Texto
. Esses dois espíritos que foram adjuntos ao homem fazem com que haja comunicação com o inferno, e esses dois anjos fazem com que haja comunicação com o céu. O homem, sem a comunicação com o céu e o inferno, não poderia viver sequer um instante; se essas comunicações fossem tiradas, o homem cairia morto como um tronco, pois então seria retirado o elo com o primeiro ser, isto é, com o Senhor. Mostrou-se-me isso por experiência; os espíritos junto a mim foram um pouco afastados, e então conforme o afastamento comecei quase a expirar, e teria até expirado se eles não tivessem se aproximado de novo. Mas sei que poucos creem que há espíritos junto de si e até que haja alguns espíritos; a principal causa é que hoje não há fé, porque não há caridade; por isso não se crê também que haja um inferno, nem mesmo que haja um céu, consequentemente, nem uma vida depois da morte. Uma segunda causa é porque os homens não veem com seus olhos os espíritos, porquanto dizem: “Se os visse, eu acreditaria; o que vejo, isto existe, mas o que não vejo, será que existe?” Quando, todavia, sabem, ou podem saber, que o olho do homem é tão embotado e tão grosseiro que sequer vê as coisas salientes que estão na extrema natureza, o que é evidente pelos instrumentos de óptica pelos quais tais coisas ficam visíveis. Como então o homem poderia ver as coisas que estão dentro de uma natureza ainda mais pura, onde estão os espíritos e os anjos? O homem não pode vê-los senão com os olhos de seu homem interno, uma vez que estes foram acomodados de tal forma para vê-los; mas, por muitos motivos, a vista desse olho não é aberta ao homem quando ele está no mundo. A partir disso se pode ver o quanto a fé de hoje dista da fé antiga; a fé antiga era que cada homem tinha junto a si o seu anjo.