Texto
. ‘Dois anos de fome no meio da terra’; que signifique o estado de falta de bem na mente natural, vê-se pela significação dos ‘anos’, que são os estados (n. 487, 488, 493, 893); pela significação da ‘fome’, que é a falta de bem, uma vez que o ‘pão’, no sentido espiritual, é o bem do amor, e a ‘comida’ é o bem que pertence ao vero; por isso a ‘fome’ é a falta de bem, a ‘sede’ por sua vez, a falta de vero; e pela significação de ‘no meio da terra’, a saber, do Egito, que é a mente natural (n. 5276, 5378, 5280, 5288, 5301). Diz-se ‘no meio’, porque o ‘meio’ é o íntimoem que está o bem (n. 1074, 2940, 2973); os ‘dois anos’ são o estado de conjunção do bem e do vero, porque ‘dois’ significa a conjunção (n. 5194), aqui, não ainda a conjunção, o que são ‘dois anos de fome’.
[2] Com isso aconteceassim: Na mente natural deve haver veros para que o bem possa operar; e os veros devem ser introduzidos por meio de uma afeição que pertence a um amor genuíno; todas as coisas que estão na memória do homem foram introduzidas por meio de algum amor, e ali permanecem conjuntas; do mesmo modo também os veros que pertencem à fé; se eles foram introduzidos por meio do amor que pertence ao vero, esses veros permanecem conjuntos com esse amor. Quando foram conjuntos, então a coisa ocorre assim: Se a afeição é de novo produzida, os veros que a ela foram conjuntos se apresentam simultaneamente; e se os veros são de novo produzidos, a afeição mesmaa que foram conjuntos se apresenta simultaneamente. É por isso que, quando o homem está sendo regenerado, o que acontece na idade adulta — porque antes dessa idade ele não pensa por si mesmo a respeito dos veros da fé —, ele é governado pelo Senhor, por intermédio dos anjos, por meio disto, que é mantido nos veros que ele gravou em si que são veros; e por meio desses veros [Ele o mantêm] na afeição com a qual os veros foram conjuntos; e como essa afeição, a saber, a afeição do vero, provém do bem, ele é conduzido assim gradualmente ao bem [per gradus ad bonum].
[3] Que assim seja, tornou-se claro para mim por muitas experiências; apercebi, com efeito, quando os maus espíritos lançavam em mim males e falsos, que então os anjos, pelo Senhor, me mantinham nos veros que tinham sido implantados, e assim me tinham mantido afastado dos males e dos falsos. Daí também se tornou evidente que os veros da fé enraizados por meio da afeição do vero são o plano em que os anjos operam; é por esse motivo que aqueles que não têm esse plano não podem ser conduzidos pelos anjos, mas se deixam conduzir pelo inferno, uma vez que a operação dos anjos não pode então se estabelecer em parte alguma, mas o influxo passa através[sed transfluit]. Contudo, esse plano não pode ser adquirido a não ser que os veros da fé tenham sidopostos em ato e, assim,tenham sido implantados na vontade e, por meio da vontade, na vida. Uma coisa ainda digna de ser lembrada é que a operação dos anjos nos veros da fé no homem raramente se torna manifesta, a saber, de modo que o pensamento seja estimulado a respeitodesse vero, mas se produz uma ideia geral de tais coisas que convêm a esse vero, com a afeição, já que essa operação se faz por meio de um influxo imperceptível, que, quando se apresenta para ser visto, mostra-se equivalente a uma luz influindo, luz que consiste em inumeráveis veros no bem, os quais abrangem um único vero no homem, e mantêm o homem, quando está no vero, tambémno amor pertencente a esse vero. É assim que os anjos elevam a mente do homem fora dos falsos, e o defendem dos males. Mas essas operações são completamente ignoradas pelo homem.