Texto
. ‘Nos veículos que faraó enviou para levá-lo’;que signifique os doutrinais que provêm dos conhecimentos da igreja, vê-se pela significação dos ‘veículos’, que são os doutrinais (n. 5945); e pela representação do ‘faraó’, que é o conhecimento da igreja no geral, visto quepelo ‘Egito’ é significado o conhecimento da igreja (n. 1462, 4749, 4964, 4966), daí, pelo seu rei é significado esse conhecimento no geral, como também em outras passagens na Palavra; mas na maioriadas passagens,assim como pelo Egito, assim tambémpelo faraó é significadoo conhecimento pervertido. Que ‘faraó’ seja o conhecimento no geral, vê-se claramente em Isaías:
“Insensatos são os príncipes de Zoan, os sábios dos conselheiros de faraó; o conselho tornou-se estúpido; como dizeis ao faraó: Filho dos sábios eu [sou], filho dos reis da antiguidade?” (19:11);
‘faraó’ aqui é o conhecimento da igreja no geral; daí ele é dito ‘filho dos sábios’ e ‘filho dos reis da antiguidade’; os ‘sábios’ e os ‘reis da antiguidade’ estão em lugardos veros da Antiga Igreja; mas aqui se entende que esse conhecimento ficou enfatuado, pois se diz: “tornaram-se insensatos os príncipes de Zoan”, “o conselho tornou-se estúpido”.
[2] No mesmo:
“Vão para descer ao Egito, mas não perguntaram à minha boca, para se fortificarem [com]a força de faraó, e para confiarem na sombra do Egito; por isso se vos tornará a força de faraó em vergonha, e a confiança na sombra do Egito em ignomínia” (Is. 30:2, 3);
‘fortificar-se com a força de faraó’ e ‘confiar na sombra do Egito’ está em lugar de ter confiança nos conhecimentos quanto às coisas da fé e não ter fé em nenhum vero espiritual, a não ser que o científico e sensual dite, o que, todavia, pertence à ordem pervertida, já que em primeiro lugar devem estar os veros da fé, e em segundo os conhecimentos que confirmam, porque estes, se estão em primeiro lugar, não se crê absolutamente em nada do vero.
[3] Em Jeremias:
“Disse JEHOVAH Zebaoth, Deus de Israel: Eis [que] Eu visitarei a Amon em No, e sobre o faraó, e sobre o Egito, e sobre seus deuses, e sobre seus reis, principalmente sobre faraó e os que confiam nele” (46:25);
aqui também ‘faraó’ está em lugardo conhecimento no geral; ‘os que confiam nele’ estão em lugar daqueles que se fiam nos conhecimentos, mas não na Palavra, isto é, no Senhor na Palavra; daí provém toda perversão nos doutrinais da fé, e daí vem o falso, e também o negativo que haja alguma coisa de Divina e de celeste; sobretudo, estes têm principalmente na boca: “Faça-me ver essas coisas visualmente”, ou “demonstre-me cientificamente que seja assim, e então crerei”. Mas ainda que visseme caso lhes fosse demonstrado, não acreditariam; a causa vem de que o negativo reina universalmente.
[4] No mesmo:
“Contra faraó: Eis águas subindo do norte, que se tornam em torrente que inunda; e inundarão a terra e a sua plenitude, a cidade e os habitantes nela, para que clamem os homens, e lamente todo habitante da terra, por causa da voz do bater dos cavalos, dos seus cascos fortes, e do tumulto do seu carro, do estrépito das suas rodas” (Jr. 47:1, 2, 3);
por cada uma das coisas que aqui são ditas de faraó, é evidente que ‘faraó’ é o conhecimento no geral, aqui na ordem pervertida, que destrói os veros da fé; a ‘torrente que inunda’ é o conhecimento destruindo o entendimento do vero, e assim vastando; ‘elas inundarão a terra e a sua plenitude’ é toda a igreja; ‘a cidade e aqueles que habitam nela’ é o vero da igreja e, daí, o bem; e ‘a [voz] da batida dos cascos dos cavalos’ são os conhecimentos ínfimos provenientes imediatamente dos sensuais; o ‘tumulto do carro’ é o doutrinal falso que daí provém; o ‘estrépito das rodas’ são os sensuais e as falácias deles que impelem para adiante [promovent].
[5] Em Ezequiel:
“Disse o Senhor JEHOVIH: Eis Eu contra ti, faraó, rei do Egito, baleia grande, que se deita no meio dos seus rios, que diz: Meu é o rio, e eu o fiz para mim, por isso porei anzóis nos teus queixos, e farei pegar o peixe dos teus rios as escamas” (39:2, 3, 4);
aqui o faraó também está em lugar do conhecimento no geral, o que é semelhantemente evidente por cada uma das coisas que se dizem dele.
