ac 6047

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E seja que faraó vos chamará’;que signifique se o natural no qual estão os conhecimentos da igreja quiser ser conjungido, vê-se pela significação de ‘chamar a si’, que é querer ser conjungido, uma vez que chamar a si pela afeição de que habitem em sua terra e se tornem uma só nação com os seus é querer ser conjungido; e pela representação do ‘faraó’, que é o natural em que estão os conhecimentos da igreja, como acima (n. 6042). Pela ‘ação de chamar, dofaraó’ é significado o recíproco da iniciação e da conjunção, a saber, dos conhecimentos da igreja com os veros e os bens no natural, já que toda conjunção requer um recíproco; daí o consentimento de uma e outra parte.
[2] Trata-se aqui da conjunção dos veros da igreja com os seus conhecimentos, mas é preciso conhecer o modo como eles devem ser conjungidos. Com efeito, o princípio não deve ser tirado dos conhecimentos614, e não é por meio deles que se deve entrar nos veros da fé, pois os conhecimentos no homem provêm dos sensuais, assim, do mundo, do qual provêminumeráveis falácias. Mas o princípio deve ser tirado dos veros da fé, a saber, por este caminho: Primeiro tem-se de aprender os doutrinais da igreja, e em seguida deve-se examinar, a partir da Palavra, se eles são veros, pois não são veros porque os chefes da igreja assim disseram e osseguidores deles confirmam; pois se assim fosse, seria necessário chamar de veros os doutrinais de todas as igrejas e de todas as religiões tão somente porque são do território, e são recebidos por nascimento. Assim, seriam veros não só os doutrinais das autoridades pontificais615,depoisos dos quakers, mas também os dos judeus e também os dos maometanos, porque os chefes deles assim disseram, e os seguidores o confirmam. A partirdestas explicações, é evidente que se deve investigar a Palavra, e nela procurar ver se os doutrinais são veros. Quando isso se faz pela afeição do vero, então o homem é iluminado pelo Senhor, de sorte queapercebe, sem saber de onde isso vem, o que é verdadeiro, e se confirma no verdadeiro segundo o bem no qual está. Se esses veros não estão de acordo com os doutrinais, acautele-se ele para que não perturbe a igreja.
[3] Depois, quando ele foi confirmado, e que assim ele está no afirmativo a partir da Palavra que esses sãoveros da fé, então lhe é permitido confirmá-los por meio de todos os conhecimentos que estão nele, de qualquer nome ou de qualquer natureza que sejam, pois então, como o afirmativo reina universalmente, ele aceita os conhecimentos que concordam e rejeita os conhecimentos que, por causa das falácias que eles encerram, discordam; pelos conhecimentos a fé é corroborada. É por isso que não se deve negar a ninguém [o direito de] examinar as Escrituras oriundo da afeição de saber se os doutrinais da igreja dentro da qual a pessoa nasceu são verdadeiros, pois de outro modo nunca se poderia ser iluminado. Nem se deve negar depois [o direito de] se corroborar por meio dos conhecimentos; porém, se isso não lhe foi permitido antes,é esse o caminho, e não há outro, para conjungir os veros da fé com os conhecimentos, não só com os conhecimentos da igreja, mas também com os conhecimentos quaisquer que eles sejam. Contudo, há pouquíssimos hoje que avancem por esse caminho, porquanto a maioria dos que leem a Palavra a leem não por afeição do vero, mas pela afeição de nela confirmar os doutrinais da igreja dentro da qual nasceram, quaisquer que sejam esses doutrinais.
[4] Na Palavra, o Reino do Senhor é descrito em que o espiritual, o racional e o conhecimento estão nele conjuntos, mas isso é descrito pelos nomes que os significam, a saber, por Israel, por Asshur e pelo Egito: por Israel é descrito o espiritual, por Asshur, o racional, e pelo Egito o conhecimento, nestes termos em Isaías:
“Nesse dia haverá um altar a JEHOVAHno meio da terra do Egito, e um pilar a JEHOVAH perto do seu limite, e será por seu sinal e testemunho a JEHOVAH Zebaoth na terra do Egito, pois clamarão a JEHOVAH por causa dos opressores, e lhes enviará um conservador e príncipe, e os livrará; e JEHOVAH se tornará conhecido no Egito, e os egípcios conhecerãoJEHOVAH nesse dia, e farão um sacrifício e uma minchah; e votarão um voto a JEHOVAH e [o] cumprirão. Nesse dia haverá uma vereda desde o Egito até Asshur, e virá Asshur ao Egito, e o Egito a Asshur; e o Egitoservirá a Asshur. Nesse dia, Israelserá um terceiro ao Egito e a Asshur; bênção no meio da terra, a qualJEHOVAH Zebaothabençoará dizendo: Bendito [é] o Meu povo, o Egito, e a obra das Minhas mãos, Asshur, e Minha herança, Israel” (19:19 ao 25);
[5] Qualquer um pode ver que aqui não é o Egito, nem Asshur, nem mesmo Israel, que se entende, mas sim que é outra coisa por cada um deles; que por ‘Israel’ seja o espiritual da igreja, foi visto (n. 3654, 5801, 5803, 5806, 5812, 5817, 5819, 5826, 5833); por ‘Asshur’ o racional, n. 119, 1186; e pelo ‘Egito’ o conhecimento, n. 1164, 1165, 1186, 1462, 4749, 4964, 4966, 5700, 6004, 6015. Esses três, conjuntos no homem da igreja, são descritos no Profeta pormeio disso, que “haverá uma vereda do Egito a Asshur, e Asshur virá ao Egito, e o Egito a Asshur, e o Egitoservirá a Asshur. Nesse dia Israelserá um terceiro ao Egito e a Asshur, bênção no meio da terra”. Com efeito, para que o homem seja homem da igreja, é necessário que ele seja espiritual, bem como racional, ao qualconhecimento deve servir. Agora, a partir disso se pode ver que o conhecimento não deve de modo algum ser rejeitado de junto dos veros da fé, mas que devem ser conjungidos, mas por um caminho anterior, isto é, pelo caminhoda fé, porém não pelo caminho posterior, isto é, pelo caminho dos conhecimentos. (Vejam-se também as coisas que foram demonstradas nos n. 128, 129, 130, 195, 196, 232, 233, 1226, 1911, 2568, 2588, 4156, 4760, 5510, 5700).

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