ac 5949

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Porque aqui [tereis] o bem de toda a terra do Egito’; que signifique que para eles o principal estará na mente natural, vê-se pela significação da ‘terra do Egito’, que é a mente natural (n. 5276, 5278, 5280, 5288, 5301); pelo ‘bom de toda essa terra’ é significado o principal [primarium]. Por essas palavras também se entende que se eles não cuidassem das coisas instrumentais, mas sim das essenciais, eles teriam coisas instrumentaisem abundância; que, por exemplo, se eles cuidam dos veros, teriam em abundância os conhecimentos, que são o ‘bem da terra do Egito’; semelhantemente se eles cuidam do bem, eles teriam veros em abundância. Na realidade deve-se cuidar dos conhecimentos, depois, dos veros, mas deve-se visar o bem como fim; se os olhos estão no bem como em um fim, então o homem está na visão das coisas daí consequentes, ou na percepção semelhante às coisas que daí provêm, percepção que nunca é dada a não ser que o bem seja o fim, isto é, a não ser que o bem reine universalmente em todas e em cada uma das coisas.
[2] Tem-se isto como com o corpo e a sua alma; o homem deve absolutamente cuidar de seu corpo, por exemplo, deve nutri-lo, vesti-lo, fazê-lo fruir dos prazeres do mundo, mas todas essas coisas não por causado corpo, mas por causa da alma, a saber, a fim de que esta aja de um modo correspondente e regular em um corpo são, e o corpo, como órgão, lhe seja inteiramente obediente; desse modo a alma será o fim.Nem a alma deve ser tida como fim, mas somente como fim médio; o homem deve cuidar dela não por causadela, mas por causados usos que ele deve prestar em um e outro mundo; e quando o homem tem os usos por fim, ele tem por fim o Senhor, porque o Senhor dispõe para os usos e dispõe os usos mesmos.
[3] Como há poucos que saibam o que é ‘ter por fim’, cumpre também dizer: ter por fim é amar mais do que as outras coisas, pois o que o homem ama, isso ele tem por fim. Ora, o que o homem tem por fim é manifestamente conhecido, pois isso reina universalmente nele, assim, está continuamente presente, ainda então quando em nenhum momento se vê pensar a respeito disso603, pois isto se acha gravado nele e faz sua vida interior e, assim, governa de forma latente todas e cada umadas coisas. Seja para exemplo aquele que honra de coração a seus pais; em tudo que ele faz na presença dele e em todas as coisas que ele pensa em sua ausência, essa honra está presente, e também ela é percebida a partir dos gestos e da linguagem; o mesmo sucede àquele que de coração teme e honra a Deus; esse temor e essa honra estão presentes em cada uma das coisas que pensa, diz e faz, porque aí está, e mesmo quando não se vê que está presente; por exemplo, quando ele está em negócios que parecem estar muito longe disso, pois essa honra reina universalmente, assim, em cada coisa. O que reina no homem é apercebido de modo manifesto na outra vida, pois a esfera de toda sua vida, esfera que se exala dele, provém do que reina.
[4] A partir dessas explicações se pode ver o modo como se entende que se deve ter sempre Deus diante dos olhos; não que se deva pensar continuamente a respeito d’Ele, mas sim que o temor, ou seja, o amor de Deus, deve reinar universalmente; então em cada coisa se tem Deus diante dos olhos, e quando isso acontece, o homem não pensa, não diz e nada faz que seja adverso e desagradável a Ele; se acontecer de modo diferente, aquilo que reina universalmente e está interiormente oculto se manifesta e admoesta.

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