles. A partir daqueles, evidencia-se de modo manifesto o que a fé só faz para a salvação. [5] E mais, para que o homem se regenere e se torne igreja, ele deve ser introduzido pelo vero no bem, e ele é então introduzido quando o vero se torna o vero pela vontade e pelo ato; esse vero é o bem, e é chamado o bem que pertence ao vero, e produz continuamente novos veros, pois então pela primeira vez ele frutifica. O vero que daí é produzido, ou frutificado, é o que se chama vero interno, e o bem do qual ele procede é chamado bem interno, afinal nada se torna interno antes de ter sido implantado na vontade, uma vez que o voluntário é o íntimo do homem. Enquanto o bem e o vero estiverem fora da vontade e somente no entendimento, eles estão fora do homem, pois o entendimento está por fora e a vontade está por dentro.