. ‘E disse: Certamente despedaçando foi despedaçado’; que signifique a apercepção de que ele pereceu pelos males e falsos, vê-se pela significação de ‘dizer’, que é a percepção, de que se tratou muitas vezes; e pela significação de ‘ser despedaçado’, que é perecer pelos falsos e males, a saber, o bem interno, que é representado por ‘José’ (n. 5805). Que ‘ser despedaçado’ signifique isto, é porque no mundo espiritual não há outro despedaçamento senão o do bem pelos males e falsos. Isso acontece como o que acontece com a morte e com as coisas que pertencem à morte; no sentido espiritual, elas não significam a morte natural, mas a morte espiritual, que é a danação, pois não há outra morte no mundo espiritual. Coisa semelhante acontece com o ‘despedaçamento’. No sentido espiritual, ele não significa um despedaçamento qual o que é feito pelos animais ferozes, mas sim o despedaçamento do bem pelos males e falsos. Os ‘animais ferozes que dilaceram’ significam também, no sentido espiritual, os males das cobiças e, daí, os falsos, os quais são também representados na outra vida por animais ferozes. [2] O bem que influi continuamente do Senhor no homem não perece senão pelos males e, daí, pelos falsos, e pelos falsos e, daí, pelos males. Com efeito, desde que esse bem contínuo vem, por meio do homem interno, ao homem externo ou natural, logo se lhe apresentam o mal e o falso, por meio dos quais o bem é, como por feras, de vários modos despedaçado e extinto; daí o influxo do bem pelo homem interno é inibido e reprimido; consequentemente, a mente interior, por meio da qual vem o influxo, se fecha, e por ela é admitido apenas o espiritual necessário para que o homem natural possa raciocinar e falar, mas então somente de coisas terrestres, corporais e mundanas, e mesmo contra o bem e o vero, ou segundo o bem e o vero com hipocrisia e embuste. [3] É uma lei universal, que o influxo se acomoda segundo o efluxo, e se o efluxo for inibido, que influxo seja inibido; pelo homem interno há influxo do bem e do vero procedente do Senhor; pelo homem externo deve haver efluxo, a saber, na vida, isto é, no exercício da caridade; quando esse efluxo existe, então há um influxo contínuo procedendo do céu, isto é, por meio do céu desde o Senhor. Porém, se o efluxo não existe, mas há sim no homem externo ou natural uma resistência, isto é, se há o mal e o falso que despedaçam e extinguem o bem influente, segue-se da lei universal acima mencionada, que o influxo se acomoda ao efluxo. Por conseguinte, segue-se que o influxo do bem deve se retrair, e assim se fecha o interno por meio do qual procede o influxo, e, por causa dessa oclusão há estupidez nas coisas espirituais, ao ponto que o homem que é tal nada sabe da vida eterna, nem nada quer saber, e, por fim, há insanidades a ponto de ele opor os falsos contra os veros, e de dizer que os falsos são os veros e que os veros são os falsos, e de opor os males contra os bens, e de fazer com que os males sejam bens e os bens males; portanto, ele despedaça completamente o bem. [4] Na Palavra, menciona-se aqui e ali o ‘despedaçado’, e por esta palavra, no sentido próprio, é significado o que perece pelos falsos provenientes dos males; mas o que perece em razão dos males se chama ‘cadáver’; mas quando o ‘despedaçado’ é empregado só, então significa um e o outro, porquanto um envolve a significação do outro; é diferente quando um é mencionado junto com o outro, uma vez que então há distinção. Como o ‘despedaçado’, no sentido espiritual, significava o que tinha perecido pelos falsos provenientes dos males, por isso tinha sido proibido, na Igreja Representativa, comer alguma coisa despedaçada, o que não teria sido de modo algum proibido, a não ser que no céu esse mal fosse assim entendido; de outro modo, que mal haveria em comer carne despedaçada por uma fera? [5] Dos despedaçados, que não deviam ser comidos, fala-se assim em Moisés: “A gordura do cadáver e a gordura do despedaçado se tornará para todo uso, somente comendo não o comereis” (Lv. 7:24). No mesmo: “O cadáver e o despedaçado não comerá, para que não se contamine com ele, Eu [sou] JEHOVAH” (Lv. 22:8). No mesmo: “Varões de santidade sereis para Mim, por isso a carne no campo despedaçada não comereis, aos cães a lançareis” (Êx. 22:30 [Em JFA, 22:31]). Em Ezequiel: “Ah,SENHOR JEHOVIH!— diz o profeta — Eis a minha alma não se contaminou, e cadáver e despedaçado não comi desde a minha juventude até agora, para que não viesse à minha boca a carne da abominação” (4:14). Por essas passagens, é evidente que tinha sido uma abominação comer o despedaçado, não porque fosse despedaçado, mas porque significava o despedaçamento do bem pelos falsos que provêm dos males; mas o ‘cadáver’ significava a morte do bem pelos males. [6] O despedaçamento do bem pelos falsos e males é também entendido, no sentido interno, nessas passagens em Davi: “A semelhança do ímpio [é] como o leão, deseja despedaçar, e como o leão jovem, que se assenta nos esconderijos” (Sl. 17:12). Em outra passagem: “Abriram contra mim a sua boca, leão despedaçando e rugindo” (Sl. 22:14 [Em JFA, 22:13]; e ainda em outra passagem: “Para que não arrebatem como o leão a minha alma, despedaçando, mas não há quem faça escapar” (Sl. 7:3); o ‘leão’ está em lugar dos que vastam a igreja. Acima, onde se trata de José, que ele foi vendido por seus irmãos, e sua túnica tinta de sangue foi enviada a seu pai, então o pai dele disse também: “A túnica do meu filho! Uma fera má o comeu, despedaçando foi despedaçado José” (Gn. 37:33); que ali ‘despedaçado’ seja dissipado pelos falsos que procedem dos males, foi visto (n. 4777).