Texto
. ‘E suas crianças’;que signifique junto com as coisas que pertencem à inocência, vê-se pela significação das ‘crianças’, que é a inocência (n. 3183, 5608); diz-se “com as coisas que pertencem à inocência”; depois, “com as que pertencem à caridade”; a causa é porque sem a inocência e a caridade o vero natural não pode ser impelido a avançar pelos veros espirituais, visto que o vero, para que seja genuíno, deve extrair da caridade a sua essência e a sua vida; e a caridade, da inocência. Com efeito, os interiores que vivificam o vero se sucedem nesta ordem: o íntimo é a inocência, o inferior é a caridade, e o ínfimo é a obra da caridade a partir do vero ou segundo o vero. Que eles se sucedam assim, é porque eles se sucedem do mesmo modo nos céus, porquanto o céu íntimo ou terceiro céu é o céu da inocência, o céu médio ou o segundo céu, o céu da caridade em que está a inocência procedente do céu íntimo, e o último ou primeiro céu é o céu do vero em que está a caridade proveniente do segundo céu, e na caridade a inocência procedentedo terceiro céu. Esses interiores devem estar no homem nessa mesma ordem, pois o homem, quanto aos interiores, foi formado à imagem dos três céus; daí também o homem regenerado é o céu em particular ou na mínima forma; mas quanto aos exteriores, principalmente quanto ao corpo, ele foi formado à imagem do mundo, é por isso que ele foi chamado, pelos antigos, microcosmo. Com efeito, a orelha foi formada para toda a natureza do ar e de som; os olhos para toda natureza de éter e de luz; a língua para todo sentido das partes dissolvidas e flutuantes nos líquidos; as narinas para o sentido das partes flutuantes na atmosfera; o tato para o sentido do frio e do calor, depois para os graves da terra; e assim por diante. Assim como os sentidos externos do homem foram formados à toda imagem do mundo natural, assim também os seus sentidos internos, que pertencem ao seu entendimento e vontade, foram formados à toda imagem do céu por este fim,para que o homem seja no particular um recipiente do Divino Bem procedente do Senhor, assim como o é o céu no geral.