[6] No mesmo:
“Levanta uma lamentação sobre faraó, rei do Egito: Tu [és] como baleias nos mares, transbordaste com os teus rios, e turbaste as águas com os teus pés, e conturbavas os rios delas. Cobrirei, quando te extinguir, céus; e escurecerei as estrelas deles, ao sol com uma nuvem cobrirei, e a lua não fará luzir seu lume; todos os luminares de luz enegrecerei sobre ti, e porei trevas sobre a tua terra” (32:2, 3, 7, 8);
que essas expressões, assim como muitas nos Profetas, não possam ser compreendidas por ninguém sem o sentido interno, é evidente; por exemplo, que ‘faraó é como as baleias nos mares’, que ‘ele tenha transbordado dos seus rios, e tenha turvado as águas com os seus pés’; que ‘sobre ele seriam cobertos os céus, seriam enegrecidas as estrelas, e todos os luminares de luz’; que ‘o sol seria coberto por uma nuvem’, que ‘a lua não luziria’, e ‘que trevas seriam postas sobre a sua terra’; mas o sentido interno ensina o que elas significam, a saber, que os conhecimentos pervertem os veros da igreja se o homem entra por meio deles nos arcanos da fé, e se em nada crê a não ser que veja a partir deles, e mesmo a não ser que veja a partir dos sensuais. Que seja esse o sentido interno, fica claro pela explicação de cada uma destas expressões.
[7] O faraó é dito ‘rei do Egito’ em razão do vero do conhecimento, pois o conhecimento é o vero no natural; que o ‘rei’ seja o vero, foi visto (n. 1672, 1728, 2015, 2069, 3009, 3670, 4575, 4581, 4966, 5044), e o rei de um povo significa o mesmo que o povo (n. 4789), assim, faraó a mesma coisa que o Egito, mas no geral. Que o ‘Egito’ seja o conhecimento, foi mostrado muitas vezes. O faraó é comparado às baleias nos mares porque a ‘baleia’ ou o ‘cetáceo’ significa as coisas gerais dos conhecimentos (n. 42), e os ‘mares’ significam as reuniõesdos conhecimentos (n. 28); depois é dito que ele ‘transbordou com seus rios’ porque pelos ‘rios’ são significadas as coisas pertencentes à inteligência (n. 108, 109, 2702, 3051), aqui, as coisas pertencentes à insanidade, visto que elas provêm dos sensuais e dos conhecimentos (n. 5196). Depois se diz que ‘ele turvou as águas com seus pés’, e que ‘conturbou seus rios’, porque pelas ‘águas’ são significados os veros espirituais (n. 680, 739, 2702, 3058, 3424, 4976, 5668), e pelos ‘pés’, as coisas pertencentes ao natural (n. 2162, 3147, 3761, 3986, 4280, 4938 ao 4952); assim, ‘turvar as águas com os pés’ é manchar e perverter os veros da fé por meio dos conhecimentos que pertencem ao natural; e ‘conturbar os rios deles’ é fazer o mesmo à inteligência.
[8] Por fim se diz que, quando ele for extinto, os céus serão cobertos, porque os ‘céus’ significam os interiores do homem, pois os seus interiores são seus céus. Esses interiores se fecham quando os conhecimentos dominam sobre os veros da fé, ou quando o natural domina sobre o espiritual; que então as cognições do vero e do bem perecem, é significado por ‘enegrecerei as estrelas dos céus e todos os luminares de luz’(que as ‘estrelas’ são essas cognições, n. 2495, 2849, 4697; que os ‘luminares’ sejam os bens e os veros, n. 30 ao 38). Que então o bem do amor não possa mais influir, é significado por ‘cobrirei o sol com uma nuvem’; e que nem o bem da fé, é significado por ‘a lua não fará luzir seu lume’; que o ‘sol’ seja o bem do amor, e a ‘lua’ o bem da fé, foi visto (n. 1529, 1530, 2120, 2495, 3636, 3643, 4060, 4696); e que assim somente os falsos ocupam a mente natural, é significado por ‘porei as trevas na terra’; as ‘trevas’ são os falsos (n. 1839, 1860, 4418, 4551), e a ‘terra de faraó’ ou a ‘terra do Egito’, a mente natural (n. 5276, 5278, 5280, 5288, 5301). A partir disso, agora fica claro que sentido há nesses proféticos. Como pelo ‘faraó’ é significado o conhecimento no geral, por ele é significado também o natural no geral (n. 5799).